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A insânia em forma de Apocalypse: loucos de guerra

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A insânia em forma de Apocalypse: loucos de guerra

A insânia de Apocalypse Now ficou marcada pela condução de jovens aparentemente treinados para conflitos bélicos em território hostil e desconhecido, em um combate que não entendiam.

O filme de Francis Ford Copolla, de 1979, contando com grande elenco e um roteiro de possibilidades imensas, foi idealizado, inicialmente, como uma grande caçada ao general que havia endoidado e comandava suas tropas em algum lugar ermo do Vietnã, considerando-se um Deus.

Atitudes assim deveriam ser isoladas para a manutenção do comando esclarecido como controlador, que não poderia ser desafiado a partir de dentro, ou seja; por um de seus mais especializados comandantes.

O direito de controle perante seus soldados adivinha de uma hierarquia rígida determinadora da classificação entre as mais leais lideranças e de alta graduação militar, para monitorizar soldados ao seu alcance e decidir os caminhos para a batalha.

Acontece que um desses responsáveis capitães acaba por enlouquecer e levou suas tropas para um local indeterminado e fora dos limites da guerra que ocorria, controlando a todos reconhecendo seu poder como supremo, único na Terra.

Alguns de seus seguidores, também descontrolados por conflitos psicológicos, possuem a crença similar a de seu líder, considerando-o também parte de um poder metafisico o qual desconhecem, mas respeitam e aceitam.

É difícil perceber se o tom da película de Copolla é evidenciar os poderes bélicos norte-americanos para o mundo demonstrando sua força, ou se, de fato, deseja tratar de um problema crônico causados pelos distúrbios da rígida carreira militar estadunidense.

Todavia, suas bases para a película partiram da obra do escritor britânico Joseph Conrad, publicado em 1902, intitulada “O coração das trevas”. Nessa obra, o escritor conta a historia de exploradores de marfim na África, quando um desses (Kurtz) torna-se louco desaparecendo com alguns companheiros território inexplorado adentro.

Da mesma forma, Apocalypse Now retrata o coronel Kurtz, que perdeu a lucidez e deve ser morto, para a saúde do exército. Pela interpretação da obra de Conrad, o problema central inserido no tema e no filme Apocalypse Now seria a loucura de Kurtz.

Há pouco mais de duas semanas o presidente americano Donald Trump havia dito que os Estados Unidos possuíam um número muito alto de pessoas com “problemas mentais” e que traziam esses “dilemas” das guerras que participaram.

Todavia, os números de atentados (de atiradores que antes pertenciam ao exército e participaram de conflitos bélicos) contra civis, demonstram claramente uma anomalia na nação.

Trump ainda acrescenta dizendo que acredita que “o acesso às armas de fogo por pessoas com problemas mentais” não é causa dos recentes ataques contra civis.

Ao tentar interpretar, com todo afinco e impedindo subjetividades e conceitos formados a priori, o que Trump quis dizer foi, que pessoas com alto grau de psicopatia podem portar armas de fogo e que isso não acarretaria algumas dessas vitimas de doenças mentais a atirar contra outros (como grande psicólogo e reconhecido pesquisador dos fenômenos mentais que é, deve saber do que está falando (sic, por suposto!)).

Por outro lado, sabe-se que a indústria de armas de fogo e produtos bélicos é uma das quais mais crescem dia após dia naquele território, e, também é, grande apoiadora de influxos favoráveis aos seus intuitos.

Muitas dessas afluências vão direto para as “contas” dos partidos políticos aliados, bem como, consideram apoiar políticos de toda forma. Políticos como Trump, que mesmo não precisando de dinheiro, precisam de uma imagem.

Inteligente como é, não poderia exprimir nada contra o movimento do mercado, até porque não é sua vertente política, que é mais levada ao armamento, às guerras e a prática da conhecida arrogância norte americana.

Mas também, quedou-se inerte quando a importância de trazer tratamentos para essas pessoas quebradas que retornam dos conflitos, como os atuais no Golfo Pérsico, era premente.

Dessa forma insere-se mais uma vez naquele mal que se revela norte americano nato: cada um com seus problemas. Não há tratamentos para problemas que não querem identificar, mesmo todos sabendo qual é a causa mais recente de tais distúrbios.

Todavia, quando uma bomba explode, ir atrás do detonador pode ser tarde demais.  

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