• 29 de setembro de 2020

Mulheres assassinas em série

 Mulheres assassinas em série

Mulheres assassinas em série

Frequentemente, escutamos que serial killers são homens, em sua maioria brancos e que trabalham dentro de uma “zona de conforto” (Innes, 2009). E realmente, a maioria deles tem esse perfil, temos muitos exemplos: Dahmer, Ted Bundy, Gacy, Henry Lee Lucas, kemper, Jerome Brudos, Andrei Chikatilo, entre vários outros.

Nos anos 90, ocorreram uma série de assassinatos de homens, e o resultado da investigação fora a prisão de Aileen Wuornos, que segundo os jornalistas da época, era a primeira serial killer mulher. Porém se investigarmos um pouco mais a fundo sobre a história dos crimes, com certeza percebe-se que ela não é a primeira.

O primeiro serial killer registrado não foi um homem e, sim, uma mulher. Identificada na história da antiga Roma era conhecida como Locusta, o Envenenadora. Locusta nasceu na década de 20 do século 1, mudou-se para Roma com o dinheiro que ganhou matando por encomenda na terra natal.

Logo que chegou, a assassina começou a ser procurada por pessoas em busca da solução de suas intrigas pessoais: esposas que não queriam mais seus maridos, políticos interessados no fim discreto de rivais, irmãos que eliminavam seus próprios familiares para poder herdar postos de poder ou dinheiro, etc.

Especula-se que que a envenenadora era capaz de criar tóxicos como arsênico, estricnina e cianeto. Não se sabe o número exato de vítimas, até porque ela era especialista precisamente em matar sem deixar vestígios.

Mulheres assassinas representam cerca de 10% dos serial killers ou de outras formas de matar (Newton,2006). O Modus Operandi da mulher, é tipicamente diferente dos homens, enquanto a maioria dos homens matam desconhecidos, elas matam pessoas próximas, como as “viúvas negras”, que matam os próprios maridos, e as enfermeiras ou médicas que matam seus pacientes.

Enquanto, 14% dos assassinatos dos homens envolvem dinheiro, 41% dos crimes femininos envolvem ganho financeiro. Ambos sexos compartilham a motivação de “misericórdia” ou de “herói (na) ”, assassinatos por vingança e são poucos os casos de sadismo (Newton, 2006).

Os tipos de atrocidade perpetradas por serial killer homens – envolvendo estupro, mutilações, esquartejamento – parece conter traços tipicamente masculinos. Mais especificamente, há indiscutíveis paralelos entre esse tipo de violência – fálico-agressiva, penetrativa, predadora e (…) indiscriminadora. (SCHECHTER, 2013)

Quando se tem assassinatos, que são cometidos numa configuração tipo casal, as mulheres matam junto com os homens, de forma voluntária, mas geralmente os homens são considerados os dominantes na relação. Esse pensamento, um tanto machista, fez com que muitas mulheres argumentassem que tinham a “síndrome da esposa espancada”, porém com o crescente número de assassinas, esse tipo de defesa vem perdendo força.

Temos outros exemplos de mulheres serial killers:

  • A Condessa do Sangue, Elizabeth Bathory era uma nobre húngara, que viveu do final do século XVI ao início do XVII. Ela acreditava que era ficaria rejuvenescida com o sangue de jovens mulheres, chegou a matar 650 meninas e mulheres em seu castelo.
  • Belle Gunnes é uma serial killer americana que matou seus pretendentes, maridos, todos seus filhos, suas duas filhas, em datas diferentes. Ao todo, é estimado que o número de vítimas tenha sido de 25 a 40.
  • Karla Homolka, é uma das piores mulheres assassinas. No começo dos anos 90, ela e seu marido, Paul Bernardo, foram responsáveis por sequestrar, estuprar e matar pelo menos três meninas. A primeira vítima foi sua própria irmã de 15 anos, Tammy Homolka. Karla se beneficiou com um acordo, testemunhando contra o marido, se colocando também como vítima. Após o acordo que a tirou da prisão, a polícia achou fitas da gravação dos crimes, e verificou-se que Karla era um tanto quanto participativa nas cenas.
  • Delfine LaLaurie, socialite de New Orleans torturou e matou seus escravos negros. Seus crimes foram descobertos ao acaso, quando sua mansão pegou fogo. Suas vítimas foram encontradas amarradas em seu sótão, com evidências de tratamento cruel e violento. A casa é ponto turístico hoje em dia, e sua história já foi retratada em séries de tv, como American Horror Story.

Nestes poucos casos apresentados, apresentamos mulheres que cometeram abusos sexuais e tortura de pessoas. Wuornos, prostituta, confessou quatro assassinatos dos sete em que foi acusada.

Antes destes crimes, já possuía uma longa ficha criminal, roubo, agressão física, embriaguez ao volante e porte ilegal de armas. Aileen disparava sua arma diversas vezes nos seus clientes/vítimas, dizia que só os matava quando sofria ameaças de morte, além disso, também roubava todos os pertences.

Apesar da pequena porcentagem de assassinatos por mulheres, criou-se a ideia de que estas matam de forma mais sutil, como o envenenamento ou ordenando outras pessoas a cometerem os crimes, não precisando colocar a “mão na massa”. Ou seja, sem violência física direta.

Segundo Schechter, as mulheres psicopatas não são menos depravadas que os homens. O que as diferenciam é que enquanto, nos homens, a agressão brutal é o que os excita, nelas existem uma “grotesca e sádica paródia de intimidade e amor”, pois com uma certa “ternura” ela conduz um amigo, um familiar ou dependente à morte.


REFERÊNCIAS

INNES, B. Perfil de Uma Mente Criminosa: Como o Perfil Psicológico Ajuda a Resolver Crimes da Vida Real. São Paulo: Editora Escala, 2009.

NEWTON, M. The Encyclopedia of Serial Killer. Second Edition. Ed. Checkmark Books, 2006.

SCHECHTER, H. Serial Killers – Anatomia do mal. Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2013.

Clarice Santoro

Especialista em Psicanálise, Saúde Mental e Criminal Profiling. Psicóloga.