• 15 de dezembro de 2019

Por Dentro da Mente do Criminoso: assassinos em série

 Por Dentro da Mente do Criminoso: assassinos em série

Por Dentro da Mente do Criminoso: assassinos em série

Por Dentro da Mente do Criminoso é uma série documental da Netflix que possui 4 episódios, analisando alguns tipos de crimes de acordo com a mente do criminoso. O primeiro episódio traz profilers para falar sobre os perfis criminais de assassinos em série e é desse episódio que vou tratar aqui.

Por Dentro da Mente do Criminoso

Vale avisar que o narrador, as imagens e as simulações são bastante sensacionalistas e desnecessárias, mas, quando você releva isso, o conteúdo é bastante envolvente e interessante, e vale a pena assistir pelo menos o primeiro episódio.

São ouvidos Patrick J. Mullany, o cofundador da Divisão de Perfil Psicológico do FBI criada no final dos anos 70, Kostas A. Katsavdakis, psicólogo forense, e Roderick Broadhurst, professor de Criminologia. Eles explicam e contam sobre dados muito interessantes sobre serial killers e o que as pesquisas científicas falam sobre o tema. Diversos fatores ligados aos assassinos em série são colocados nesse episódio de quase uma hora. Então, aqui ficarão somente os temas mais relevantes falados e que valem uma análise mais detalhada.

Comportamento nato ou adquirido?

Entre vários temas, surge o questionamento que é recorrente na sociedade, envolvendo esses criminosos na tentativa de compreender se o comportamento deles é nato ou se é adquirido. Mas diversos profissionais e estudiosos da área já falaram sobre isso e costumam afirmar que é a junção dos dois. A ideia é que existe uma predisposição biológica e o meio serve como facilitador para intensificar esse tipo de comportamento violento. Estamos falando de algo biopsicossocial. Não existe um único responsável.

Sobre os estudos neuropsicológicos, uma excelente indicação da série é o estudo de Adrian Raine, professor de Criminologia, que virou o livro Anatomia do Crime. O episódio fala superficialmente, mas funciona como um instigador para quem tem interesse no tema.

Ele estudou as diferenças entre um cérebro comum e o cérebro de criminosos violentos, incluindo assassinos em série. Existem muitas suposições sobre como funciona o cérebro de um serial killer, mas é certo que funciona de uma forma diferente. Raine fala, entre outras coisas, sobre a atividade reduzida na amígdala, o centro das emoções que afeta os assassinos em série em relação aos sentimentos como empatia e remorso.

O comportamento desviante sempre será estudado e questionado, pois ainda existe muita dúvida sobre o tema, principalmente quando envolve crimes violentos e chocantes. As pessoas sempre procuram explicações para atos tão perturbadores, pois esses criminosos possuem, muitas vezes, vidas normais e não demonstram ser os monstros que são.

Além disso, existem pessoas que possuem infâncias terríveis e não se tornam criminosos violentos. Então fica claro que não existe somente um fator determinante e todos temos nossas individualidades, então existem padrões comportamentais, mas também existem fatores diferenciais e exceções do comportamento.

Além disso, o episódio também trata das fases que os serial killers passam antes, durante e depois do crime. Sobre isso, há um fator muito importante para compreender esses tipos de criminosos e facilitar a sua identificação que é a fantasia do assassino que o leva a cometer os crimes. Eles são levados a matar, pois possuem uma fantasia envolvendo uma vítima que eles querem colocar em prática o mais próximo possível do que eles imaginam.

Eles estão constantemente tentando tornar a fantasia uma realidade, então tudo precisa ser feito de uma determinada forma, por isso a escolha das vítimas e da forma como elas serão mortas. Com o passar do tempo esse assassino vai se aprimorando e evoluindo na sua atuação, pois ele procura cada vez mais aproximar a sua fantasia violenta em realidade.

O episódio também fala sobre a infância de serial killers e o costume de ter famílias problemáticas com uma mãe dominante e um pai ausente levando ao comportamento desviante e abuso e drogas. São diversos fatores que são muito estudados sobre a infância dos assassinos em série, pois é o momento em que o temperamento dessas pessoas é definido e muito do que acontece pode influenciar em seus comportamentos no futuro, como o desprezo pelas mulheres e os desejos sexuais violentos e disfuncionais.

Um dado importante colocado no episódio: de acordo com o FBI, a psicopatia é frequente em casos de assassinatos em série, pois esses criminosos frequentemente utilizam manipulação, intimidação, charme e violência para satisfazer suas vontades, características desse transtorno.

Por fim, Mullany e os outros profissionais que falam no episódio, falam de algo muito relevante também, que vale ressaltar: existiram diversos estudos sobre o comportamento desviante e violento que possuem pelo menos 250 anos. Várias coisas já foram afirmadas, mas felizmente a evolução científica também serviu para demonstrar que certas afirmações não estavam corretas e tinham visões superficiais da realidade.

Isso é muito válido, pois existe uma necessidade enorme de pesquisas científicas relacionadas com o Criminal Profiling. Só poderemos avançar nos perfis criminais e ter mais credibilidade se estudos sobre o tema forem feitos, até para quantificar os resultados positivos da utilização dessa ferramenta.

Novamente, vale a pena assistir não só o primeiro episódio, mas os outros três da série também. São tipos de crimes muito específicos e extremamente cruéis que chamam a atenção a sociedade, principalmente em relação às motivações e características dos criminosos. São colocados dados de forma didática com demonstrações e imagens e trazem um reforço científico para o que é dito.


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Verônyca Veras

Especialista em Criminal Profiling. Advogada.