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OAB/PR considera inaceitável conduta de advogado que “enforcou” colega em Júri

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A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Paraná (OAB/PR) emitiu uma nota oficial na última terça-feira (11/05), lamentando a conduta de um advogado que reconstituiu uma das cenas do crime de feminicídio durante uma sessão do Tribunal do Júri e “enforcou” colega.

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Advogado “enforcou” colega

Na ocasião, o advogado colocou as mãos no pescoço de sua colega, como se estivesse a enforcando, e começou a chacoalhá-la. Desse modo, a seccional do PR afirmou ser inaceitável a utilização do corpo feminino para a reprodução de atos de violência”.

O defensor representava Luis Felipe Manvailer, condenado por homicídio qualificado contra a advogada Tatiane Spitzner, sua ex-esposa. Luis foi sentenciado a 31 anos de prisão.

Sendo assim, a diretoria da seccional ressaltou que o exercício da advocacia não pode ser usado de modo a incentivar ou propagar a violência, sob nenhum pretexto, destacando que a conduta do advogado será analisada pelo setor ético disciplinar da instituição e que, após garantida a ampla defesa, as medidas cabíveis serão adotadas.

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A instituição ainda recomendou uma consideração sobre a atuação dos defensores em plenário e seus limites, para que não ocorram exageros que comprometam a dignidade profissional e a própria essencialidade do Tribunal do Júri, como forma de participação popular no julgamento dos crimes contra a vida”.

Leia a nota na íntegra:

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A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná, por sua diretoria, vem a público manifestar-se sobre o Júri da morte da advogada Tatiane Spitzner, destacando que a decisão do plenário reconhecendo a prática de feminicídio deve servir de reflexão a toda a sociedade, sobre a necessidade de combater e eliminar toda e qualquer violência de gênero, especialmente a violência contra as mulheres, cabendo aos órgãos públicos, aos poderes constituídos e às instituições a promoção de ações educativas, preventivas e repressivas desses atos, porquanto a vida em sociedade deve ocorrer dentro os padrões da igualdade, do respeito e da dignidade.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná reitera que no Tribunal do Júri a ampla defesa deve ser assegurada, e que o papel dos advogados não se confunde com a figura do acusado, impondo-se à advocacia a atuação consentânea à sua honra, à nobreza e à dignidade da profissão, zelando pelo seu caráter de essencialidade e indispensabilidade, observando nas suas relações com os colegas de profissão, agentes políticos, autoridades, servidores públicos e terceiros em geral, o dever de urbanidade, tratando a todos com respeito e consideração, ao mesmo tempo em que preservará seus direitos e prerrogativas, empregando sempre a boa técnica jurídica.

O processo e as estruturas do Sistema de Justiça, incluindo a atuação da advocacia, não podem ser usados, sob nenhum pretexto, para propagar a violência que deveriam enfrentar e combater, sendo inaceitável a utilização do corpo feminino para a reprodução de atos de violência. Recomenda-se, assim, a reflexão sobre os limites da atuação em plenário, para que não ocorram exageros que comprometam a dignidade profissional e a própria essencialidade do Tribunal do Júri, como forma de participação popular no julgamento dos crimes contra a vida. Caberá ao setor ético disciplinar da instituição analisar as condutas verificadas, e após exercitada a ampla defesa, adotar as providências que se mostrem cabíveis.

Por fim, a OAB-PR reitera que no Júri ocorrido na comarca de Guarapuava, atuou por seu setor de prerrogativas, desde o início até seu final, acompanhando no plenário todos os atos, preservando o livre e pleno exercício da advocacia, tanto pela defesa como pela assistência de acusação, porquanto a indispensabilidade dos advogados na promoção da Justiça deve ser efetivada com o amplo respeito de suas prerrogativas profissionais.

Diretoria da OAB-PR

*Esta notícia não reflete, necessariamente, o posicionamento do Canal Ciências Criminais

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