• 31 de outubro de 2020

O Sol é para todos

 O Sol é para todos

O Sol é para todos

O assassinato de George Floyd, cidadão afro-americano de 46 anos por um policial, foi filmado por testemunhas, postado nas redes sociais e desencadeou movimentos de protestos nos E.U.A. e ao redor do mundo. A princípio, os policiais envolvidos na truculenta abordagem que resultou em morte haviam sido apenas demitidos do serviço. Com a repercussão que o caso ganhou, o policial que atuou diretamente no assassinato de George foi preso.

Embora o racismo seja uma questão mundial, com peculiaridades em cada país, nos Estados Unidos ganha tons profundamente políticos. Desde a Guerra da Secessão entre os Confederados e o Norte, passando pela absurda legislação Jim Crow, a questão racial na chamada “América” tem características que a diferenciam de outros países.

Obra-prima de Harper Lee, “O sol é para todos” narra a estória do idealista advogado Atticus e sua família numa cidadezinha sulista. Ao aceitar defender Tom Robinson, um jovem negro acusado de estupro contra uma mulher branca, toda sua família sofre consequências na sociedade racista em que vivem. Lançado em 1960, virou filme em 1962.

Scout, a filha mais nova de Atticus, narra os fatos que marcaram sua infância. Mesmo antes do crime, Atticus e sua família já são considerados “diferentes” na conservadora cidadezinha. A mãe da garota morrera, deixando ela e o irmão Jem aos cuidados exclusivos de seu pai. Atticus é um homem sério, íntegro, apaixonado por livros, que cria seus filhos de uma maneira um tanto moderna demais para os atrasados padrões do interior norte-americano. Scout e seu irmão são tratados com muitos livros, diálogo e pouca severidade por seu pai. Scout é esperta, travessa e moleca, diferenciando-se das submissas garotinhas de seu tempo.

Maycomb era o retrato do atraso:

Maycomb era uma cidade velha, mas quando a conheci era uma cidade velha e cansada. Com o tempo chuvoso as ruas transformavam-se em lodo avermelhado; mato crescia nas calçadas e o velho tribunal vergava-se sobre a praça. Seja como for, naquela época o tempo era bem mais quente: qualquer cão preto penava num dia de Verão; perante o calor sufocante, as mulas escanzeladas aparelhadas às carroças modelo Hoover sacudiam as moscas à sombra dos carvalhos existentes na praça. Lá pelas nove da manhã os colarinhos bem engomados dos homens já perdiam a goma. As senhoras tomavam banho antes do meio-dia, depois da siesta das três e ao anoitecer eram como biscoitos de manteiga cobertos com gotículas de suor e pó de talco perfumado. Naqueles tempos as pessoas deslocavam-se lentamente. Perambulavam pela praça, ora entrando, ora saindo das lojas à sua volta, ocupando o tempo com quase tudo. O dia tinha vinte e quatro horas, mas parecia ser bem mais longo. Não havia pressa, porque não havia nenhum local para onde ir, nada para comprar e nenhum dinheiro com que comprar, nada para ver além dos limites de Maycomb County . Mas, para alguns, eram tempos de vago otimismo: isto porque alguém dissera recentemente que Maycomb County nada tinha a temer, exceto o próprio medo. (LEE, 1960, pg. 9).

Um homem intelectual como Atticus era uma peça fora do comum em Maycomb:

O nosso pai não fazia nada. Trabalhava num escritório, não numa drogaria. O Atticus não conduzia o caminhão do lixo do condado, não era xerife, não cultivava, não trabalhava numa garagem, nem fazia qualquer coisinha que suscitasse a admiração de alguém.

Além disso, usava óculos. Era praticamente cego do olho esquerdo, e dizia que os olhos esquerdos eram a maldição do clã dos Finch. Quando queria observar bem alguma coisa, virava a cabeça e olhava com o olho direito.

