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A sua privacidade vale uma xícara de café?

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A sua privacidade vale uma xícara de café?

A concorrência é essencial para o desenvolvimento da economia. Contudo, empresas se veem em uma constante batalha para conquistarem clientes e serem as preferências dentre as suas concorrentes.

Nessa relação, a Rede Shiru Cafe, presente no Japão, Índia e, recentemente, nos Estados Unidos, inaugurou uma forma de atrair seus clientes. Em síntese, os consumidores ganham um café se concordarem em compartilhar seus dados pessoais.

A Rede Shiru Cafe se instala em Campus de Universidades e possui convênios com empresas patrocinadoras da rede. Dessa forma, o universitário precisa criar um conta com e-mail universitário e responder a um questionário com algumas informações pessoais, como o ano de formatura, habilidades tecnológicas, experiência profissional e as características de um local que estaria interessado em trabalhar.

A privacidade em troca de uma xícara de café?

Essas informações são transmitidas aos patrocinadores da Rede, que conseguem filtrar os tipos de universitários que precisam para recrutar. Em troca, os universitários não precisam pagar pelo café.

Em gravame, o produto deve ser consumido dentro local, que tem internet grátis. Isso possibilita o acesso às informações dos usuários que navegam na rede. A iniciativa gera controvérsias sobre as regras de privacidade. Afinal, o universitário não saberá se suas informações não estão sendo recolhidas além do transmitido.


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E se a rede Shiru Cafe chegasse no Brasil?

Nessa relação, é importante fazer um exercício mental e supor que a Rede Shiru Cafe se instale nos Campus das Universidades do Brasil. A Constituição Federal tutela, em seu inciso X, que a intimidade e a vida privada são invioláveis. Em complementação, em seu inciso XII, garante a inviolabilidade de dados.

Portanto, os universitários não poderiam ter seus dados pessoais acessados de forma irrestrita, como durante a navegação que fariam de forma gratuita na internet, durante a permanência no local.

Sendo assim, isso poderia ocasionar o acesso deliberado de informações pessoais, gerando a violação da privacidade, intimidade e da própria vida privada dos universitários. Em contrapartida, a Constituição Federal apresenta, em seu inciso II, que

ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

Portanto, a legislação não proibindo, o universitário estaria livre para trocar as suas informações por um café. Afinal, poderia pensar que atualmente dados pessoais estão sendo coletados constantemente, sendo a privacidade algo do passado. Então, um café grátis valeria para compensar um longo dia de estudos.

Desse modo, é incontestável que a iniciativa seria extremamente atrativa, e muitos universitários cederiam suas informações em troca de um cafezinho. Mas e você: trocaria as suas informações por um café?

Será que a sua privacidade vale uma xícara de café?

Autor

Gabriel Carvalho dos Santos

Acadêmico de Direito e pesquisador, com com ênfase no Direito Penal.
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