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Polícia investiga tentativa de compra de votos em aldeia indígena

Em uma aldeia do Xingu, no Mato Grosso, uma denúncia de tentativa de compra de votos está sendo investigada pela Polícia Civil. 

Foram oferecidos R$ 1,5 mil para a população indígena apoiar os candidatos que estavam em um santinho. 

aldeia
Imagem: UOL

Um dos nomes que aparece no santinho é o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PL), entre outros.

Secretário de Agricultora tentou comprar votos de população indígena em aldeia 

Em um vídeo é possível ver que o secretário de Agricultura de Marcelândia, Lincoln Alberti Nadal, conversa com um cacique que devolve o dinheiro, mas mesmo assim o homem insiste. O cacique foi quem fez a denúncia.

Lincoln Alberti Nadal esteve na aldeia Tuba-Tuba do Povo Yudjá Juruna antes do primeiro turno. Ele, acompanhado de outros dois homens, ofereceu o valor como “recompensa” para o voto nos candidatos indicados por ele.

“Esse dinheiro, a gente não vai pegar. Esse dinheiro, a gente vai devolver porque a nossa organização não aceita isso. Para o dinheiro atender um povo, tem que ser um dinheiro que resolve nosso problema, tem que ser conversado com a prefeitura ou com o prefeito, com o pessoal da Saúde, Secretaria de Saúde, só assim a gente aceita. Agora, um dinheiro que aparece de repente, isso a nossa organização não aceita”.

Nadal insiste e cita uma conferência, que segundo os representantes da aldeia, seria realizada naquele mês, chamada de Conferência da Medicina Tradicional. 

Mesmo com a recusa, o homem persiste perguntando se os indígenas queriam comprar alimentos e combustíveis com esse valor.

A denúncia contra o secretário foi registrada pelas lideranças que procuraram a Polícia Civil. 

Segundo a Promotoria Regional Eleitoral, a denúncia foi registrada por conduta irregular e eventual abuso de poder e captação ilícita de sufrágio. Devem ser ouvidos o secretário e o piloto do barco.

A promotoria oficiou a Delegacia de Polícia de Marcelândia para instauração de inquérito para apuração dos fatos. 

Para serem tomadas as providências, o MPF aguarda cópia do inquérito. O caso ainda está sendo investigado. A aldeia informou que não aceita esse tipo de abordagem e por isso ficaram revoltados. 

Fonte: G1

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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