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Perito envolvido no Caso Beatriz é suspeito de receber R$ 1,5 milhão para adulterar laudo

A juíza Elane Brandão Ribeiro, encarregada do caso do assassinato da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, requisitou à Polícia Civil informações para investigar a possibilidade de um perito criminal ter recebido suborno para adulterar um laudo em favor da escola particular onde ocorreu o crime. Beatriz foi brutalmente assassinada com 47 fachadas na quadra de uma escola em Petrolina, Pernambuco, em dezembro de 2015, durante uma cerimônia de formatura do terceiro ano – sua irmã era uma das formandas.

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A juíza baseou seu pedido em um relatório da Polícia Federal referente à operação Metástase, que, embora não estivesse relacionado ao caso de Beatriz, forneceu informações que foram repassadas ao Fórum de Petrolina. De acordo com o relatório da PF, Gilmário teria recebido um montante de R$ 1.500.000,00 (um milhão e meio de reais) para falsificar uma das perícias do caso de Beatriz, comprometendo a instituição de ensino onde o crime ocorreu. Essa informação foi revelada pela delegada da Polícia Civil, Poliana Nery, que atualmente está na Delegacia de Pesqueira”.

No despacho publicado nesta terça-feira (20), a juíza solicitou à chefia da Polícia Civil que apresentou, em até 10 dias, informações sobre a existência de qualquer procedimento disciplinar ou inquisitorial em andamento para investigar o possível recebimento de propina pelo perito Gilmário dos Anjos com o intuito de falsificar um laudo pericial.

Além disso, a delegacia foi solicitada a fornecer informações sobre o conteúdo do relatório da Polícia Federal. Caso exista um procedimento em andamento contra o perito criminal, uma cópia deve ser enviada ao tribunal. A delegada da Polícia Civil, em uma ligação telefônica à coluna de Segurança do site JC, afirmou que não possui conhecimento sobre essa investigação. Ela reiterou que deixou o inquérito do Caso Beatriz em março de 2020.

O perito criminal também foi contatado pelo site e refutou as acusações. Ele declarou: “Não estou aguardando nenhum processo disciplinar e não sou um suspeito em inquéritos estaduais ou federais. Em relação ao despacho emitido pela juíza, espero que, ao termo do prazo estabelecido, todas as diligências sejam concluídas e esse incidente seja esclarecido.” O Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, local onde ocorreu o crime, foi procurado, porém não emitiu nenhum comunicado sobre o caso.

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Fonte: G1 – Globo

O perito criminal Diego Leonel Costa foi demitido pelo governo de Pernambuco em dezembro de 2021, após uma investigação conduzida pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) confirmar que ele possuía participação acionária em uma empresa de segurança contratada pelo colégio onde Beatriz foi assassinada. É proibido para os agentes de segurança pública exercerem atividades de prestação de serviços privados. Ele foi um dos peritos encarregados de produzir o laudo sobre o crime, o que gerou questionamentos sobre a integridade e imparcialidade das questões, destacou a SDS naquela época.

No dia 15 de dezembro do ano passado, as audiências de instrução e julgamento do caso de Beatriz foram concluídas

A juíza está aguardando novas informações solicitadas antes de tomar decisões sobre os próximos passos do processo. Espera-se que o réu confessado, Marcelo da Silva, seja levado a julgamento popular pelo assassinato de Beatriz. No dia 15 de dezembro do ano passado, as audiências de instrução e julgamento do caso de Beatriz foram concluídas. Durante esse período, o réu foi interrogado, mas optou por permanecer em silêncio. As alegações finais tanto da defesa quanto da acusação já foram apresentadas ao sistema judicial.

Em janeiro de 2022, Marcelo da Silva foi identificado por meio de um cruzamento de DNA com as amostras coletadas da faca utilizadas no crime. Posteriormente, a polícia foi até o presídio onde Marcelo estava, localizado no Agreste do Estado, e ele confessou o homicídio. Ele está sendo acusado de homicídio triplamente qualificado, com base nos seguintes critérios: motivo torpe, uso de meios cruéis e dissimulação, além de ter dificultado a defesa da vítima.

Durante um depoimento à polícia em janeiro de 2022, Marcelo revelou que entrou na escola com o objetivo de ganhar dinheiro. Beatriz havia saído da quadra para beber água, quando o ouviu e começou a gritar. Ele a levou para uma área mais afastada, onde cometeu o crime. Segundo suas declarações, o motivo foi fazê-la parar de gritar. O assassino foi descoberto duas semanas após os pais de Beatriz percorrerem 23 dias a pé, de Petrolina até Recife, para exigir justiça. Essa caminhada recebeu ampla cobertura nacional e evidenciou a demora na resolução desse crime.

Fonte: PRIMEIRO Jornal

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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