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Modus operandi x assinatura

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Modus operandi x assinatura

No local de crime pode-se observar dois aspectos comportamentais que podem auxiliar na investigação de crimes em série, são eles: a assinatura e o modus operandi. Para tanto, essa referência requer que, numa série de crimes aleatórios, seja feita uma análise comparativa das evidências nas cenas do crime.

Os locais de um mesmo criminoso deve apresentar mais semelhanças do que diferenças e a partir dessas similaridades construir um perfil criminal, este será baseado no modus operandi (M.O.), na assinatura e também uma proximidade espaço-temporal entre os crimes.

MODUS OPERANDI

O Modus Operandi equivale a um conjunto de elementos funcionais necessários para o total sucesso do crime, ou seja, tem o objetivo de não ser capturado. Isso inclui o disfarce da voz, limpar a cena de crime, remover evidências, planejamento, rota de fuga, dentre outros.

Os assassinos em série aprendem e adotam os comportamentos que deram certo e não repetem os atos que num dado momento suspeitou-se que poderia apresentar riscos de ser pego (Petherick; Ferguson,2012).

Quanto mais o assassino em série fica confiante e confortável com suas matanças, seu modus operandi costuma evoluir com o decorrer do tempo, seja para despistar a polícia, ou simplesmente porque ficou entediado com sua forma de matar. É como se o criminoso evoluísse com resultado de sua maturação e experiência criminal.

Outra possibilidade de mudança do modus operandi é quando aparecem influências que desviam o comportamento esperado, e nem sempre estão controladas pelo criminoso, como por exemplo, as reações das vítimas, as condições físicas do local de crime, as atividades policiais e a atenção mediática (Konvalina-Simas, 2014).

Segundo Newton (2006), o modus operandi dos serial killers pode ser classificado em três tipos, mensurados a partir do modo de perseguir e de matar suas vítimas:

1 – Os Nômades: estes assassinos se locomovem frequentemente entre locais, são “viajantes”, indo de uma jurisprudência a outra. Esse tipo, dificulta o trabalho da polícia, principalmente em conectar crimes em estados diferentes.  Exemplos: Henry Lee Lucas e Ottis Toole.

2 – Os Territoriais: são matadores em série que delimitam um alcance territorial para caçar suas vítimas. David Berkowitz matava em determinada cidade e bairro. O assassino “Green River Killer”, encontrava suas vítimas na estrada e abandona seus corpos entre duas cidades (Seattle e Tacoma).

3 – Estacionários: são os mais raros. Matam suas vítimas num mesmo local, geralmente o crime é em casa ou no local de trabalho. Neste grupo está incluído as viúvas negras, os anjos da morte (médicos e enfermeiras) e um exemplo clássico é o John Wayne Gacy. Muitas vezes os assassinos em série desse tipo são obrigados a mudar de casa ou trabalho, em função de não deixar muitas pistas.

ASSINATURA

A assinatura do agressor é definida de acordo com um tipo de comportamento durante o crime e, que este não faça parte e excede do que é necessário para a execução do homicídio.  A assinatura está relacionada com as fantasias e frequentemente envolve parafilias, representando algo de pessoal do criminoso. Nem sempre um criminoso em série possui uma assinatura, mas quando tem, geralmente é constante (diferentemente do modus operandi).

Schechter (2013) considera que a assinatura, muitas vezes, é usada por psicopatas para provocar a polícia e chamar atenção da mídia. Mas que, nem todo serial killer quer algum tipo de atenção para seus crimes.  Este autor aponta um outro tipo de definição para a assinatura e está relacionada “a uma característica do assassinato que reflete alguma arraigada peculiaridade psicológica do mesmo” (p.304).

Torturar e mutilar uma vítima são exemplos de assinatura, assim como usar um mesmo tipo de amarração, infligir o mesmo tipo de ferimento em diferentes vítimas, colocar o corpo de uma maneira bem característica (poses obscenas) ou que provoque impacto em outro, rituais (manter uma ordem específica de comportamento).

Kemper praticava necrofilia com suas vítimas. Rader, conhecido como BTK (Bind, Torture, Kill – ou Amarrar, Torturar, Matar), amarrava e matava suas vítimas de forma peculiar. Ramírez, deixava desenhos de pentagramas nas cenas de crime. Dhamer praticou necrofilia, canibalismo, mutilando e cozinhando partes de suas vítimas.

Enfim, a análise destes dois aspectos da cena de crime coopera com a descrição do funcionamento do comportamento homicida e permite o profiler elaborar inferências a respeito da personalidade do criminoso. Importante deixar claro, que essa análise é posterior as etapas de recolha dos vestígios físicos pela perícia, e outros exames e laudos criminais.  Em suma, o processo investigativo pode ser facilitado com dados do modus operandi e principalmente com os comportamentos de assinatura.


REFERÊNCIAS

KONVALINA- SIMAS, T. Profiling Criminal –Introdução à análise comportamental no contexto investigativo. 2 ed. Editora Letras e Conceitos Lda, 2014. 306p.

NEWTON, M. The Encyclopedia of Serial Killer. Second Edition. Ed. Checkmark Books, 2006.

PETHERICK, W.; FERGUSON,C. Criminal Profiling: Behavioural Consistency, the Homology Assumption and Case Linkage. In: Profiling, Vitimologia & Ciências Forenses. Lisboa: Pactor, 2012. P. 227 – 244.

SCHECHTER, H. Serial Killers – Anatomia do mal. Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2013. 480p

Autor

Especialista em Psicanálise, Saúde Mental e Criminal Profiling. Psicóloga.
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