Por Roberto


Por Jean de Menezes Severo


Prezados leitores do Canal Ciências Criminais, a coluna desta quinta-feira será bem diferente das demais. Hoje, 26 de maio de 2016, é feriado de Corpus Christi, uma data na qual os cristãos celebram o nascimento, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Porém, não irei comemorar nada, eis que está coluna será dedicada a alguém que não irá renascer no terceiro dia.

Esta é uma semana muito triste para a advocacia. Tivemos um colega brutalmente espancado até a morte, no exercício de sua profissão, na cidade de Palhoça (SC). Seu nome: Roberto Luís Caldart, 42 anos. O colega foi chamado ao local por moradores, seus clientes, que estariam prestes a serem expulsos de suas casas sem ordem judicial, por pessoas que teriam se passado por policiais militares.

Recordo-me que, quando tinha um escritório no bairro Restinga em Porto Alegre, uma região extremamente periférica e pobre da capital gaúcha, enfrentei uma situação muito parecida, mas, graças a Deus, nada de ruim me aconteceu. Fiquei revoltado com a morte deste colega, que estava ali apenas trabalhando, defendendo seus constituintes e que não vai voltar mais para sua família. Poderia ser qualquer um de nós, advogados aguerridos, que não nos curvamos frente às arbitrariedades e injustiças.

São tempos difíceis.

Aproveito a coluna para mandar meus sentimentos à família do colega que partiu para o plano superior de uma forma bárbara, cruel e covarde e espero que as autoridades de Santa Catarina apontem os autores deste caso o mais breve possível e que nenhum ADVOGADO venha a defender estes criminosos. Mataram um dos nossos.

Pode parecer contraditório, mas essas pessoas não merecem a defesa de um advogado, alguém de nossas fileiras, porque já provaram que não nos respeitam, todavia, irão implorar por nós quando forem processados. Nos termos do art. 133, CF/88, o advogado é tão indispensável à justiça quanto o Poder Judiciário ou o Ministério Público, em qualquer tipo de causa, seja ela criminal, trabalhista, fiscal, administrativa, cível etc. O falecido guerreiro caiu no mais nobre exercício de sua profissão, tendo sido desrespeitado pelos seus assassinos, porém, é na “hora do aperto” que o advogado se faz necessário, sendo o salvador na terra. Esses criminosos também pensarão assim quando chegar a sua vez, todavia, seremos valorizados agora?

O mínimo que Roberto merece é nossa máxima indignação e nossa fiscalização frente ao inquérito policial e ao processo criminal. Estou triste. Estou de luto por todos nós advogados, por isso, desculpem-me a brevidade da coluna de hoje. Não consigo pensar em outra coisa.

Por Roberto e todos os demais advogados que tombaram na lide diária.

JeanSevero

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