• 30 de outubro de 2020

O livro ‘A Revolução dos Bichos’ frente as formas atemporais de governos

 O livro ‘A Revolução dos Bichos’ frente as formas atemporais de governos

O livro ‘A Revolução dos Bichos’ frente as formas atemporais de governos

Orwell, genialmente, satirizou e metaforizou a ditadura de Stalin nesse livro que é simplesmente atemporal. Tal conto distópico faz alusão à revolução Russa de 1917, onde o Czar Nicolau II foi deposto e um novo regime se instaurou, mas que pela ganância de Stalin, um dos que se rebelou contra o governo, acabou se tornando um período de violenta ditadura, como jamais vista.

Em suma, o livro conta a história do porco Major (personagem correspondente à Lenin, com ideias de Marx), que lança sobre a granja em que vivia uma ideia capaz de retirá-los da situação de escravidão, fome e maus tratos em que viviam desde sempre.

Com a morte do Major, os porcos Bola-de-neve (Trotsky) e Napoleão (Stalin) comandam uma revolução e libertam todos os bichos da triste realidade. Agora cheios de esperança, os bichos trabalham orgulhosos, pois, apesar do trabalho duro e racionamento de comida, trabalham para si. Sua liberdade foi restabelecida.

A revolução dos bichos e a revolução do Direito

A Revolução dos Bichos

A ganância de Napoleão (Stalin) o leva a expulsar Bola-de-neve (Trotsky) da granja, podendo assim liderar todos os bichos dentro de uma ditadura disfarçada de socialismo. Daí por diante, lentamente, está instaurado um regime mais perverso do que o anterior em que viviam, mas, ao contrario de antigamente, os bichos se permitiam viver nesse atual regime, sob esperança de uma liberdade e direitos que nunca chegaram. 

Saíram de um governo ruim para outro muito pior. Napoleão (Stalin) prometia que ia ensiná-los a ler e escrever, mas nem todos foram capazes de conseguir aprender, então os porcos ficaram como seres superiormente inteligentes e assim, puderam explorar os demais.

Ocorre que tal história, pode ser perfeitamente analisada sob a ótica de vários regimes de governos. Os humanos, retratados como os animais da granja, podem ser manipulados, mesmo sendo mais fortes, pela inconsciência de que estão sendo dominados, levados a acreditar em promessas de tempos graciosos, onde a fome, a violência e a miséria seriam apenas lembranças. Assim como na história, trabalhamos pensando que é para o nosso próprio bem, mas alimentamos inconscientemente aquilo que nos assola nem nos darmos conta.

Stalin, que era exilado do Czar, passou a agir como ele no momento em que conseguiu o poder, Stalin era o porco que não concordava com o tirano e que jamais ficaria sob “duas patas” como os humanos para não se igualar, mas que tomou atitudes iguais ou piores. Assim, não adianta líderes que colocam em si uma roupagem diferente de seus inimigos, mas agir igual a eles. 

 Os bichos não conseguem se desvencilhar de que a ideia inicial igualitária está em curso, por mais que suas vagas percepções os digam que existe algo errado, por sua confiança cega, conformismo, obediência exacerbada e sem nenhum senso crítico. Assim, cabem a nós, humanos, não sermos desprovidos do interesse de enxergar além das entrelinhas e perceber que somente com o senso crítico pode nos tirar da condição de “gado”.

Por fim, em um paralelo com a política atual, quanto mais isentos de pensamento critico, quanto mais incapazes de ir além do que nos é ensinado (ou desensinado), se não pudermos ir além da “letra D” como foi incapaz o pobre cavalo Sansão, melhor para aqueles que se fingem de porcos, mas que são tiranos.

Infelizmente, os que entendem um pouco mais, como o velho burro Benjamim, que percebe desde o começo os movimentos contrários à ideia original, não conseguem se rebelar sozinhos. Além do medo dos cães que protegiam Napoleão (Stalin), que na nossa realidade são a fome, miséria, desemprego, ausência de qualidade de vida, saúde e outros direitos que, por fim, não são entregues em sua totalidade para que continuem sendo a roupagem ilusória daqueles que se dizem salvadores da pátria.


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Geany Dantas