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Monstruosidade ou piedade? O que dizer da mãe que encerrou a vida do filho doente?

Por Anderson Figueira da Roza

Embora minha coluna seja publicada normalmente às quintas-feiras, pedi à equipe do Canal Ciências Criminais para que fosse divulgado um artigo “extra”, que na verdade se trata de uma reflexão que quero trazer para os leitores.

No dia de hoje, tomei conhecimento de uma notícia publicada na Internet. Trata-se da história de uma mãe que injetou desinfetante em tubo de alimentação do seu filho de apenas 17 meses de idade. O bebê, além de portador da Síndrome de Down, possuía uma anomalia e buracos no coração. Leia a reportagem:

Mãe mata filho com Down ao injetar desinfetante em tubo de alimentação

Uma mulher se declarou culpada de matado seu filho, com síndrome de Down, com uma injeção de desinfetante em seu tubo de alimentação. Erika Wigstrom foi condenada a 40 anos de prisão depois que ela assumiu ter matado seu bebê Lucas Ruiz.

O bebê de 17 meses nasceu com síndrome de Down e uma anomalia que deixou seu coração com buracos. Lucas precisou fazer uma cirurgia e usava uma sonda para se alimentar.

A autópsia mostrou um alto teor de álcool no sangue da criança e, quando a polícia chamou a mãe para o interrogatório, ela confessou o crime. A acusada afirma que fez isso como um ato de misericórdia.

Segundo os promotores, a mãe já havia feito uma tentativa semelhante para tirar a vida do filho em 2012. Na ocasião, um perfume a base de álcool foi injetado no tubo de alimentação.

Num primeiro momento, temos a tendência de pensar num ato monstruoso da mãe que mata seu próprio filho e isso é intolerável. A sociedade não aceita tal conduta como algo normal. Porém, pelas informações disponibilizadas até o momento, o caso concreto referencia uma séria deficiência da criança, além de uma vida vegetativa com extremo sofrimento. Aparentemente desesperada com esse contexto, a mãe resolveu, por seu próprio juízo, aplicar esta espécie de eutanásia ao filho.

A vida real é muito diferente do ordenamento jurídico e aquilo que pode ser visto como bárbaro também pode ser encarado como um alívio. No caso, a justiça aplicou à mãe a pena de 40 anos de prisão. Afinal, monstruosidade ou piedade? O que dizer desta mãe que suprimiu a vida do próprio filho doente?

E você, leitor, na condição de pai ou mãe desta criança, como se sentiria?

AndersonFigueira

Autor

Mestrando em Ciências Criminais. Advogado.
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