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Médicos e monstros

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Médicos e monstros

O médico é o profissional que se ocupa da saúde; é a quem se procura quando o ser humano precisa de ajuda, quando está doente ou quando sofreu um acidente.

Através de anos de estudos sobre anatomia, fisiologia, imunologia, patologia, dentre várias especialidades, ele se torna um dos responsáveis por prevenir, diagnosticar, tratar e curar as doenças. Ou seja, o profissional da medicina está relacionado ao bem-estar humano. Mas, nem sempre é assim.

Um número perturbador de serial killers se encontra na área médica (também inclui enfermagem e técnicos), dentro de hospitais e de clínicas (exemplo de idosos), fazendo vítimas dentre seus inúmeros pacientes, que são pessoas que confiam sua saúde e sua vida nas mãos destes profissionais.

A razão pela escolha de seguir a carreira de medicina (e de homicídios) é certamente complexa, mas a maior vantagem é a facilidade de encontrar suas vítimas; não é preciso caçá-las, elas vão a sua procura e estas já se encontram vulneráveis fisicamente e psicologicamente.

Os médicos que selecionam suas vítimas dentro de grandes hospitais ou lares de idosos, seja por doenças graves ou pela idade, de certa forma, são protegidos da suspeita devido ao juramento de Hipócrates (“… aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano, nem mal a ninguém”) e devido ao fato de que a morte desses pacientes, cedo ou tarde (não muito), chegará.

Um dos motivos mais comuns é o assassinato por misericórdia. O médico alega que estará dissipando o sofrimento do paciente selecionado, culminando na sua morte. Por outro lado, usando este mesmo discurso, o médico pode atuar de forma sádica, levando o paciente a morte em desacordo com a motivação inicial.

Uma outra justificativa para o crime é a pretensão de ser “herói”. O médico, de forma voluntária, provoca uma piora no paciente, que nesse momento corre sérios riscos de morrer, porém, num último momento, o médico o salva e acaba por receber elogios dos familiares e dos colegas de profissão. Como visto, a intenção não é de matar, mas essa “brincadeira” com a vida pode ocasionar a morte.

Alguns desses profissionais podem matar por lucro, conquistam a confiança e a conta bancária dos pacientes, e após matá-los recebem uma gratificante herança. Há casos de que os médicos sedam seus pacientes, geralmente mulheres, para algum tipo de tratamento e os abusam sexualmente. Temos um exemplo brasileiro: o estuprador em série Roger Abdelmassih. Porém, os pacientes podem morrer por overdose.

Um médico nazista e um grande sádico que se destacou na história mundial foi Josef Mengele, um oficial da SS alemã que trabalhou no campo de concentração de Auschwitz.

Conhecido como o Anjo da Morte ou Belo Diabo, Mengele foi o principal médico encarregado de determinar o futuro dos prisioneiros: ou seriam trabalhadores (forçados) ou iriam para as câmaras de gás. Além disso, também realizou experiências bizarras com a maioria dos prisioneiros, principalmente com as crianças.

Em Auschwitz, Mengele queria aprender mais sobre a hereditariedade e chegou a fazer experiências com gêmeos idênticos. Após os experimentos, ele utilizava clorofórmio para matá-los, e dissecava ambos para comparar os corpos.

Ele também fez um experimento no qual dois gêmeos foram costurados por suas veias para simular gêmeos siameses. Além dessas experiências, buscava conhecimentos sobre os olhos, chegando a injetar produtos químicos na íris com objetivo de mudança na sua cor. Também amputou membros das pessoas para tentar implantá-los de volta.

Mengele realizou diversas atrocidades com seres humanos em nome da medicina. Não se ateve em preocupar com o que os prisioneiros queriam, ou aguentavam, matou porque eram inferiores e porque ninguém se importaria. Porém, isso mudou e ele teve que fugir; mudou de nome para não ser reconhecido, passou por diversos países, e morreu afogado numa praia em São Paulo.

Somente quando um serial killer se torna confiante em demasia ou muito descuidado, permitindo o aparecimento de pistas reveladoras; ou também matando descontroladamente em um curto espaço de tempo, que os crimes ficam perceptíveis.

É assustador que, quando um médico assassino é descoberto, uma quantidade enorme de pacientes mortos por ele é revelada, sem contar com os casos não comprovados. Muitas vezes, quando suspeitam desse tipo de ocorrência dentro de um hospital, a sua investigação é complexa dada a quantidade de funcionários e ex-funcionários que passaram por ali.

O perfil destes profissionais da saúde que matam pode ser de mulheres ou de homens e, embora a maioria seja de brancos, os assassinos podem ser negros; podem ser médicos de CTIs, de emergências ou especialistas em idosos. A própria condição humana faz com que eles sejam procurados pelas vítimas, e se o médico é um assassino, não há muito o que fazer: sua intenção já está colocada a partir da fragilidade dos pacientes.

Cada um destes médicos e monstros tem sua motivação própria na hora de abater sua vítima, não importando sua raça, seu gênero, ou sua especialidade, embora certos temas possam se repetir.


REFERÊNCIAS

NEWTON, M. The Encyclopedia of Serial Killer. Second Edition. Ed. Checkmark Books, 2006.


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Autor

Especialista em Psicanálise, Saúde Mental e Criminal Profiling. Psicóloga.
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