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Inacreditável! Mulher acusada de participar de grupo neonazista é condenada por racismo 18 anos após o crime

Ela recebeu uma pena de um ano e três meses de prisão, em regime aberto, com monitoramento de tornozeleira eletrônica

Nesta quinta-feira (27), ocorreu o julgamento por racismo de Edwiges Francis Barroso, a última integrante de um grupo neonazista que cometeu diversos crimes em 2005, em Curitiba. Ela recebeu uma pena de um ano e três meses de prisão, a ser inicialmente cumprida em regime aberto, com monitoramento de tornozeleira eletrônica. Durante o julgamento, a Polícia Federal informou que a ré está no Reino Unido, o que levou a Justiça a determinar seu retorno ao país em até 5 dias.

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A defesa de Edwiges foi feita pelo defensor público Wisley Rodrigo dos Santos, um homem negro. No júri, Santos enfatizou que sua escalação para o caso não foi feita de forma proposital e que os casos são distribuídos entre os defensores apenas seguindo os números de identificação da ação penal. Santos afirmou: “O dela caiu comigo.

O fato de eu ser negro não tem nenhuma influência na análise deste processo.” Ao final do julgamento, a defensoria esclareceu em nota que o crime de racismo estava relacionado à tentativa de homicídio cometido por outras pessoas naquele ano, sendo este o motivo para o caso ser levado ao Tribunal do Júri.

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Fonte: G1 – Globo

A nota também mencionou que a defensoria atuou como fiscal do devido processo legal, considerando que a ré confessou o crime de racismo durante o depoimento à polícia na fase das investigações. A equipe da Defensoria recorreu ainda da exigência do uso de tornozeleira eletrônica, argumentando que o cumprimento da pena em regime aberto não é compatível com essa medida cautelar.

De acordo com denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), um grupo de oito pessoas espalhou adesivos racistas pelo Centro de Curitiba em 2005, contendo mensagens que atacavam homossexuais e faziam reverência a Adolf Hitler e ao nazismo. Além disso, três membros desse grupo foram acusados ​​de agredir e tentar matar um homem negro e um homossexual.

Edwiges foi acusada de crime de racismo e associação criminosa, tendo confessado o primeiro crime durante o inquérito

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Fonte: GZH

Em 2019, sete membros do grupo já haviam sido condenados. Edwiges também foi acusada de crime de racismo e associação criminosa, tendo confessado o primeiro crime durante o inquérito. Na época, a Polícia Civil apreendeu adesivos com conteúdo preconceituoso, fotos do grupo com uma bandeira nazista e um manual de conduta skinhead.

Além disso, foram encontrados CDs, DVDs e desenhos de Adolf Hitler com os acusados. Até o momento, Edwiges ainda não havia sido julgada devido a um adiamento provocado por uma liminar. Os outros sete acusados ​​de fazerem parte do grupo neonazista já haviam sido condenados em 2019. Segue abaixo a lista dos condenados e suas respectivas penas:

  • André Lipnharski – 8 anos, seis meses e 15 dias de reclusão por associação criminosa armada, racismo e lesão corporal gravíssima;
  • Fernanda Kelly Sens – 2 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão por associação criminosa armada, racismo e dispensa;
  • Drahomiro Michel Carvalho – 2 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão por associação criminosa armada, racismo e dispensa;
  • Bruno Paese Fadel – 1 ano, seis meses e 22 dias de reclusão por associação armada criminosa;
  • Estela Herman Heise – 1 ano, seis meses e 22 dias de reclusão por associação criminosa armada;
  • Raul Astutte Filho – 6 anos, seis meses e sete dias de reclusão por associação criminosa armada e lesão corporal gravíssima;
  • Anderson Marondes de Souza – 7 anos e dois meses de reclusão por lesão corporal gravíssima, associação criminosa armada, racismo e detecção.

Fonte: G1

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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