Normalmente, não fazia as coisas que os pais dos nossos colegas de escola faziam: nunca ia caçar, não jogava poker, não pescava, não bebia, nem fumava. Só sabia ficar sentado na sala de estar lendo. (Idem, pg. 53).

Quando o pai aceita o caso Robinson, Scout e seu irmão começam a sofrer provocações na escola:

A culpa foi toda do Cecil Jacobs. Tinha andado dizendo no recreio da escola que o paizinho da Scout Finch defendia os pretos. Eu neguei, mas depois até contei ao Jem.

(…)

Só que agora havia outra coisa que me incomodava.

— Todos os advogados defendem pre… negros, Atticus?

— Claro que sim, Scout.

— Então, por que é que o Cecil diz que você defende preto? É que ele deu a entender que faz alguma coisa fora do comum.

O Atticus suspirou:

— Neste momento estou defendendo um negro… chama-se Tom Robinson. Vive naquela pequena casa que fica além da lixeira da cidade. É membro da igreja da Calpurnia e a Cal conhece bem a família dele. Diz que são gente honesta. Scout, ainda não tem idade para compreender determinadas coisas, mas correm alguns rumores na cidade sobre este caso e dizem que eu não devia fazer muito para defender este homem. É um caso peculiar… só será julgado na audiência de Verão. O juiz John Taylor foi suficientemente simpático para nos conceder um adiamento…. (Idem, pg. 46).

Atticus tem consciência de que luta por uma causa perdida:

Scout, devido à natureza do seu trabalho, ao longo da sua vida um advogado tem sempre um caso que o afeta a nível pessoal. Penso que este é o meu. Com certeza vai ouvir algumas coisas desagradáveis na escola, mas me faça um grande favor: mantenha a cabeça levantada e os punhos em baixo. Não ligue pro que te digam e, sobretudo, não deixe que eles te irritem. Tenta, para variar, lutar com a cabeça… Verá que é uma boa solução, embora custe a aprender.

— Atticus, vai ganhar o caso?

— Não, querida.

— Então, mas porque…

— Porque fomos derrotados há cem anos, não significa que agora não possamos tentar ganhar — disse o Atticus. (Idem, pg. 46).

A segregação racial estava em toda parte. Um dia Calpurnia, a cozinheira de Atticus, leva as crianças brancas para sua igreja, frequentada apenas por negros. A presença das crianças causa estranhamento:

A Lula parou, mas disse:

— Pra quê que você traz criança branca para aqui? Elas tem sua igreja, a gente tem nossa. A igreja é nossa, né, Srta. Cal?

A Calpurnia respondeu:

— Deus é o mesmo para todos, não é?

Ao que o Jem disse: — Vamos voltar para casa Cal, eles não nos querem aqui… Eu concordei: era óbvio que eles não nos queriam ali. Sentia, mais do que via, que eles estavam cada vez mais junto de nós. (Idem, pg. 68).

O drama de Tom Robinson não se restringia a si: sua esposa não consegue arrumar trabalho e fica dependente de doações de sua igreja:

— Cal, eu sei que o Tom Robinson está na cadeia e que fez alguma coisa terrível, mas porque é que as pessoas não dão emprego à Helen? — perguntei.

No seu vestido azul-marinho e chapéu todo enfeitado, a Calpurnia caminhava entre mim e o Jem.

— É por causa do que as pessoas dizem sobre o que o Tom fez. — Respondeu.

— As pessoas não querem muito… não querem ter nada a ver com a família dele. — Afinal, o que que ele fez?

A Calpurnia soltou um breve suspiro. — O velho Sr. Bob Ewell acusou ele de violentar a filha dele e eles o prenderam e botaram-no na prisão… (Idem, pg. 70).

Na igreja, as crianças tem outro choque de realidade: não havia folhetos com os hinos de louvor porque quase nenhuma das pessoas “de cor” sabia ler.

