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Quem foi o indígena gay assassinado brutalmente pela Igreja no século 17 no Brasil?

No dia 18 de dezembro, o Vaticano concedeu autorização para a bênção de casais do mesmo sexo e aqueles considerados “em situação irregular” pela Igreja Católica. Essa medida, apesar de um avanço, ainda carrega consigo a necessidade de uma reparação histórica, pois, desde seus primórdios, a Igreja Católica teve um papel crucial na perseguição e até mesmo no assassinato de pessoas da comunidade LGBTQIAP+.

Um dos casos emblemáticos na história do Brasil remete ao indígena tupinambá Tibira, do Maranhão, no século 17. Ele foi vítima do que pode ser considerada a primeira morte documentada por homofobia no país, segundo relato da Agência Brasil.

indígena tibira
Imagem: Reprodução/Gizmodo -UOL

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O indígena

Tibira foi acusado de “sodomia”, considerado pecado pelos missionários franceses atuantes no Maranhão. O livro “História das coisas mais memoráveis acontecidas no Maranhão nos anos de 1613-1614”, escrito pelo Frei Yves D’Évreux, o frade francês responsável pelo ato detalha os horrores dessa execução. Ele foi amarrado a um canhão na muralha do forte de São Luís e dividido em duas partes, uma caindo aos pés da muralha e outra no mar, jamais encontrada.

A relevância do indígena Tibira e sua necessidade de reconhecimento ganharam destaque por meio do trabalho de Luiz Mott, sociólogo, antropólogo e professor da Universidade Federal da Bahia, além de fundador da ONG Grupo Gay da Bahia. Em 2014, ele publicou o livro “São Tibira do Maranhão — Índio Gay Mártir”, destacando a importância desse caso. No entanto, Mott esclarece a dificuldade de definir a data precisa da execução de Tibira, apontando um intervalo entre os anos de 1613 e 1614.

Preconceito

De acordo com o pesquisador, a homofobia foi institucionalizada no Brasil em 1534, com a criação das primeiras capitanias hereditárias. Mesmo após a exclusão da “sodomia” como crime no Código Penal Brasileiro, assinado por Dom Pedro I em 1830, o país ainda registra altos índices de violência contra homossexuais.

Além disso, o historiador Sérgio Muricy, arcebispo primaz da Santa Igreja Celta do Brasil, é o primeiro líder religioso a reconhecer a santidade do indígena Tibira e defender sua canonização, conforme reportagem da BBC.

“Não se tem notícias de nenhum martírio com esta crueldade na história do Brasil”, disse. “Pelo relato que descreve o suplício de São Tibira, ele foi batizado pelos seus algozes antes de morrer. Então ele morreu cristão, reunindo as condições necessárias para sua canonização ou proclamação de santidade.”

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