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Médico que já foi condenado por crime sexual é acusado de abuso por mais uma paciente no RJ

Um médico neurocirurgião que foi condenado por um crime sexual anteriormente, está enfrentando novas acusações de abuso sexual contra uma paciente enquanto trabalhava no Centro de Emergência Regional (CER) no Rio de Janeiro.

Salim Michel Yazeji, que tem 72 anos, foi preso em 2019, cumpriu pena de 1 ano e dois meses e foi libertado em outubro de 2021.

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A suposta agressão ocorreu em novembro e o médico foi imediatamente demitido da unidade de saúde municipal. Atualmente, ele tem um consultório particular em um shopping na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

De acordo com a reportagem do RJ2 da TV Globo, a paciente disse que foi ao Hospital Municipal Souza Aguiar para tratar um machucado na nádega e foi encaminhada para o CER, onde Yazeji a atendeu. Quando ela mostrou o abscesso, ele tentou tocar em seu corpo, mas a mulher se afastou e se cobriu.

A paciente contou ao RJ2 que o médico começou a elogiar seu corpo, perguntou se era casada, se o marido era ciumento e se ela fazia topless. Ele também perguntou se ela tinha algo na vagina. A paciente ficou perturbada e decidiu denunciar o caso, mas teve dificuldades para formalizar a denúncia na própria unidade médica.

Ela pediu ajuda à recepcionista, que chamou o superior dela, mas a paciente não queria fazer o procedimento com ele. A médica que foi chamada tentou induzi-la a acreditar que o médico não seria capaz, insinuando que ele era gay. A paciente buscou a Delegacia da Mulher, mas o médico nunca foi chamado a depor.

Ela levou o caso à Prefeitura do Rio, que informou que o médico não trabalhava mais na unidade. O médico já tinha denúncias contra ele desde 2008, mas só em 2016 um caso foi a julgamento e ele foi condenado a 4 anos e seis meses de prisão pelo crime de violação sexual mediante fraude. Ele se aproveitou da consulta médica para abusar sexualmente da paciente.

Yazeji, que estava preso há um ano e dois meses, foi libertado da prisão em outubro de 2021 devido a uma lei que permitia que presos idosos fossem libertados por causa da pandemia de Covid-19.

Outra paciente que acusou o neurocirurgião de abuso sexual durante uma consulta em 2008 teve seu caso rejeitado pelo tribunal. Ela procurou a ajuda do médico para determinar se tinha transtorno de déficit de atenção.

Durante uma consulta, o médico Yazeji supostamente fez perguntas pessoais sobre a vida sexual da paciente

Durante a consulta, Yazeji supostamente fez perguntas pessoais sobre sua vida sexual e, em seguida, passou a tocar seu corpo, incluindo seus seios, ânus e vagina. A paciente sentiu-se desconfortável e constrangida, mas não compreendeu completamente a extensão do comportamento inadequado no momento, pois tinha apenas 18 ou 19 anos de idade.

O médico se recusou a comentar quando abordado pelo RJ2, e sua equipe de defesa afirmou que não estava ciente da acusação e não daria uma entrevista neste momento.

Yazeji trabalhou no CER Centro durante os meses de maio a novembro de 2022, sendo contratado pela organização gestora da unidade após passar por um processo seletivo público e apresentar toda a documentação necessária, incluindo o registro ativo no CRM. No entanto, seu contrato foi rescindido e ele não trabalha mais na unidade.

Não há registro de sua atuação em outras unidades da rede municipal. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que o médico recebeu a punição de censura pública em janeiro de 2023.

A Polícia Civil está investigando Yazeji na Delegacia de Atendimento à Mulher do Centro do Rio e realizando diligências para esclarecer os fatos. A direção do CER Centro está colaborando com as investigações.

Fonte: Extra

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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