• 23 de outubro de 2020

Libertas Quæ Sera Tamen: tributo a Tiradentes!

 Libertas Quæ Sera Tamen: tributo a Tiradentes!

Libertas Quæ Sera Tamen: tributo a Tiradentes!

Pelas montanhas de Minas

Entre essas serras guardado

Brilha o berço do herói

Na fazenda do Pombal

Seus quatro nomes imortais

Joaquim José da Silva Xavier” – 

(Trecho da música “Canção do Herói”).

No meu tempo de colégio, eu e meus amigos (a “turminha da bagunça”) tínhamos um lema: “Caguetar” nunca!

Se pesquisarmos (com calma) em algum dicionário contemporâneo da língua portuguesa o conceito de “traidor”, certamente encontraremos alguma semelhança com Judas Iscariotes; Joaquim Silvério dos Reis; ou Domingos Fernandes Calabar.

Brincadeiras à parte, mas no meu entender, Joaquim Silvério dos Reis (ou traidor ou “X9” ou caguete) é o titular da “primeira delação premiada” da história de nosso país, mas vamos por partes…

JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER (12/11/1746 – 21/04/1792)

O famoso “Tiradentes”, como era conhecido Joaquim José da Silva Xavier, nasceu no ano de 1746, na Capitania das Minas Gerais, mais precisamente na fazenda de Pombal.

De família humilde, Tiradentes era filho do português e proprietário rural Domingos da Silva Xavier e da portuguesa (apesar de nascida na colônia do Brasil), Maria Paula da Encarnação Xavier. Aos 11 anos de idade o jovem Joaquim José da Silva Xavier já era órfão de pai e mãe.

Por conta de dívidas, a família de Tiradentes perdeu diversas propriedades, o que de certa forma obrigou o jovem Joaquim a amadurecer bem antes do esperado. Passou a ser criado por seu tio e padrinho Sebastião Ferreira Leitão, que era cirurgião dentista.

Com o passar dos anos, o adulto Joaquim José da Silva Xavier exerceu diversos ofícios, de dentista (amador) a alferes nos quadros da cavalaria imperial. Tornou- se um adepto dos ideais iluministas, bem como um “republicano de carteirinha”.

O MOVIMENTO DOS INCONFIDENTES (INCONFIDÊNCIA MINEIRA)

Também conhecida como Conjuração Mineira, foi um movimento de cunho separatista que ocorreu na Capitania de Minas Gerais, por volta do ano de 1789. 

Lembrando que antes do ano de 1822 o Brasil NÃO era considerado independente, mas sim, um território que pertencia a Portugal, logo, tudo o que fosse produzido pela “Colônia” deveria ser enviado para nossa “Matriz”. 

Insatisfeitos e inconformados com os altos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa, Tiradentes em conjunto com integrantes da elite econômica da Capitania de Minas Gerais, grandes proprietários rurais, intelectuais, advogados, poetas, padres e militares, planejavam assassinar o governador Visconde de Barbacena e proclamar o republicanismo na Capitania de Minas Gerais.

JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS – A PRIMEIRA DELAÇÃO PREMIADA

O plano dos inconfidentes mineiros quase chegou ao êxito, não fosse o delator Joaquim Silvério dos Reis denunciar os membros da Conjuração Mineira. Trinta e quatro pessoas foram presas e condenadas, porém, apenas um foi sentenciado com pena capital, o único que nunca negou seus ideais, o único que não pertencia efetivamente à elite, Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes.

Em 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado e posteriormente seu corpo foi esquartejado e exposto em diversos locais para que servisse de exemplo a qualquer um que tentasse trair a coroa.

Joaquim Silvério dos Reis, a personificação da falta de caráter e delator dos inconfidentes, foi agraciado com o perdão das dívidas que possuía com a Coroa Portuguesa bem como anistia, título de Coronel do Exército, etc.

Tiradentes, um dos nossos maiores heróis nacionais, é a única figura que tem um feriado próprio em todo território brasileiro.

Seu esforço não foi em vão. A inconfidência mineira foi um marco na história do Brasil.

Reflita nos dizeres que os inconfidentes escreveram na bandeira da Capitania de Minas Gerais (que até hoje está presente):

libertas quæ sera tamen

“Liberdade ainda que tardia”


REFERÊNCIAS

Livro “A Formação das Almas – O imaginário da República no Brasil”, de José Murilo de Carvalho.


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Leonardo Nolasco