• 30 de outubro de 2020

A missão do Advogado Criminalista

 A missão do Advogado Criminalista

A missão do Advogado Criminalista

É cláusula pétrea na Constituição Federal da República Federativa do Brasil, no art. 133, que o Advogado é indispensável para a manutenção da justiça. Nós vamos além.

O Advogado Criminalista é indispensável para a efetivação da justiça e do Estado Democrático de Direito. Tanto que é assegurado, em direito fundamental previsto na Carta Magna, no art. 5º, inc. LXIII, o acompanhamento ao preso, por Advogado.

A missão do Advogado Criminalista vai muito além de ser técnico. Temos de um lado o réu, a quem precisamos assistir de forma técnica, independente de ser inocente ou culpado, pois todos têm o direito à defesa. E de outro lado, temos a família que muitas vezes não entende o que está acontecendo e precisa de um parecer e de um apoio, inclusive emocional.

Temos um estado punitivo que na dúvida, condena. Que na dúvida, pronuncia e submete o réu ao Tribunal do Júri. Temos uma sociedade que te julga enquanto Advogado tanto quanto julga àqueles que estão sendo acusados pela prática de delitos.

Temos a missão de falar em nome daqueles que não tem voz. De demonstrar que sim, que ele matou, mas por legítima defesa. Que sim, faríamos o mesmo se estivéssemos no lugar do réu. Ou que não, não foi ele quem disparou ou que não era ele que estava no local do fato. Devemos nos dedicar ao máximo em todos os casos para nos aproximarmos da verdade e consequentemente, da Justiça.

Conforme dito antes, estamos ao lado dos excluídos pela sociedade. O que por sua vez, nos exclui também. Quem nunca sofreu discriminação quando referiu ser Advogado Criminalista em almoço de família ou almoço de vizinhos? Quem nunca foi chamado de “porta de cadeia” ou “advogado do diabo”?

Não nos abalemos com nomes pejorativos, pois temos dito que, ninguém está livre de responder um processo criminal e quem será a primeira pessoa que os cidadãos de bem chamarão? Nós mesmos. Aqueles que eles julgam. E nós estaremos lá, prontos para atendê-los.

E com a mesma dedicação, mesmo que a voz reforçando os apelidos negativos que nos denominam esteja ecoando na cabeça, faremos o nosso trabalho da melhor forma possível. Pois somos éticos e resistentes. Somos profissionais e qualificados.

Diferente do que o senso comum pensa, ser Advogado Criminalista é muito difícil. As pessoas pensam inicialmente no retorno financeiro, quando na verdade sequer imaginam tudo o que passamos para conquistar as vitórias.

E aqui não falamos somente nos estudos, que não se limitam à graduação e especializações. Falamos nas noites sem dormir, seja atendendo flagrante, seja em Estado de Júri, seja estudando ou até mesmo preocupados.

Falando em preocupação, são muitas: encontrar a melhor tese para o caso, provar a inocência do cliente, preparar uma boa audiência que sabe-se ser difícil, acalmar a família e o réu. E cada segundo de preocupação, dedicação e empenho é recompensado em cada decisão justa que resulta do trabalho árduo prestado pela Defesa.

E apesar de tudo isso, ainda nos perguntam: mas por que escolheram a advocacia criminal, se não é esse paraíso que se imagina? E a resposta é uníssona: não escolhemos, ela é que nos escolheu. Ela nos escolheu e não só aflorou, como enraizou-se no nosso ser. Somos Advogadas Criminalistas.

Enfrentamos preconceitos, dificuldades, arbitrariedades e o que mais for lançado em nossa frente. E não desistimos. Jamais desistiremos. Somos a resistência. E o principal, seguiremos em busca da nossa missão, que nada mais é do que ser e fazer Justiça!


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Bruna Lima

Especialista em Direito Penal e Processual Penal. Advogada.