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O psicopata criminoso e sua mente

O psicopata criminoso e sua mente

De início, vale esclarecer: a psicopatia não é uma doença mental; é um transtorno de personalidade, mais precisamente um Transtorno de Personalidade Antissocial sob o código 301.7. O indivíduo tem incapacidade de adotar normas sociais em grandes aspectos, desde o desenvolvimento da adolescência até a vida adulta.

Os psicopatas causam sofrimento, pois não têm consciência moral e empatia. Não se comovem com o sofrimento alheio e podem cometer atrocidades sem sentir remorso algum ou temer punições. De acordo com o Código de Moral e Ética, a empatia funciona como um freio para as atitudes humanas. Logo, o psicopata não tem esse freio; realiza suas condutas sem arrependimentos.

A psicopatia apresenta vários níveis de gravidade: leve, moderado e grave. O psicopata de grau moderado a grave é aquele que pode chegar a ser assassino em série – o indivíduo que assassina três ou mais pessoas, geralmente segundo um padrão característico, um modo próprio de atuar. Esse tipo de psicopata gosta de matar e não sente ou sofre de culpa. Na realidade, ele precisa matar.

Diferentemente, os psicopatas de grau mais leve são indivíduos que dificilmente conseguem ser identificados. Esses se envolvem em crimes como estelionato ou fraude, lesando poucas pessoas. Importante lembrar: os psicopatas de grau moderado também podem praticar esse tipo de crime, isto é, nem sempre são os famosos Serial Killers.

Atualmente, estima-se, que, cerca de 4% da população sofre de Transtorno de Personalidade Antissocial, ou seja, é psicopata, sendo 1% portador de psicopatia grave e 3% de psicopatia leve ou moderada.

Vale ressaltar que as características mais relevantes dos psicopatas são o encanto superficial e o poder de manipulação. Ademais, suas mentiras sistemáticas e seus comportamentos fantasiosos fazem com que as pessoas à sua volta tenham total confiança neles. Lembrem-se: eles podem ser seus melhores amigos.

Além dessas características, estão elencadas a ausência de sentimentos afetuosos, a amoralidade, a impulsividade, incorrigibilidade e a falta de adaptação social.

O organismo dos psicopatas não apresenta respostas psicofisiológicas relacionadas com o medo e a ansiedade.  A dimensão relativa ao estilo de vida antissocial caracteriza o psicopata como agressivo, impulsivo, irresponsável e insensível.

Os psicopatas apresentam em seu cérebro menor conexão entre o córtex pré-frontal ventromedial – a parte responsável pela empatia e culpa – e a amígdala – que corresponde ao medo e a ansiedade.

Os cientistas entendem que essas duas áreas são importantes na percepção das emoções e das intenções alheias e são ativadas quando pensamos em comportamentos morais. Ou seja, quem apresenta lesões nessas áreas tem falta de empatia, de medo, de angústia,  de sentimentos de culpa e vergonha.

Dessa forma, há casos de pessoas que se tornaram psicopatas devido a acidentes cerebrais, como, por exemplo, o operário de mineração americano, Phineas Gage, que sofreu uma lesão no lobo frontal por uma barra de ferro, a qual atravessou sua cabeça. Gage sobreviveu, porém, o acidente deixou sequelas em seu cérebro, mudando sua personalidade. De gentil e amoroso, tornou-se agressivo e irresponsável.

Sendo assim, o cérebro dos psicopatas pode sofrer alterações em sua anatomia e funcionalidade.

Por fim, um indivíduo psicopata pode passar despercebido pela sociedade, até por seus familiares e amigos. É como se tivesse uma vida dupla, na qual transtornos ocorrem diariamente, choques de realidade, sem emoções, remorsos. Os delírios tomam conta, manipulam a mente e colocam em prática cenas de horror.

O psicopata é banido pela sociedade. Muitos acreditam que não há cura para esse transtorno; outros acreditam que a medicação regular teria o condão de limitar a mente do psicopata, inibindo-a de executar crimes.

Seja uma corrente seja outra, o importante é que a mente de um psicopata se apresenta como um grande labirinto, no qual o alvo deve ser atingido, conquistado, de modo a saciar seus anseios mais selvagens. Sorte daquele que nunca cruzou o labirinto de um psicopata.


REFERÊNCIAS

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado. Ed. de bolso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010;

ROESLER, Fábio. Serial Killers: conheça as mentes mais perigosas do mundo. Ed. Alto Astral. São Paulo. 2014;

BEZ, Alexandre. Serial Killers: conheça as mentes mais perigosas do mundo. Ed. Alto Astral. São Paulo. 2014.

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Giuliana Venturini Labate

Advogada com cursos de extensão em Psicologia Judiciária e Psicopatologia Forense

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