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Missão cumprida: menos um inocente na cadeia

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Meu primeiro caso criminal já possuía repercussão social e na mídia. Tratava-se de um caso de um paraquedista que tinha sido preso por tráfico de drogas e reconhecido por uma suposta vítima (policial) como participante de um sequestro.

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Como uma boa estudante e amante de Direito Penal, primeiro elaborei um pedido de relaxamento de prisão e foi negado. Então, comecei a procurar provas.

Fui ao quartel onde meu cliente estava trabalhando no dia do suposto crime (não existia gravação de vídeo ou folha de ponto, apenas testemunhas já arroladas no relaxamento), passei a ser investigadora e a ter paixão pela busca da inocência do meu cliente (negro, morador de uma comunidade e com uma família destruída em todos os sentidos).

Percebi naquele instante que precisaria ser detetive. Junto com um familiar do meu cliente fui até o local do suposto movimento de tráfico, registrei imagens de supostos traficantes arrolados no processo como presos e estavam soltos, e também me dirigi a um cemitério e fiz o pai do meu cliente registrar um vídeo (um dos supostos traficantes do processo que constava como preso estava morto).

Comecei a analisar cada contradição e verifiquei um erro na reportagem: o policial como vítima do sequestro. Investigando, percebi que ele não era policial, era ex-policial exonerado após decisão em mandado de segurança.

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Fiz todo o suposto percurso do sequestro filmando e também encontrei contradições. Investiguei cada detalhe por noites em claro e cada detalhe do processo de 6 volumes. Treinei as alegações orais. No dia da audiência foi necessário apenas alegações finais por memoriais (rs).

Por fim, na saída da audiência estavam cerca de 50 pessoas aguardando, do lado de fora, com a blusa estampada com a foto do meu cliente. Olharam-me em silêncio e eu disse:

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Ele vai ser solto!

Ouvi gritos, pessoas chorando, um guarda falando não pode fazer barulho, e vi os olhos repletos de lágrimas estampados na face dos pais do meu cliente, que confiaram no meu trabalho e sabiam que eu estava iniciando.

Missão cumprida: menos um inocente na cadeia. Desde aquele processo eu entendi a missão do advogado(a) criminal, a importância e a valorização que deve ser dada a esse profissional imprescindível, como um direito fundamental e nunca mais parei…

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