ArtigosCriminologia Penitenciária

PCC: Terceira Geração (Parte 9)

pcc

PCC: Terceira Geração (Parte 9)

O PCC não é só a maior organização do País, mas a maior da América do Sul, em termos numéricos e de movimentação financeira, até porque os cartéis colombianos se esfacelaram. O PCC é hoje um problema internacional. Ele é uma grande preocupação para a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), do Paraguai. Já existe um monte de paraguaios integrando o PCC. Assim como na Bolívia. O PCC não tem fronteiras e conta com a ineficiência do Estado brasileiro. (Lincoln Gakiya, promotor de Justiça) (Fonte: Estadão)

Ab ovo, recomendo que o leitor leia as outras partes do artigopara que assim possa entender com mais facilidade o documento, parte por parte, e assim escolher por qual(is) ciência(s) (inter, trans e/ou multi) disciplinar(es) o pesquisador o quer analisar por completo.

O artigo nos informa que o Partido não aceita que aquele que já foi uma vez irmão (como os presos se referem aos membros do Partido) saia do PCC e venha a ingressar em outra facção (mesmo que a mesma não necessariamente seja inimiga deles) e, caso isso ocorra, o mesmo “terá sua cabeça a prêmio”. Mesma regra quanto à morte se “caguetar” (alcaguete) (entregar) (ser língua preta).

Verificamos que a organização criminosa se refere aos seus membros como família (entendo o porquê dos mesmos serem tratados por irmãos). O tratamento utilizado como família e irmão nos demonstra o grau de vínculo entre os membros, lembrando que há um aviso quanto a “mexerem” com a família e a pena será o extermínio da família de quem mexeu.

Vemos, assim, que não há necessidade de exterminar (matar) algum membro, pois o artigo nos informa que o verbo utilizado é mexer, diferentemente de exterminar. Há informação de que não há obrigação de permanecer no Comando (PCC), mas como uma pessoa que “vive do crime”, por exemplo, poderá traficar drogas e etc., em um território que está sob o domínio da Sintonia da Quebrada?

Óbvio que qualquer crime que seja praticado em território do PCC o Sintonia daquele local informará ao seu superior (Sintonia superior àquela que ele pertence) que há um ex-membro que está “trabalhando” no território de sua competência, muitas vezes prejudicando os negócios de outros irmãos que trabalham ali (chamando a atenção de policiais e/ou traficando drogas onde “naquela quebrada” já há um traficante que é membro do PCC, que consequentemente tem que “pagar a cara”– taxa que o PCC cobra para permitir que membros possam “negociar” em seus territórios).  

Este é o último artigo do Terceiro Estatuto do Brima (como também é conhecido o PCC). Entendo ser contraditório, tendo em vista que o mesmo determina que todos têm de agir com serenidade com fatos relacionados a opressões, assassinatos e covardias praticados pelo Estado. Nos casos de covardia, ou extermínio estiver ocorrendo, seja na rua (quebrada do PCC) ou nas cadeias, o fato será tratado na mesma proporção.

Ao final do artigo, o artigo nos lembra que vida se paga com vida e sangue se paga com sangue. Mas qual seria a serenidade (atributo de quem é calmo, equilibrado, manso, tranquilo e etc.) para aqueles que tem por missão tirar a vida de outras pessoas?

Dou por encerrado a análise do Terceiro Estatuto do PCC. Estaremos dando continuidade ao estudo dessa geração, tendo em vista que há fatos ainda não foram abordados, assim como há outros diversos documentos a serem analisados. Apenas dei o “ponta pé inicial” da análise da geração pela ótica do mandamento maior da geração atual.

Autor

Diorgeres de Assis Victorio

Agente Penitenciário. Penitenciarista. Pesquisador
Continue lendo
ArtigosDireito Penal

Menoridade no crime

ArtigosCriminal Profiling

Criminal Profiling e análise de indícios

ArtigosProcesso Penal

O que é, afinal, um processo inquisitório?

ArtigosCrime, Arte e Literatura

Direito Penal e Literatura: O Estrangeiro, de Albert Camus

Receba novidades em seu e-mail