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Polícia Civil indicia assassino de Leandro Lo por homicídio qualificado

A Polícia Civil indiciou o assassinado do campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, neste final de semana por homicídio qualificado por motivo fútil.

Na segunda-feira, 8/8, a Justiça manteve a prisão temporária de 30 dias do tenente da Polícia Militar (PM) Henrique Velozo por suspeita de matar o lutador com um tiro na cabeça, no final de semana, durante um show de pagode na Zona Sul de São Paulo.

Leandro
Imagem: YahooNoticias

O lutador tinha 33 anos e era conhecido por todo o Brasil por ser campeão mundial de jiu-jítsu.

Ele foi baleado na cabeça pelo PM, no Clube Sírio. A morte cerebral dele foi confirmada no domingo (7) pelo hospital onde estava internado. Na segunda (8), Leandro foi enterrado num cemitério na Zona Sul.

Henrique já havia sido condenado pela Justiça Militar de São Paulo por agredir e desacatar outros policiais militares na boate The Week, na Zona Oeste da capital, em 2017.

Nos dois casos, o tenente da PM estava de folga e sem uniforme.

Mãe de Leandro lamenta a morte precoce do filho.

“Ele era lutador na vida, nos tatames ele só trouxe alegria para a gente. Muito preocupado com a família. Ele era a alegria em pessoa e uma pessoa que fez isso com ele… E a pessoa conhecia ele, porque era do jiu-jitsu também, e acabou acontecendo. A pessoa já foi para isso, com certeza já foi pra isso, só que a gente não sabe o porquê.”

Como ocorreu o assassinato de Leandro

Segundo testemunhas, Leandro estava com os amigos na festa quando o PM se aproximou e o lutador teve uma discussão com o PM. Para acalmar a situação, Lo imobilizou o homem que, após se afastar, sacou uma arma e atirou uma vez na cabeça do lutador.

Após o tiro, o agressor ainda deu dois chutes em Leandro no chão e fugiu em seguida. Pouca gente ouviu o barulho do tiro porque o som estava alto em função do show.

Um amigo do lutador que presenciou o crime disse que o autor do tiro estava sozinho e provocou Lo e cinco amigos, que estavam numa mesa.

“Ele chegou, pegou uma garrafa de bebida da nossa mesa. O Leandro apenas o imobilizou para acalmar. Ele deu quatro ou cinco passos e atirou”, disse a testemunha, que pediu para não ser identificada.

No domingo, a Justiça decretou a prisão temporária de 30 dias do acusado, e na segunda ele passou por audiência de custódia no Fórum da Barra Funda, onde foi mantida a detenção dele por decisão judicial

O atleta foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Arthur Saboya, no Jabaquara, também na Zona Sul de SP, onde morreu horas depois.

Homicídio qualificado por motivo fútil

O motivo fútil é aquele insignificante, banal, que normalmente não levaria ao cometimento do crime.

Não há uma proporcionalidade entre o crime e a causa, como por exemplo, matar por discussão no transito.

Art. 121, Código Penal: Matar alguém:

Pena – reclusão, de seis a vinte anos.

§ 2° Se o homicídio é cometido:

II – por motivo futil;

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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