Maníaco do Trianon: o caso do “Dhamer” brasileiro que assombrou São Paulo

Aprofundando nos casos dos serial killers: o Maníaco do Trianon

A recente minissérie “Dahmer: Um Canibal Americano” reacendeu a problemática dos serial killers na sociedade. A produção de Ryan Murphy e estrelada por Evan Peters retrata os horrores cometidos por Jeffrey Dahmer, infrator responsável por 17 crimes brutais entre 1978 e 1991. Os atos bárbaros de Dahmer incluíam estupro, necrofilia e canibalismo.

No entanto, não é necessário olhar muito distante para encontrar casos tão chocantes quanto esses. No Brasil, especificamente em São Paulo, tivemos casos emblemáticos de serial killers que causaram um verdadeiro estado de pânico na população. Um desses é o do Maníaco do Trianon, principalmente recordado durante as discussões suscitadas pela minissérie.

Maníaco do Trianon
Imagem: reprodução/ Aventuras na Historia

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Quem era o Maníaco do Trianon?

Fortunato Botton Neto, conhecido como Maníaco do Trianon, ganhou destaque nas tramas de terror em São Paulo durante os anos 80. Oriundo de uma família na capital paulista, Botton fugiu de casa ainda na infância e passou a viver pelas ruas pedindo esmolas. Aos oito anos, foi vítima de abuso sexual por um caminhoneiro, um evento traumático que segundo ele, desencadeou um ódio latente por indivíduos que acreditava serem mais fortes do que ele.

Na década de 80, já adulto, começou a se prostituir para sobreviver, atuando na Av. Paulista, principalmente no Parque Trianon. Nesse período, vivia-se uma época tensa, com o número de casos de AIDS aumentando a cada dia, e a presença do preconceito, especialmente a homofobia, fazendo vítimas.

Por que Fortunato é considerado um serial killer?

Em 1987, Fortunato cometeu seu primeiro assassinato. O cenário do crime foi a casa do psiquiatra Antonio Carlos Di Giacomo, encontrado morto com os membros amarrados, esfaqueado e com indícios de alcoolismo prévio à morte. Este seria o primeiro de muitos. Entre 1987 e 1989, cinco de suas mortes foram investigadas. Tais crimes foram sempre cometidos seguindo o modus operandi: embebedar o indivíduo, imobilizá-lo, estrangulá-lo e esfaqueá-lo, uma execução que chocava até os investigadores mais experientes.

Este último era visto como um homem normal no cotidiano, abertamente homossexual. Entretanto, ele portava uma série de problemas mentais que faziam com que passasse por “surtos” e, nesses momentos, se transformava em um monstro que abominava homossexuais e os culpava pelo surgimento da AIDS. Mas as marcas deixadas pelo Maníaco do Trianon não terminam aqui. Em fevereiro de 1997, Fortunato morreu no presídio de Taubaté em decorrência de broncopneumonia causada pela AIDS, que contraiu de uma de suas vítimas.

O impacto social e cultural dos crimes do Maníaco do Trianon

Os horrores praticados pelo Maníaco do Trianon não apenas deixaram cicatrizes na cidade de São Paulo, mas também foram retratados em diversas formas de mídia. O serial killer e suas vítimas foram parte de uma série de reportagens produzidas pelo canal Discovery Channel, e integra um episódio da segunda temporada do programa “Instinto Assassino”. Ademais, o jornalista Roldão Arruda do Estado de S. Paulo detalhou a trajetória de Botton em seu livro “Dias de Ira: Uma História Verídica de Assassinatos Autorizados”, lançado pela Editora Globo.

Os crimes de Botton, assim como os de Dahmer e tantos outros, servem como um lembrete de que a maldade humana pode alcançar limites inimagináveis. Nos resta valorizar as lições e buscar formas efetivas de prevenção e punição para evitar que ações tão monstruosas se repitam.

Maníaco do Trianon
Imagem: reprodução/ Youtube