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Entenda como a PF agiu contra ameaças do PCC e frustrou plano contra Sergio Moro

A Polícia Federal prendeu ontem nove membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) por planejarem ataques a servidores e autoridades públicas, incluindo o senador Sergio Moro e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya.

Segundo a PF, os ataques poderiam ocorrer em várias regiões do Brasil, incluindo São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Paraná e Distrito Federal, e envolveriam homicídios e extorsão por meio de sequestros. A Operação Sequaz resultou em 24 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão, com a apreensão de joias, um carro de luxo e dinheiro.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, foi informado do plano de ataque há 45 dias pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e alertou o chefe da PF, Andrei Rodrigues. Além disso, a facção também tinha como alvos autoridades do sistema penitenciário e da polícia de diversos estados.

Os criminosos alugaram propriedades na mesma rua onde Sergio Moro mora em Curitiba

De acordo com a investigação, os criminosos alugaram propriedades na mesma rua onde Sergio Moro mora em Curitiba. Eles estavam seguindo a família do senador desde janeiro deste ano e a Polícia Militar do Paraná vinha escoltando o parlamentar, sua esposa, a deputada federal Rosângela Moro, e seus dois filhos.

A organização criminosa teria planejado os ataques por causa das mudanças nas regras de visitas íntimas em presídios federais que Moro implementou quando era ministro da Justiça no governo Bolsonaro. Ele também foi responsável por coordenar a transferência e o isolamento dos líderes da facção em presídios de segurança máxima.

Além de Moro, os ataques também visavam o promotor Lincoln Gakiya, que investiga o grupo há duas décadas, agentes penitenciários e policiais de Mato Grosso e Rondônia.

O principal objetivo dos criminosos era o resgate de Marco Willians Herbas Camacho, também conhecido como Marcola, líder da facção preso desde julho de 1999.

Os criminosos liderados por Janeferson Aparecido Mariano, ou Nefo ou NF, receberam a ordem para monitorar o alvo há seis meses e alugaram chácaras na região de Curitiba. Segundo relatos, havia compartimentos sendo preparados em uma das chácaras.

A organização criminosa PCC havia construído compartimentos e paredes falsas em casas alugadas perto da residência do ex-juiz Sérgio Moro e do escritório político do senador em Curitiba, possivelmente para armazenar armas, drogas ou até mesmo pessoas.

Os membros do PCC também monitoraram a rotina da família Moro, incluindo atividades como escola, academia e compras, fotografando tudo.

Acredita-se que a organização tinha como possível objetivo sequestrar o senador, a deputada e seus filhos para forçar o Estado a negociar a libertação de Marcola, com a ajuda de Reginaldo Oliveira de Sousa, membro da “Sintonia Final dos 14” – grupo responsável pelas ordens do PCC para seus membros em liberdade, que teria providenciado carros blindados para a ação.

A Operação Sequaz foi deflagrada pela Polícia Federal para lidar com a situação, mas a declaração do presidente Lula na véspera da operação gerou uma disputa de narrativas entre a oposição e integrantes do governo.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, refutou publicamente as acusações de que o presidente estaria envolvido no plano do PCC contra o senador de oposição. Ele afirmou que é mau-caratismo tentar politizar uma investigação séria e que as autoridades já tinham conhecimento do plano desde janeiro. No entanto, alguns membros da oposição atacaram o ex-presidente Lula, afirmando que sua motivação no cargo seria se vingar de pessoas.

Enquanto isso, a associação entre Lula e o plano do PCC se espalhou pelas redes sociais, com alguns parlamentares pedindo o impeachment do presidente.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, dos Estados Unidos, comparou o plano do PCC a outros casos de violência política e afirmou que o poder absoluto a qualquer preço sempre foi o objetivo da esquerda.

Fonte: Estadão

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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