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O perfil de Richard Trenton Chase

Richard Trenton Chase

O perfil de Richard Trenton Chase

Era 1978, em Sacramento, nos Estados Unidos, quando uma mulher grávida foi encontrada morta de forma brutal por seu marido. Teresa Wallin estava levando o lixo pra fora de casa quando um homem entrou pela porta destrancada, atirou nela três vezes a matando, depois a mutilou e bebeu seu sangue, cometendo outras atrocidades no processo.

Observando a cena do crime, a polícia resolve entrar em contato com o FBI, que informa Robert Ressler, um dos precursores do FBI a desenvolver técnicas e instrumentos para elaborar perfis criminais nos Estados Unidos. Com o máximo de informações que consegue, ele cria um perfil preliminar do assassino que dizia o seguinte:

Homem branco, entre os 25 e 27 anos; magro, aparência subnutrida. A moradia deve ser extremamente suja e desarrumada, e as provas do crime podem ser encontradas ali. Histórico de doença mental, envolvimento com drogas. É um sujeito solitário que não se relaciona nem com homens nem com mulheres, e provavelmente passa muito tempo na sua própria casa, onde mora sozinho. Desempregado. Possivelmente recebe algum tipo de seguro por deficiência. Caso resida com alguém, seria com os seus pais, mas isso é improvável. Não tem registro no exército; abandonou a escola ou a universidade. Provavelmente vem sofrendo de uma ou mais forma de paranoia ou psicose.

Inicialmente, esse perfil parece muito detalhista e até premonitório para os dados que a polícia tinha naquele momento, mas, com o conhecimento do Criminal Profiling a partir de padrões comportamentais, é possível concluir diversas características do criminoso de forma aproximada.

Para demonstrar, algumas características podem auxiliar no processo mental de Ressler para a criação de seu perfil. Por exemplo, Chase mostrava ser desorganizado quando atuava, pois usou itens do local do crime e os deixou lá, a violência foi súbita, houve ato sexual post-mortem, a cena do crime reflete despreparo e descuido e o corpo foi abandonado no local do ato.

Esses dados são normalmente efetuados por alguém socialmente inadequado, solitário, com histórico de doença mental, provavelmente psicótico. Esses são somente alguns dos exemplos de como explicar os fatos descritos por Ressler para compreender como o perfil criminal é elaborado.

Dias após o crime, três pessoas são encontradas mortas em uma casa próxima ao crime anterior. Dessa vez morreram uma mulher, um homem e uma criança de seis anos. Novamente a mulher tinha sido brutalmente mutilada e violentada, e, dessa vez, seu sobrinho de 22 meses havia sumido e depois encontrado morto.

Com a sucessão de crimes violentos e mais dados da cena de crime, Ressler acrescentou informações como “vive sozinho em um local a não mais do que um quilômetro de distância ou quilômetro e meio de onde abandonou o carro roubado” e que “antes do homem ter assassinado, tinha provavelmente cometido crimes sexuais de fetichismo na área”.

A proximidade entre os crimes e o ato sexual ligado ao crime possibilitou que as informações sobre o assassino fossem incrementadas. Quanto mais se sabe sobre o caso, melhor, e por isso que crimes em série e violentos são os mais utilizados no Criminal Profiling, ajudando no entendimento do modus operandi e da sua zona de conforto.

Além disso, os crimes em série são mais fáceis de analisar, pois possuem padrões nas cenas dos crimes e a cada crime são colhidas mais informações sobre o assassino, como, onde e com quem ele vive, que tipo de emprego, idade, sexo e orientação sexual.

Com o auxílio dessas informações, a polícia passou a ficar no encalço do possível assassino nas proximidades de onde os crimes forem cometidos. Com o testemunho de uma mulher, chegam até Richard Trenton Chase. Após uma campana próximo a sua casa a polícia o prende com uma pistola e a carteiras de uma das vítimas.


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  • Richard Trenton Chase, o vampiro de Sacramento (aqui)

Com a descoberta de que Richard Trenton Chase era o Vampiro de Sacramento, ficou ainda mais claro que o perfil de Robert Ressler fora muito preciso. Chase possuída comportamento psicótico desde cedo, usava drogas, seu apartamento, onde morava sozinho, ela extremamente desorganizado com provas dos crimes e sua picape estava em péssimas condições.

Nascido em 1950 e com histórico de crueldade com animais na infância, Chase foi a júri e condenado à pena de morte em câmara de gás em 1979 pelo assassinato das seis vítimas, mas acabou cometendo suicídio em sua cela em 1980.

Nesse caso, o perfil criminal foi um instrumento de investigação suficiente para que a polícia escolhesse a forma de agir, onde e o que procurar para pegar o assassino. Assim, o profiler não pega o assassino, mas usa seu conhecimento para ajudar a descobrir quem é o assassino e isso pode ser crucial, principalmente quando os crimes possuem poucas evidências favorecendo que as investigações fiquem estagnadas.


REFERÊNCIAS

INNES, Brian. Perfil de uma mente criminosa: a psicologia solucionando crimes na vida real. São Paulo: Editora Escala, 2009.

MONTALDO, Charles. Profile of Serial Killer, Cannibal and Necrophilliac Richard Chase. Disponível aqui.

SIMAS, Tânia Konvalina. Profiling Criminal. Introdução à Análise Comportamental no Contexto Investigativo. Lisboa: Rei dos Livros, 2012.

Autor

Verônyca Veras

Especialista em Criminal Profiling. Advogada.
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