Além do racismo, outros aspectos são abordados através de Scout: criada apenas por um pai profundamente intelectual, além da presença quase maternal da cozinheira negra Calpurnia, os outros parentes começam a exigir que a garota seja menos moleca e mais delicada, como convém a uma garota naquela conservadora sociedade:

— O Jem está crescendo a olhos vistos e você também — disse-me ela.

— Achamos que era bom para ti ter alguma influência feminina. Já não faltam muitos anos, Jean Louise, para começar a se interessar por roupas e rapazes…

A isto eu poderia ter dado várias respostas: a Cal é mulher, ainda faltavam mesmo muitos anos até eu começar a interessar por rapazes, nunca me interessaria por roupas… mas me mantive calada. (Idem, pg. 72).

Mesmo com a interferência de sua família, Atticus continua a manter sua forma progressista de educar seus filhos:

— O que é ‘violentar’? — perguntei eu.

O Atticus levantou os olhos do jornal. Estava na sua cadeira, junto à janela. À medida que íamos ficando mais crescidos, eu e o Jem achamos que era generoso da nossa parte conceder-lhe trinta minutos de paz após o jantar. Ele suspirou e disse que ‘violentar’ era ter conhecimento carnal com uma mulher através do uso da força e sem o seu consentimento. — Então, se é isso, porque que a Calpurnia mandou eu me calar quando lhe perguntei o que era?. (Idem, pg. 76).

À medida que a data do julgamento de Tom de aproxima, a pressão aumenta sobre Atticus:

De repente, bateram na porta da frente, o Jem abriu e disse que era o Sr. Heck Tate. — Bem, diga-lhe para entrar — disse Atticus.

— Já disse. Tem alguns homens no pátio e pedindo para vir aqui fora.

Em Maycomb só havia duas razões para que homens adultos ficassem no pátio da frente, morte ou política. Perguntei-me quem teria morrido. Eu e o Jem nos dirigimos para a porta da frente, mas o Atticus ordenou:

— Voltem para dentro de casa. (Idem, pg. 81).

Populares chegam a ir até a prisão ameaçar Tom Robinson, mas Atticus defende seu cliente.

Chega o dia do julgamento. Toda a cidade quer acompanhar o caso de perto. Scout e Jem também comparecem à ocasião. A primeira testemunha começa:

— Que noite foi essa, Sr. Tate?

— Foi na noite de 21 de Novembro. Estava saindo do escritório para ir para casa quando B… O Sr. Ewell entrou, muito exaltado, e disse pra eu ir depressa na casa dele, que um preto tinha violentado sua filha — disse o Sr. Tate.

— E foi?

— Claro. Entrei no carro e fui o mais depressa possível.

— E o que encontrou?

— Encontrei-a deitada no chão, no centro do quarto da frente, à direita de quem entra. Notava-se que tinha levado bastante pancada, mas levantei-a do chão e ela lavou a cara num balde que estava no canto e depois disse que já estava bem. Perguntei quem lhe tinha feito aquilo e ela respondeu que tinha sido o Tom Robinson…

O Juiz Taylor, que estava contemplando as suas unhas, levantou os olhos como se estivesse à espera de uma objeção, mas o Atticus não disse nada.

— …perguntei-lhe se tinha sido ele que lhe tinha batido e ela respondeu que sim. Perguntei-lhe se ele tinha abusado dela e ela respondeu que sim. Por isso, fui até à casa do Robinson e prendi ele. Ela identificou-o como tendo sido ele e eu prendi-o. E foi assim. (idem, pg. 92).

Interrogando a testemunha, Atticus deixa claro que nenhum médico examinou a moça. Não havia nenhuma prova física da violência sofrida, apenas a palavra da testemunha:

 — Chamou um médico, Xerife? Alguém chamou um médico? — perguntou o Atticus.

 — Não, senhor — respondeu o Sr. Tate.

— Não chamaram um médico?

— Não, senhor — repetiu o Sr. Tate.

