• 14 de dezembro de 2019

Um livro de percursos libertários: contextualização

 Um livro de percursos libertários: contextualização

Um livro de percursos libertários: contextualização

Fazemos nosso caminho como o fogo suas centelhas. – René Char

Após “Abolicionismos e Cultura Libertária” (dentre outros livros), no livro “Abolicionismos e Sociedades de Controle”[1] pretendi me aprofundar na análise dos processos de capturas e governos de resistências, abrangendo o assinalado como senso comum democrático no livro anterior e outros pontos já trabalhados (como a ruptura ante o princípio da autoridade e da punição tensionados nas histórias dos pensamentos libertários – lanceando a linguagem-crime, razão de Estado e de governo etc.), mas aqui com um foco maior nas extremamente problemáticas noções de participação, representação e empoderamento nas sociedades de controle, considerando o peso das convocações às participações compradas de bom grado por esquerdas e direitas absorvidas nos fluxos e deles constitutivos.

Neste livro considero o energizar da produção de subjetividades do cidadão-polícia e microfascismos estimulados nos fluxos repressivos, as dicotomias rasas de front compartilhadas por esquerdas e direitas, o esgotamento intelectual nas criminologias e as capturas do crescente discurso sobre o empoderamento de “forças progressistas”, seus tentáculos e extensões na atualidade dos controles, agora contínuos e ultrarrápidos, entre aprisionamentos e toda sorte de monitoramentos, numa crescente de juízes e policiais do cotidiano.

Seguramente não cessa nas capturas, oxigenando potencialidades e linhas de fuga abolicionistas contra a arte de governar, materializando uma arte de viver sem ser governado, de liberações e abolições.

Dispensa os planos dos soldados nas sociedades de controle para ressoar na inventividade guerreira dos piratas destoantes do presente.

Dilacera as utopias e os etapismos eternizadores, enquanto promove abolições no presente, aqui e agora!

Tenha uma boa leitura,

Saúde!


NOTA

[1] Esta nota expressa uma breve contextualização sobre o livro “Abolicionismos e Sociedades de Controle: entre aprisionamentos e monitoramentos” (2018). Pode ser adquirido aqui.


REFERÊNCIAS:

CORDEIRO, Patrícia; PIRES, Guilherme Moreira. Abolicionismos e Cultura Libertária: inflexões e reflexões sobre Estado, democracia, linguagem, delito, ideologia e poder. Florianópolis: Empório do Direito, 2017.

PIRES, Guilherme Moreira. Abolicionismos e Sociedades de Controle: entre aprisionamentos e monitoramentos. Florianópolis: Habitus, 2018.

Guilherme M. Pires

Doutor em Direito Penal (UBA). Advogado.