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O caso Neymar, a síndrome da mulher de Potifar e a alienação parental

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o caso Neymar

O caso Neymar, a síndrome da mulher de Potifar e a alienação parental

Nos últimos meses crescem as denúncias e notícias de graves crimes cometidos por homens contra as mulheres, seja no seio familiar, entre marido e mulher, entre namorados ou pessoas que tiveram relacionamentos curtos.

Casos de assassinatos por ciúmes, pela negação ao término de um relacionamento ou pelo sentimento de superioridade em relação às mulheres. Todos os dias dezenas e milhares de mulheres são assassinadas ou espancadas apenas por serem mulheres.

Esses crimes têm gerado uma grande mobilização nacional e mundial contra esse sentimento animalesco de superioridade e subordinação, que muitas vezes são levados às mídia e às redes sociais, se propagando tão rápido quanto podem através da internet, gerando comoção instantânea, levando milhares de mulheres às ruas todos os dias em busca de justiça e conscientização.

Entretanto, essa midiatização instantânea tem gerado, algumas vezes, em meio a tantos casos de violência, casos em que a as pessoas, que geralmente seriam vítimas, buscam, em decorrência dessa midiatização, vantagens sobre aqueles que geralmente seriam tidos como agressores, para obter uma vingança, em decorrência de alguma relação conturbada entre ambos, gerando assim, em um primeiro momento, uma comoção imediata da sociedade, para fins ilegais.

Crimes que são cometidos sempre de maneira silenciosa e clandestina, longe das vistas e dos ouvidos das pessoas, e em decorrência disso, faz com que a mera palavra da vítima seja suficiente para iniciar a investigação policial, o processo penal e embasar uma condenação criminal, além de não deixarem vestígios materiais que possam comprovar a prática delituosa.

A síndrome da mulher de Potifar

Potifar foi um personagem bíblico importante que tinha um escravo chamado José que cuidava de seus bens; certo dia, a mulher de Potifar viu-se atraída pelo escravo, querendo ter com ele relações sexuais, no que foi rejeitada por José.

Ao ser rejeitada, a mulher de Potifar, por vingança armou para o escravo. Quando este entrou em casa foi agarrado e teve suas vestes arrancadas pela mulher que começou a gritar alegando que o escravo José havia lhe estuprado. Quando Potifar chegou, sua mulher contou-lhe a mentira e ordenou que José fosse preso.

A Alienação Parental, distúrbio mental provocado pelo término de uma relação afetiva, de modo conturbado, acontece quando a mulher não aceita o fim do relacionamento e, apenas por vingança, acusa o ex-marido ou o amante de abusos contra os filhos menores, fazendo falsas denúncias de crimes para as autoridades, pondo os filhos contra o ex-marido, influenciando-os a falar mentiras inventadas pela mãe.

Figuras mais comuns do que se parece – com o advento da Lei nº 12.015/2009, que juntou a tipificação dos artigos 213 e 214 do Código Penal, as condutas de estupro e atentado violento ao pudor, a Síndrome da mulher de Potifar e a Alienação Parental ganharam força no nosso ordenamento jurídico, já que o crime de estupro passou a não exigir em todas as suas modalidades a conjunção carnal para se configurar, e na maioria dos casos, não deixam vestígios materiais para a comprovação da conduta.

Calúnia, denunciação caluniosa e o caso Neymar

Previstos nos artigos 138 e 339 do Código Penal, os crimes de calúnia e denunciação caluniosa, respectivamente, entram em cena quando casos como o de Neymar são expostos ao público.


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Isso tudo vem na contramão das mobilizações populares das mulheres contra o feminicídio, o machismo, os abusos dos homens, e contra a imposição da culpa contra a vítima, ferindo todo o esforço diário delas pela conscientização deles e da sociedade.

Talvez a grande luta seja pela quebra do paradigma no qual a mulher teria sido vítima daquele ato violento por sua culpa, diminuindo a culpa do agressor; casos assim rompem toda a lógica por trás desses movimentos, enfraquecendo a luta, pois a vítima, nesses casos, não é a vítima, e sim agressor, que agride com falsos testemunhos e com a humilhação social.

Síndrome da Mulher de Potifar e da alienação parental

A pergunta que fica é: como combater casos como o da Síndrome da Mulher de Potifar e da Alienação Parental, que enfraquecem a batalha social diária das mulheres por justiça e conscientização, talvez diminuir a midiatização desses casos? Muitos são trazidos à tona, apenas por causa da mídia e das redes sociais.

O julgamento, a condenação imediata e a busca social por vingança vêm crescendo de forma alarmante na sociedade moderna. As pessoas acreditam na primeira coisa que lhes vem aos olhos, não buscam saber qual é o outro lado da moeda; a demora na solução de casos como esse, a impunição e a insegurança jurídica vêm contribuindo de forma vital para o crescimento desses sentimentos, estamos vivendo tempos sombrios e perigosos.


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Autor
Advogado criminalista
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