• 19 de janeiro de 2020

Quais ações podem ser promovidas para aproximar a polícia civil do cidadão?

 Quais ações podem ser promovidas para aproximar a polícia civil do cidadão?

Quais ações podem ser promovidas para aproximar a polícia civil do cidadão?

Inicialmente, é preciso destacar que o atual perfil das polícias é o democrático, e que o perfil equidistante e superior da autoridade policial não mais deve ser acolhido pelos ocupadores do referido cargo. Os delegados, bem como seus agentes, no papel de servidores públicos prestam serviço ao público, buscando melhorias para o bem de todos.

É certo que se deve manter postura e imparcialidade no exercício da função. Todavia, precisa-se ponderar que atualmente a população brasileira se encontra em uma guerra interna contra os crescentes índices de criminalidade, sendo que, para um resultado proativo, é necessário engajamento de todos nesta luta, não somente dos órgãos de segurança pública, efetivando o dever de todos previsto no texto constitucional.

Daí surge a figura da polícia comunitária, que não se enquadra como uma nova polícia, mas possibilita a mudança de paradigmas e forma de atendimento dentro da Unidade Policial.

Mas quais ações podem ser promovidas para aproximar a polícia civil do cidadão?

Quais ações?

Para ser ouvido, é preciso ouvir. Explico. Caso o Delegado de Polícia queira se apresentar como longa manus do Estado e queira que a população local o veja e o respeite, também deve interagir para entender e debater meios para solução de conflitos dessa mesma população.

E eis que surge a pergunta: como seria possível? E a oneração disso? Uma medida simples e que apenas custaria algumas horas da autoridade seria criar redes de relacionamento com núcleos sociais das localidades, tais como: diretores escolares, representantes comunitários, gestores de postos de saúde, comunidades esportivas e representantes de bairros. Também seria possível o levantamento de manchas criminais, solicitando-se medidas da governança local para reduzir a vulnerabilidade de alguns locais.

Constatando-se, por exemplo, altos índices de evasão escolar, seriam uma opção realizar palestras para os pais explicando a importância do estudo e as mudanças que podem ser colhidas no futuro, o que incentivaria o retorno do evadidos. No caso de violência doméstica, medidas de apoio e debate em audiências públicas teriam o efeito disciplinador para pretensos agressores e de resguardo para vítimas, bem como de prevenção para as próximas gerações, de modo a garantir o respeito e integridade das futuras mulheres.

O objetivo é criar confiança e segurança para a população, demonstrando que o Estado está ali presente e que quer discutir as mazelas e as medidas menos agressivas para a resolução de conflitos. Afinal, a “caneta é mais poderosa que a espada” e, no caso concreto, medidas preventivas são mais eficazes que a repressão criminal.

Reforçar a importância dos conselhos municipais, como, por exemplo, da Criança e Adolescente, Carcerário, Desportivo e Urbanísticos poderiam ser a pedra de toque para mudanças futuras em prol da comunidade, visto que deixam de estar no plano passivo e passam a integrar a voz ativa nas atividades públicas locais.

“A palavra ensina, mas o exemplo arrasta”

Deste modo, cabe ao delegado, conforme sua postura e sua dedicação, conquistar a comunidade pela qual é juridicamente responsável, de modo que ajude-a superar seus estigmas sociais com a força que lhe fora concedida pelo estado, bem como para que esta sinergia com os ideais de combate e redução do crime seja mantida para a posteridade.


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Wally Samya Nogueira Barros Nolêto