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Maior processo por aborto do Brasil é investigado em novo podcast da Folha

Clínica clandestina de aborto funcionou por quase duas décadas

A Folha estreou na última quarta-feira (30) um novo podcast, Caso das 10 Mil, série narrativa que investiga a derrocada de uma clínica especializada em abortos e como ela acirrou a disputa política sobre o tema no Brasil.

Durante quase vinte anos, entre  1989 e 2007, a Clínica de Planejamento Familiar funcionou no centro de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. O lugar era comandado pela médica anestesista Neide Mota Machado, e praticava abortos clandestinos.

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Novo podcast da Folha conta sobre a maior clínica de aborto do Brasil

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Clínica clandestina realizou mais de 10 mil abortos

Segundo apurado pela Folha, havia uma espécie de “acordo silencioso” entre a médica Neide Mota Machado e a sociedade de Campo Grande, o que permitiu que clínica ficasse em funcionamento por quase duas décadas. Até que uma reportagem da TV Globo denunciou os atendimentos o que ocasionou o início de uma investigação policial.

Durante a investigação, a polícia apreendeu os registros médicos de 10 mil pacientes que teriam passado pela clínica para realizar o aborto. Os casos foram analisados, investigados e levaram mais de mil mulheres à Justiça. As funcionárias da clínica também foram denunciadas e levadas ao Tribunal do Júri.

Maior processo criminal de aborto do Brasil

O caso envolvendo a Clínica de Planejamento Familiar é o maior processo criminal envolvendo o crime de aborto no Brasil. E segundo a Folha, Neide já havia sido processado duas vezes pelo crime de aborto, mas ambas foram arquivadas.

A reportagem que desencadeou a investigação policial foi ao ar pela no Jornal Nacional, na TV Globo, no dia 10 de abril de 2007.  Dois jornalistas foram até lá com uma câmera escondida, simulando estar em busca de um aborto.

Regina Márcia, a delegada responsável pela investigação, foi ouvida e contou de quando sua equipe chegou ao local depois da denúncia:

“Nós chegamos lá pela manhã e a clínica estava com, com… Não tinha mais ninguém na clínica. Tinha alguns documentos que foram mexidos ali, como que… Como de alguém que saiu às pressas.”

Ela relatou ainda que a clínica funcionava como qualquer outra: as mulheres chegavam, um prontuário médico era aberto no nome da paciente, e em seguida ela aguardava o atendimento.

Nas fichas continha ainda a motivação para o aborto, as datas de entrada e saída das pacientes, os remédios e procedimentos escolhidos. Além disso, a clínica também guardava imagens de ultrassom e resultados de curetagem. Segundo a autoridade policial, as fichas não tentavam esconder e nem maquiar que ali seria praticado um crime de aborto.

Podcast ‘Caso das 10 Mil’ 

O podcast que conta sobre o caso da clínica de aborto em questão está disponível em todas as principais plataformas de podcast e vai ao ar todas às quartas-feiras, às 8 horas.

Fonte: Folha de S.Paulo

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