• 4 de dezembro de 2020

Entenda quem são os personagens no julgamento do caso Bernardo

 Entenda quem são os personagens no julgamento do caso Bernardo

Entenda quem são os personagens no julgamento do caso Bernardo

Começa nesta segunda-feira (11) o júri dos quatro réus acusados de matar Bernardo Uglione Boldrini: Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. O julgamento, que já está mobilizando a comunidade e autoridades de Três Passos (RS), deve durar ao menos uma semana.

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Os acusados no julgamento do caso Bernardo

Serão julgados, a partir de amanhã (11), os crimes de homicídio quadruplamente qualificado (Leandro e Graciele), triplamente qualificado (Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz), além de ocultação de cadáver (os quatro réus) e falsidade ideológica (somente Leandro Boldrini).

Conheça mais detalhes dos personagens no julgamento do caso Bernardo, bem como os crimes imputados:

1. Leandro Boldrini

julgamento do caso Bernardo 01
Leandro Boldrini

Conforme a denúncia, Leandro Boldrini (pai do menino Bernardo) praticou os seguintes crimes:

Homicídio quadruplamente qualificado

De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MP/RS), Leandro, com amplo domínio do fato, interessado no desfecho da ação, concorreu para a prática do crime contra Bernardo Uglione Boldrini, como mentor e incentivador da atuação de Graciele, em todas as empreitada criminosa.

Conforme o MP/RS, a participação de Leandro se deu inclusive no que diz respeito “à arregimentação de colaboradores, à execução direta do homicídio, à criação de álibi, além de patrocinar despesas e recompensas, bem como ao fornecer meios para acesso à droga midazolam utilizada para matar a vítima”.

  • Capitulação: artigo 121, § 2º, I, II, III e IV, e §4º, 2ª parte, c/c artigo 13, § 2º, “a”, e art. 61, II, “e”, do Código Penal, e conforme o artigo 1º, I, da Lei nº 8.072/90;

Ocultação de cadáver

O MP/RS também denunciou Leandro Boldrini por ocultação de cadáver. Conforme o Agente Ministerial, Leandro idealizou a execução e custeado todas as despesas dela decorrentes, inclusive a paga ou recompensa propostas por sua companheira (Graciele Ugulini) à Edelvânia Wirganovicz.

  • Capitulação: art. 211, c/c art. 29, “caput”, e art. 61, II, “a”, “b” e “h”, do Código Penal;

Falsidade ideológica

Ainda na denúncia, Leandro Boldrini foi acusado de ter praticado crime de falsidade ideológica. De acordo com o MP/RS Leandro fez inserir, em documento público (comunicação de ocorrência), declaração falsa, com a finalidade de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

Em síntese, narra o MP/RS que Leandro, pretendendo constituir álibi de modo a ocultar sua participação no homicídio de Benardo, compareceu à Delegacia de Polícia de Três Passos e comunicou à autoridade policial o desparecimento do menino, dizendo-a em lugar incerto e ignorado.

O Órgão Ministerial acrescenta que Leandro estava ciente da morte do filho, executada dois dias antes, por sua ordem, em conluio com os demais acusados (Graciele Ugulini, Edelvânia e Evandro Wirganovicz). Somente Leandro Boldrini foi denunciado pelo crime de falsidade ideológica.

  • Capitulação: art. 299, “caput”, do Código Penal, sendo todas as infrações praticadas na forma do art. 69;

2. Graciele Ugulini

julgamento do caso Bernardo 02
Graciele Ugulini

De acordo com a peça acusatória, Graciele (madrasta do menino Bernardo) incorreu nos seguintes crimes:

Homicídio quadruplamente qualificado

Segundo o MP/RS, Graciele conduziu Bernardo até o Município de Frederico Westphalen/RS, e, ao iniciar a viagem, ministrou-lhe, via oral, a substância midazolam, sob o pretexto de evitar o enjoo do menino. Em seguida, encontrou Eveldânia em via pública e levaram Bernardo para o automóvel desta.

Conforme o Agente Ministerial, os três rumaram a um local antecipadamente escolhido, próximo a um riacho, onde uma cova vertical fora aberta dias antes. Narra ainda o MP/RS que Graciele, com o apoio moral e material de Edelvânia, aplicou uma injeção intravenosa de midazolam no menino, levando-o a óbito.

