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PCC x CV: as inverdades da imprensa sensacionalista, secretários e ‘especialistas’ (Pt. 2)

PCC x CV: as inverdades da imprensa sensacionalista, secretários e ‘especialistas’ (Parte 2)

Na semana passada, verificamos, resumidamente, que a imprensa afirmara que as mortes dos detentos foram geradas pelo rompimento das facções criminosas (Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho). Inclusive disseram que esse “pacto” permaneceu por quase duas décadas.

Na verdade, não sabem nem fazer conta, pois se o PCC foi fundado na data de 31 de agosto de 1993, o primeiro Estatuto o qual tomei conhecimento é de 1995 e a imprensa afirma que só agora (no ano de 2016) é que o PCC rompera os laços com o CV, teríamos mais de duas décadasÉ cada absurdo que se diz!

As autoridades dos dois Estados (São Paulo e Rio de Janeiro) atribuíram às mortes ao fim dessa aliança. Curiosamente a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro negou que houve ruptura de aliança entre as facções. É isso mesmo que os senhores acabaram de ler: isso pode ser comprovado pela leitura do artigo da semana passada, ou seja, o Estado do Rio de Janeiro afirma uma coisa e depois contradiz o que acabara de afirmar, inclusive nos informa que as forças de inteligência das polícias carioca e paulista estão investigando.

Acho que pensam que somos imbecis. O secretário de Justiça e Cidadania de Roraima nos informou que eles estavam percebendo nacionalmente o rompimento desse acordo entre eles.

Outro fato interessante é o que os ditos especialistas nos disseram. Mencionam que as mortes são o marco do rompimento entre as organizações criminosas. Há ainda menção de que essas rupturas pode indicar uma mudança no comando das facções. Vejam só, trabalham com suposições.

Outro especialista nos informa que as informações são muito escassas, mas que está claro que ocorrera uma ruptura entre o PCC e o CV. Esse mesmo dito especialista nos informa que as duas facções já vinham se ameaçando desde julho em enfrentamentos pontuais dentro do sistema penitenciário. Houve tentativas de evitar a ruptura definitiva, mas após os acontecimentos desse final de semana isso deixou de ser possível.

Como pode afirmar que as informações são muito escassas se existe menção de que não há mais coligação com facções no Terceiro Estatuto do PCC? Como que se menciona que houve tentativas de evitar a ruptura, inclusive dizendo que os acontecimentos desse fim de semana deixaram isso ser possível, sendo que a ruptura já ocorrera há mais de seis anos? Santa Barbaridade!

Vejamos o que nos diz o Terceiro Estatuto do Primeiro Comando da Capital, mais precisamente no seu artigo 13 (que na verdade é bem extenso, mas entendi que mostrar apenas uma parte do mesmo já é suficiente para explicar e contradizer tudo o que foi afirmado pelos Secretários, pela imprensa e pelos tais especialistas em organizações criminosas nascidas do cárcere):

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O Regulamento de Conduta Criminal que impera no Estado de São Paulo, mais obedecido que a própria Lei de Execução Penal, é muito claro quando nos diz que O COMANDO NÃO TEM NENHUMA COLIGAÇÃO COM NENHUMA FACÇÃO (…). Se observarmos, há até uma redundância quanto ao emprego da palavra NENHUMA, que é usada por duas vezes, para assim deixar bem claro o que realmente os mesmos afirmam.

Outro ponto importante e esclarecedor do Terceiro Estatuto do PCC é a “Exposição de Motivos de criação desse novo Estatuto”, pois nele menciona que quando da criação desse Estatuto eles estariam comemorando 17 anos de fundação. Logo, se o ano de criação do PCC é de 1993 e se foram 17 anos, esse estatuto é do ano de 2010. Vejamos:

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Não consigo entender: se desde 2010, em seu Terceiro Estatuto, o Primeiro Comando da Capital já afirmara que não possuía “laços” com nenhuma facção, porque todo mundo está afirmando que agora é que o PCC rompeu sua coligação com o CV? Está mais que provado documentalmente que há mais de seis anos não existe mais essa tal irmandade entre qualquer facção e o PCC. Ou, se preferirem, organização criminosa. Deveriam essas pessoas que afirmaram essas inverdades não ficarem dizendo coisas que desconhecem e induzindo milhares de pessoas ao erro.

Já quanto aos ditos especialistas, advirto-os quanto às mazelas geradas pelas suas “afirmações acadêmicas”. Se não conhecem a matéria, não se manifestem, por favor! Só espero que ninguém queira se “fundamentar” quando da elaboração seus trabalhos de conclusão de curso, de mestrado, de doutorado e etc. nessas vergonhosas declarações feitas pelos “especialistas” aos meios de imprensa.

Então, entendo que já sanei as dúvidas dos leitores quanto à afirmação equivocada de que na verdade o rompimento do PCC com o CV ocorrera em meados de outubro de 2016.

Me sinto assim mais tranquilo, pois me senti na obrigação de mostrar aos leitores do Canal de Ciências Criminais (Canal esse que me sinto muito honrado por integrar esse seleto grupo de colunistas), a verdade sobre o rompimento da coligação entre essas duas grandes organizações criminosas, o Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho. Espero que esse artigo também seja lido por aqueles que divulgaram tamanhos absurdos. Que fique aqui demonstrado o meu descontentamento por práticas dessa natureza. imprensa sensacionalista imprensa sensacionalista imprensa sensacionalista imprensa sensacionalista imprensa sensacionalista

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Diorgeres de Assis Victorio

Agente Penitenciário. Porta-voz da LEAP.

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