• 26 de outubro de 2020

Não há dia fácil na Advocacia Criminal

 Não há dia fácil na Advocacia Criminal

Não há dia fácil na Advocacia Criminal

“O único dia fácil foi ontem” é uma frase comum no meio dos SEAL – um pelotão de elite da Marinha estadunidense – capaz de atuar em solo, ar e mar – composto por oficiais conhecidos por estarem sempre preparados para executar as missões mais complexas e que demandam o máximo de performance. O dia de hoje, bem como todos os que estão por vir, não serão fáceis. Não existem dias assim.

Mark Owen, pseudônimo de um ex-combatente dos SEALs, relata em seu livro “Não Há Dia Fácil” a partir da sua percepção, a preparação – física e mental -, a rotina e, inclusive, algumas missões de um soldado do mais alto nível das forças armadas estadunidense.

Dentre as missões relatadas pelo autor, figuram em destaque o resgate de Richard Phillips, então capitão do navio de carga MV Maersk Alabama sequestrado em 2009 por piratas somalis; bem como o cerco e execução em 2011 na cidade de Abbottabad, no Paquistão, do terrorista Osama Bin Laden, então líder da organização terrorista Al-Qaeda, responsável pelo atentado às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001.

O livro de Owen transmite diversas mensagens aos leitores. Uma delas, em que pese esteja implícita entre as mais de duzentas páginas, refere-se à perseverança e resiliência que devem estar impregnadas até os ossos de um SEAL. Não seria possível concluir a preparação, bem como resistir às missões extenuantes e não sucumbir à enorme carga emocional ínsita aos afazeres de um soldado de elite. Não há espaço para erros, não há tolerância para hesitações. Qualquer mínimo deslize pode significar a própria morte ou pior: a morte de verdadeiros irmãos de batalha.

Trazendo tal reflexão para o mundo cotidiano da advocacia criminal, entendo que os ensinamentos de Mark Owen são primordiais. Perseverança e resiliência são, acima de tantas outras coisas, o que mais necessita um Advogado Criminalista no exercício de seu ofício.

Reservadas as devidas proporções, a ofício judicante na seara criminal não tolera a omissão, hesitação e tampouco erros do profissional confiado a uma demanda judicial na defesa de seu cliente. Não há espaço para hesitar ao deparar-se com uma violação da norma processual penal ou das prerrogativas profissionais da Advocacia. O desconforto para com os demais operadores do direito provocado pelo combate não é comparável com a perpetuação de um ato irregular que, posteriormente culmine em prejuízo ao cidadão alvo da investigação criminal.

Sucumbir perante as críticas da mídia, de amigos, juízes, promotores, professores, outros advogados e até mesmo de familiares queridos, não é uma opção.

O Advogado Criminalista deve persistir no seu ofício, assim como um SEAL persiste em seu treinamento ou missão por dias a fio em que pese a dor, a frustração, a autossabotagem e as dificuldades de toda sorte se agigantem a cada instante.

O único dia fácil foi ontem, pois não voltará e o vencemos. Hoje não será fácil, nem amanhã.

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Gleydson Andrade