  • Capitulação: art. 121, § 2º, I, II, III e IV, e § 4º, 2ª parte, c/c art. 61, II, “e”, do Código Penal, e conforme o artigo 1º, I, da Lei n.8.072/90;

Ocultação de cadáver

De acordo com a denúncia do MP/RS, logo após o cometimento do crime de homicídio de Bernardo, Graciele concorreu para o crime de ocultação de cadáver ao arregimentar a colaboração dos irmãos Edelvânia e Evandro, mediante paga e promessa de recompensa.

Além disso, conforme o Agente Ministerial, Graciele também executou, diretamente, com apoio de ambos, a ocultação de cadáver. Narra a denúncia que Graciele e Edelvânia despiram o cadáver da criança, inseriram-o num saco, aplicaram soda cáustica sobre o corpo, cobrindo-o com pedras e terra.

  • Capitulação: art. 211, c/c art. 29, “caput”, e art. 61, II, “a”, “b” e “h”, do Código Penal, sendo todas as infrações praticadas na forma do art. 69;

3. Edelvânia Wirganovicz

julgamento do caso Bernardo 03
Edelvânia Wirganovicz

Conforme a denúncia, Edelvânia (amiga de Graciele e irmã de Evandro) praticou os seguintes delitos:

Homicídio triplamente qualificado

Segundo a narrativa do MP/RS, Edelvânia concorreu para a prática do crime prestando apoio moral e material à Graciele em todas as etapas o fato, participando da escolha do local da consumação do ilícito, adquirindo a droga midazolam e colocando seu veículo à disposição para levar o menino à cova vertical.

  • Capitulação: art. 121, § 2º, I, II, III e IV, e § 4º, 2ª parte, c/c art. 61, II, “e”, do Código Penal, e conforme o art. 1º, I, da Lei nº 8.072/90;

Ocultação de cadáver

Para o MP/RS, Edelvânia concorreu para a prática do delito ao localizar o local ermo para a ocultação do cadáver do menino, bem como ao indicar Evandro para participar da infração. Segundo o Parquet, Graciele e Edelvânia despiram o cadáver da criança e aplicaram soda cáustica sobre o corpo.

  • Capitulação: art. 211, c/c art. 29, “caput”, e art. 61, II, “a”, “b” e “h”, do Código Penal, sendo todas as infrações praticadas na forma do art. 69;

4. Evandro Wirganovicz

julgamento do caso Bernardo 04
Evandro Wirganovicz

Segundo a denúncia, Evandro (irmão de Edelvânia) incorreu nos seguintes crimes:

Ocultação de cadáver

De acordo com o MP/RS, Evandro concorreu para a prática do crime ao fazer a cova vertical destinada à deposição do corpo do menino Bernardo, além de limpar o entorno do local, tudo dois dias antes, para facilitar a ação criminosa dos demais acusados (Graciele e Edelvânia).

  • Capitulação: art. 211, c/c art. 29, “caput”, e art. 61, II, “a”, “b” e “h”, do Código Penal;

Homicídio triplamente qualificado (aditamento da denúncia)

Na denúncia original, Evandro foi imputado pela ocultação de cadáver. Contudo, houve aditamento para imputá-lo pelo crime de homicídio triplamente qualificado. Segundo o MP/RS, Evandro auxiliou material e moralmente às codenunciadas, tendo sido o responsável por abrir a cova onde o menino foi enterrado.

A defesa no julgamento do caso Bernardo

Atuam pela defesa de Leandro Boldrini os advogados Ezequiel Vetoretti e Rodrigo Grecellé; por Graciele Ugulini, o advogado Vanderlei Pompeu de Mattos; por Edelvânia Wirganovicz, o advogado Jean de Menezes Severo; e por Evandro Wirganovicz, o advogado , Luiz Geraldo Gomes do Santos.

Inteiro teor da denúncia

Clique AQUI para ler a denúncia original na íntegra. (OBS: a peça acusatória foi aditada em 13/06/2014 para imputar ao réu Evandro Wirganovicz o crime de homicídio triplamente qualificado).

Cobertura ao vivo do julgamento do caso Bernardo

A equipe do Canal Ciências Criminais realizará a cobertura ao vivo do julgamento. Serão disponibilizadas imagens, notícias e informações em tempo real sobre o caso. Além disso, contaremos com a colaboração de profissionais que estarão em Três Passos para compartilhar suas impressões sobre o julgamento.


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