— E porque não? — a voz do Atticus subiu de tom.

 — Bem, posso lhe dizer por que é que não chamamos. Não foi necessário, Sr. Finch. Ela tinha apanhado uma sova daquelas. Era óbvio que alguma coisa tinha acontecido.

— Mas não chamou um médico? Enquanto esteve lá, alguém mandou chamar, foi buscar ou a levou a algum médico?

 — Não, senhor…

O Juiz Taylor interrompeu.

 — Ele já respondeu a esta pergunta três vezes, Atticus. Está claro que ele não chamou um médico. (Idem, pg. 92).

A próxima testemunha é o pai da vítima, um homem profundamente grosseiro e ignorante:

Mais outro olhar silenciou o Sr. Ewell.

— Sim? Ela estava gritando? — perguntou o Sr. Gilmer.

Confuso, o Sr. Ewell olhou para o juiz.

— Bem, a Mayella tava armando um chinfrim do diacho pra isso pousei o fardo e corri o mais que podia, mas aí esbarrei na vedação e ó despois quando me desprendi corri prá janela e vi… — a cara do Sr. Ewell começou a corar. Levantou-se e apontou o dedo a Tom Robinson. — Vi aquele preto d’uma figa lá montando na minha Mayella! (Idem, pg. 95).

Conforme o interrogatório avança, além da falta de provas contra Tom, começa a ficar subentendido que o pai agredia a moça. Atticus conduz o interrogatório de forma a levantar essa hipótese:

Eu não pensava assim: parecia que o Atticus estava tentando mostrar que o Sr. Ewell podia ter batido em Mayella. Isso eu consegui perceber. Se o seu olho direito estava negro e ela tinha sido agredida principalmente do lado direito da cara, então poderia bem demonstrar que tinha sido uma pessoa canhota que tinha lhe batido. Sherlock Holmes e Jem Finch iriam concordar certamente.” (Idem, pg. 97).

A vítima, Mayella, era uma moça de 19 anos, branca, sem estudo. A moça sustenta a estória do estupro. Atticus conduz o interrogatório com segurança e certeza da inocência de seu cliente, pois Tom tinha um dos braços defeituoso, tornando a estória de que havia espancado e estuprado a moça mais difícil de se sustentar:

Levante-se, Tom. Deixe que a Srta. Mayella olhe bem para si… É este o homem, Srta. Mayella?

Os ombros poderosos do Tom Robinson sobressaíam por baixo de uma camisa fina. Levantou-se e manteve a mão direita apoiada nas costas da cadeira. Parecia estranhamente desequilibrado, mas não era por estar de pé. O braço esquerdo era mais curto do que o direito aí uns bons trinta centímetros e pendia inerte ao lado do corpo. O braço terminava numa mãozinha encarquilhada e desfigurada e lá de cima, do meu lugar, via claramente que estava inutilizada.

— Scout — sussurrou o Jem. — Scout, olha! Reverendo, ele é aleijado!

O Reverendo Sykes se debruçou sobre mim e sussurrou para o Jem:

— Ficou com o braço preso numa descaroçadeira de algodão, ficou com ele preso na máquina do Sr. Dolphus Raymond quando era ainda um rapaz… esvaiu-se quase até à morte… lhe esmagou todos os músculos até aos ossos… (Idem, pg. 102).

Tom, o acusado, conta sua estória. Diz que sempre frequentava a casa dos Ewell fazendo pequenos serviços. Afirma que não cometeu a violência contra a moça, e fugiu porque o pai dela estava observando os dois na janela.

Atticus encerra sua defesa:

O Atticus parou e tirou o lenço do bolso. Aproveitou para tirar os óculos, limpou-os e assistimos a mais uma ‘estreia’: nunca o tínhamos visto transpirar… era um daqueles homens cujo rosto nunca exalava uma gota de suor, mas agora até a sua tez morena reluzia.

