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A importância da pesquisa para o Criminal Profiling

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A importância da pesquisa para o Criminal Profiling

O Criminal Profiling é uma área do conhecimento ainda muito pouco conhecida e explorada no ambiente brasileiro e, por isso, os cursos elaborados possuem em sua maioria referências estrangeiras. Mesmo no exterior não existem muitos estudos sobre o tema, o que dificulta a implementação e a criação de cursos em grande escala sobre o assunto.

Além disso, muito se discute sobre a credibilidade do perfil criminal e do uso de Criminal Profiling tanto para auxiliar em investigações como para elaboração de parecer em assistência técnica durante um processo. Por isso mesmo é necessário falar sobre a alta relevância das pesquisas sobre esse assunto, tanto no exterior como no Brasil.

Ocorre então uma demanda tanto para tradução de livros sobre vários assuntos relacionados ao Criminal Profiling escritos por autoridades já conhecidas no meio, como para a exploração de estudos empíricos sobre cada tipo de perfil criminal elaborado no exterior.

Dentro dos perfis criminais existem análises principalmente de estupradores, de arrombadores, daqueles que cometem roubos e de assassinos. Esses quatro tipos de criminosos são analisados por meio de pesquisas para determinar seus padrões comportamentais e a partir daí criar perfis de criminosos quando esses tipos de crimes surgem, principalmente quando se trata de um criminoso em série.

Por serem crimes de alta periculosidade e com índices cada vez mais altos no mundo, vale ressaltar a relevância de focar nos estudos desses tipos de crimes, mesmo que englobem a maioria dos crimes mais recorrentes e não todos.

Existem vários tipos de pesquisas já elaboradas sobre esses temas em outros países e atualmente alguns já iniciados no Brasil. As próprias conclusões indicadas pelo FBI na criação de suas teorias sobre o Criminal Profiling foram trazidas a partir de pesquisa, principalmente com entrevista de criminosos condenados.

Esse tipo de pesquisa, apesar de falho e restritivo a criminosos condenados, já possibilitou diversos questionamentos sobre padrões comportamentais e características de diferentes tipos de crimes, o que facilitou na identificação dos criminosos a partir de então.

Já ao se falar em Psicologia Investigativa e Profiling Geográfico, os estudos possuem um caráter mais acadêmico e empírico, analisando as características comportamentais dos criminosos a partir de análises externas do próprio crime. Esse tipo de pesquisa também possui falhas, pois novamente foca em crimes resolvidos, o que acaba excluindo a cifra negra dos crimes, aqueles sem solução.

Esses dois tipos de pesquisa seriam muito úteis no Brasil, pois ao menos iniciaria a discussão sobre questões sociais e ambientais que podem diferenciar os crimes por localização ou até servirem para comprovar padrões comportamentais já estabelecidos criando mais força para a área e ajudando a provar que existem comportamentos e características universais entre os criminosos e certos crimes, assim como várias pesquisas que explicam e estudam as comunicações não-verbais, por exemplo.

Outra possibilidade de estudo que poderia ser elaborado nacionalmente seria a utilização dos chamados arquivos mortos, ou seja, inquéritos arquivados por falta de um acusado, em situações em que houvesse a possibilidade de elaborar perfis criminais e analisar quantos casos seriam resolvidos a partir de dados conseguidos com essa linha de investigação. Seria uma forma de colocar em prática o Criminal Profiling, auxiliar em investigações paradas e ainda criar artigos ou pesquisas empíricas com resultados positivos.

Inclusive, em se tratando de pesquisas, já existem trabalhos sendo feitos no Brasil com o Geoprofiling, por exemplo, que analisa assassinatos ou estupros em série identificando a zona de conforto do criminoso condenado ao efetuar uma triangulação dos crimes e para perceber se realmente nessa área onde seria a zona de conforto estava a residência ou o trabalho do ofensor, ou ainda, se ele atuava em áreas por onde passava habitualmente, se no caso fosse um ofensor que agia em vários lugares. Esse trabalho já foi elaborado no exterior com resultados bem positivos sobre a ligação entre a localização dos crimes e a zona de conforto do ofensor.

São estudos como esse que enriquecem as áreas do conhecimento e facilitam as atuações investigativas das autoridades, não só para o Criminal Profiling, mas também para, entre outros, a Criminologia, a Antropologia, a Psicologia e a Sociologia que trabalham com o comportamento humano e tentam compreender melhor os seus atos, principalmente quando se trata de crimes e criminosos. As informações coletadas em pesquisas empíricas são fundamentais para auxiliar todos os mecanismos judiciais, assim como na implementação de Políticas Criminais.

O Criminal Profiling não existe somente para identificar um criminoso a partir da construção de um perfil criminal, ela vai muito além, pois os dados encontrados sobre os crimes e os criminosos que podem influenciar também em demandas preventivas, como, por exemplo, uma área com pouca iluminação que passa a ter diversos roubos ocorrendo em horários noturnos e que se identificado o padrão, pode determinar a instalação de luzes assim evitando esse tipo de crime.

Autor

Especialista em Criminal Profiling. Advogada.
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