• 28 de setembro de 2020

Drauzio Varella: “Para quem acha que errei, desculpa, mas esse é o meu jeito”

 Drauzio Varella: “Para quem acha que errei, desculpa, mas esse é o meu jeito”

“Para quem acha que errei, desculpa, mas esse é o meu jeito”

Inicialmente, é de extrema importância termos o conhecimento do significado de empatia e espírito humanitário. De acordo com o dicionário empatia significa “ação de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias”. Já espírito humanitário diz respeito “aquele que busca promover o bem-estar dos indivíduos, da humanidade, buscando incentivar reformas sociais”. 

Os termos acima traduzem, sem sombra de dúvida, realmente quem é a pessoa de Drauzio Varella. 

Drauzio Varella no momento em que escolheu ser médico e cuidar da saúde dos condenados de forma voluntária tinha ciência que atenderia pessoas que teriam praticado tanto delitos leves quanto hediondos. Ninguém o forçou realizar tal trabalho, mas ele decidiu fazer e, sinceramente, não há nada de errado em sua escolha, pois ele continua cumprindo com o juramento em que fez quando se tornou médico, até porque a medicina não impõe quem deve ou não receber atendimento médico. 

Na reportagem transmitida pelo Fantástico em 1º de março de 2020 sobre a realidade das mulheres trans presas que cumprem penas pelos crimes cometidos em meio aos detidos homens, causou relevante discussão pelo fato de Drauzio Varella dar um abraço em uma detenta, sendo que no primeiro momento causou muita comoção aos internautas até a descoberta de que ela estaria encarcerada em razão de ter praticado um crime hediondo. 

É de suma importância entendermos que o fato de Drauzio Varella abraçar uma detenta em cumprimento de pena por ter praticado um crime hediondo não o torna menos humano, mas ao contrário, pois ele demonstrou a sociedade o seu espirito humanitário e sua empatia pelo próximo em decorrência de escolher prestar esse serviço voluntário, ou seja, olhar para quem normalmente não é olhado.

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A realidade por trás de Susy

O delito praticado por SUZY realmente é assustador e causa indignação para qualquer pessoa, inclusive para mim, no entanto, como diz Drauzio Varella “sou médico e não juiz”. É necessário a compreensão de que SUZY já foi processada e julgada pelo crime praticado e já está cumprindo pena há alguns anos, ou seja, em nenhum momento ocorreu a impunidade. A pessoa que deveria julgá-la, qual seja, o juiz de direito, já fez isso e a puniu pela sua conduta criminosa. 

Portanto, se eu ou você temos coragem de abraçar SUZY como Drauzio Varella fez, isso cabe a nós decidirmos e JAMAIS julgar quem decidiu fazer. Temos que entender que olhar com empatia para determinada pessoa não anula fazer o mesmo para os demais, isto é, olhar para SUZY não anula a possibilidade de olharmos para a família da vítima também, pois empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras, independente de quem seja, tão verdade que Drauzio Varella pediu desculpas para a família da vítima em rede nacional pelo ocorrido, pois, segundo ele, não possuía conhecimento de qual delito SUSY teria praticado. 

Se você jamais abraçaria uma detenta como Drauzio Varella o fez, está tudo certo, cada um escolhe quem abraçar, mas ao invés de julgar uma pessoa que está fazendo o bem para alguém, muito embora você entenda que tal pessoa sequer merecia receber o bem pela conduta que praticou anteriormente, ajude quem você acha que merece ser ajudado, pois julgar o outro não trará benefícios para ninguém, mas caso o espírito humanitário e a empatia também esteja dentro de você, nem que seja somente para determinadas pessoas, corre fazer o bem e abrace quem você acha que merece ser abraçado, uma criança em um orfanato, um idoso abandonado em um asilo ou talvez pacientes que precisam de você em um hospital de câncer. 

Para quem acha que errei, desculpa, mas esse é o meu jeito. (Drauzio Varella)


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Renata Simonetto Gonçalves

Advogada criminal. Especialista em Ciências Penais pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR. Membro do Núcleo de Estudos Avançados em Ciências Criminais - NEACCRIM.