• 29 de outubro de 2020

Phishing: a pescaria para furtar seus dados na Internet

 Phishing: a pescaria para furtar seus dados na Internet

Phishing: a pescaria para furtar seus dados na Internet 

A tecnologia tem propiciado que muitas atividades sejam realizadas pela internet, como transações bancárias, compras e cadastros de pessoas. Por conta disso, cresceu consideravelmente a ação de criminosos que visam obter vantagens ilícitas furtando dados sigilosos dos usuários da web, principalmente pela técnica de denominada phishing.

Phishing, derivada de fishing, traduzindo a grosso modo, é mesmo que “pescaria”. É uma técnica de furto de dados relativamente antiga, mas que tem tomado maiores proporções em razão da acessibilidade que hoje a internet possui.

A pescaria consiste, basicamente, em enganar o usuário utilizando-se da engenharia social, guiando-o até as páginas falsas criadas por criminosos, que podem ser sites de instituições bancárias, e-mails, redes sociais ou órgãos governamentais. Dentro do ambiente falso, a pessoa é induzida a acreditar que está, de fato, em um site legítimo, pois a semelhança é gritante, mas os campos para inserção de dados ali existentes possuem o único intuito de furtar as informações que serão inseridas pela vítima.

Podemos citar, a título de exemplo, e-mails que chegam na caixa de entrada da vítima solicitando o recadastramento da senha bancária. A pessoa, sem muita experiência em identificar que se trata de um golpe, clica no link e é redirecionada a uma página idêntica à do banco, e lá insere as informações acreditando estar em um ambiente seguro, fazendo com que os criminosos recebem seus dados, obtendo, assim, a vantagem ilícita.

Há casos de sites que furtam os dados do cartão de crédito da vítima. Normalmente, a pessoa se depara com um site que informa uma promoção atípica de um determinado produto. Ansiosa pela compra, decide utilizar o cartão de crédito na transação e passa a preencher os dados solicitados pelo site falso. Após a compra, os dados são enviados para os criminosos, para que estes utilizem do cartão de crédito da vítima, seja para comprar outros produtos para uso pessoal, seja para comprar produtos para fim de outras práticas ilícitas. Há até um termo para quem se dedica à prática de furto de dados de cartão de crédito: “Carders”.

Os Carders, que são pessoas ou grupos especializados em furto de dados de cartão de crédito, utilizam-se da prática para, em boa parte dos casos, vender as informações dos cartões para outros usuários, ou comprar algo de seu interesse, utilizando-se de laranjas para recebido dos produtos, caso estes sejam físicos.

Os perfis em redes sociais também são alvos de criminosos que praticam o phishing. Receber mensagens ou e-mails solicitando a confirmação de senha de um perfil de rede social, sem que o usuário assim tenha definido, pode indicar a potencial pescaria de furto de dados. Nesses casos, os perfis, muitas vezes, são utilizados para destruir a reputação do próprio proprietário da conta, ou serem utilizados para a prática de outro crime, assim como são praticados os crimes a partir de dados de documentos pessoais físicos.

O crime de phishing pode ser enquadrado na lei penal como furto qualificado, previsto no artigo 155, parágrafo 4º, inciso II, já que há o emprego de fraude para a obtenção de dados da vítima. Há, também, o entendimento de que pode se tratar de estelionato, que possui a seguinte redação no seu artigo 171, do Código Penal: “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.

Nesse caso, o delito informático encontra tipificação em “qualquer outro meio fraudulento”, pois a fraude cria na vítima a necessidade de fornecer as informações acreditando que a exigência é legítima, mas, na verdade, trata-se de meio empregado para a obtenção de dados de forma ilícita.

As investigações sobre esses crimes ainda carecem de recursos e conhecimento para a localização dos criminosos, pois quem aplica o golpe se oculta, utilizando-se de recursos para codificar os dados de comunicação, tornando a interceptação mais difícil.

Desse modo, a melhor maneira é se prevenir quanto a esses ataques.

Desconfie de toda e qualquer facilidade apresentada pela internet, atentando-se para ganhos de produtos ou valores que tipicamente não ocorreriam. Vale pesquisar se a empresa que está, de fato, oferecendo essas benesses.

Certifique-se da legitimidade dos rementes de e-mail que são recebidos. Afaste-se dos comandos imperativos como “confirme sua senha agora ou sua conta será excluída”.

É salutar que também se verifique a segurança do site pelo seu certificado, normalmente localizado na barra de endereço à esquerda e na cor verde. Principalmente houver a necessidade de realizar uma transação bancária, pois nos casos de furtos de dados bancários, incluindo cartões de crédito, podem ser desastrosos.

Vale perder alguns minutos para verificar a autenticidade do site que está navegando, da mensagem que recebeu ou do e-mail lido. Na dúvida, vale consultar alguém próximo que tenha mais conhecimento no acesso à internet. Evita-se, dessa forma, ser vítima de um golpe e sentir o sabor amargo da impunidade, pois as chances de encontrar o transgressor são ínfimas.

Quanto ao antivírus… bom, ainda o melhor antivírus ainda continua sendo o próprio usuário.


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Luciano Carlos

Pós-Graduando em Direito Penal e Direito Processual Penal. Pesquisador. Advogado Criminalista.