— Antes de terminar, só mais uma coisa, meus senhores. Certo dia, Thomas Jefferson disse que todos os homens são criados iguais. Esta é uma frase que os ianques e os altos executivos de Washington gostam de nos empurrar. Neste ano da graça de 1935, certas pessoas têm a tendência para usar esta frase fora do contexto de forma a satisfazer os seus propósitos pessoais. O exemplo mais ridículo de que me lembro é o fato de os grandes arautos do ensino público promoverem os estúpidos e ociosos juntamente com os mais capazes e trabalhadores… E porque todos os homens são criados iguais, depois estes pedagogos vos dirão com seriedade que as crianças que ficam para trás sofrem de graves complexos de inferioridade. Ao contrário do que algumas pessoas nos querem fazer acreditar, nós sabemos que os homens não são criados iguais… uns são mais espertos do que outros, há pessoas que têm mais oportunidades porque nasceram com elas, alguns homens ganham mais dinheiro do que outros, algumas senhoras fazem bolos melhores do que outras… algumas pessoas nascem mais dotadas do que a maioria das restantes. (Idem, pg. 112).

Tom foi condenado pelo Júri. Jem e Scout ficam arrasados, tanto por Tom quanto pelo pai. Atticus entra com um recurso; Tom pode ir para a cadeira elétrica:

O Atticus pousou o jornal ao lado da sua cadeira. Depois disse que não tinha nada contra as penas previstas para o crime de violação, mas tinha sérias reservas quando a acusação pedia, ou o júri condenava, a pena de morte mediante provas meramente circunstanciais. Em seguida olhou para mim, viu que eu estava ouvindo e traduziu tudo em detalhes.

— O que eu quero dizer é que, antes de um homem ser condenado à pena de morte, deveria haver uma ou duas testemunhas oculares. Existir alguém que possa dizer ‘Eu estava lá e o vi apertar o gatilho’.

— Mas houve… houve muita gente enforcada só com base em provas circunstanciais — retorquiu o Jem.

— Eu sei e, provavelmente, muitos merecidamente… mas na falta de testemunhas oculares a dúvida persiste sempre, às vezes apenas a sombra de uma dúvida. A lei fala de ‘dúvida razoável’, mas acho que o réu tem o direito à sombra de uma dúvida. Há sempre a possibilidade, por muito improvável que seja, de ele estar inocente.

— Então fica tudo nas mãos do júri. Talvez devíamos era nos livrar dos jurados — teimava o Jem.

O Atticus tentou disfarçar o sorriso, mas não conseguiu.

— Está sendo duro demais conosco, filho. Talvez haja uma forma melhor. Mudar a lei. Mudá-la para que só os juízes possam fixar as penas em casos de crime capital.” (Idem, pg. 120).

— Isso não faz com que seja justo — afirmou o Jem, com firmeza. Bateu devagar com o punho sobre o joelho.

— Não se pode condenar um homem com provas destas… não se pode.

— Não se pode, mas eles puderam e fizeram. Quanto mais velho for, melhor verá tudo isto. O único local onde um homem deve ser tratado de forma justa é dentro de um tribunal, seja ele de que cor for, mas os homens acabam sempre por levar os seus ressentimentos para as cadeiras do júri. À medida que for crescendo, e durante todos os dias da tua vida, verá sempre homens brancos enganando homens negros, mas deixe eu te dizer uma coisa que nunca mais vai se esquecer… sempre que um homem branco fizer algo a um homem negro, independentemente da sua natureza, posição, riqueza ou linhagem familiar, esse homem branco nada mais é senão lixo.” (Idem, pg. 120).

A estória termina do jeito mais triste: desolado com a condenação, Tom tenta fugir da cadeia e é morto a tiros.


REFERÊNCIAS

LEE, Harper. O sol é para todos. Título original: To kill a mockingbird, 1960.


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Maria Carolina de Jesus Ramos

Especialista em Ciências Penais. Advogada.