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Caso Lucas Terra: acusados da morte de adolescente em Salvador são julgados 22 anos após o crime

Em 2001, ocorreu um crime hediondo na Bahia, que chocou a população local. Lucas Terra, um adolescente de 14 anos, foi assassinado e seu corpo queimado foi encontrado em um terreno baldio em Salvador. Três pastores da igreja que o garoto frequentava foram acusados pelo homicídio.

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Após 22 anos, o júri popular foi iniciado na terça-feira em Salvador e contará com a participação de 15 testemunhas de defesa e acusação, para que os sete membros do júri decidam a culpa ou a inocência dos réus.

Os pastores acusados são Silvio Galiza, Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva. Galiza já havia sido condenado em 2004 pelo crime e agora os outros dois pastores serão julgados pela primeira vez. Eles esperaram pelo julgamento em liberdade e continuaram a liderar igrejas em outras regiões do país.

O portal G1 compilou informações sobre os acusados, a motivação do crime e os procedimentos que levaram ao julgamento.

O processo de julgamento dos acusados Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva pelo assassinato do adolescente Lucas Terra ocorrerá em 2023, mais de 20 anos após o crime. Eles enfrentam acusações de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver, com agravantes relacionados ao motivo torpe, ao meio cruel empregado e à impossibilidade de defesa da vítima.

De acordo com os laudos policiais, Lucas Terra foi queimado vivo após ter sido colocado em uma caixa de madeira. Além disso, há denúncias de que o adolescente foi estuprado antes do assassinato, embora o Departamento de Polícia Técnica não tenha detectado o estupro nos exames de necropsia na época.

Durante o primeiro dia do julgamento, o advogado da família de Lucas Terra, Ricardo Sampaio, afirmou à TV Bahia que a acusação possui evidências do estupro e que irá apresentá-las ao júri.

O adolescente Lucas Terra saiu para um culto noturno com o pastor e não retornou para casa

De acordo com o depoimento de Galiza à polícia em 2006 e o livro escrito pelo pai da vítima, Lucas Terra saiu para um culto noturno e avisou ao seu pai que estava com o pastor Silvio Galiza. No entanto, o adolescente nunca retornou para casa e seu corpo foi encontrado dois dias depois em um terreno baldio em Salvador.

Segundo o livro, Lucas foi morto porque flagrou os pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva tendo relações sexuais dentro de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Isso levanta a suspeita de que sua morte foi motivada pelo conhecimento que ele tinha sobre o comportamento dos pastores e pelo desejo de encobrir suas atividades ilegais.

O adolescente foi encontrado com o corpo queimado devido ao fato de ter sido queimado vivo.

O processo de julgamento dos pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva, acusados pela morte do adolescente, durou cerca de 16 anos, desde a denúncia feita por Silvio Galiza. Durante esse período, ocorreram muitos desdobramentos legais relacionados ao caso.

Em 2013, os pastores foram absolvidos pela Justiça, mas a família de Lucas apelou da decisão.

Em setembro de 2015, os desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia decidiram, por unanimidade, que os religiosos deveriam ser julgados pelo júri popular, uma decisão que foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça.

Fonte: G1

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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