• 27 de outubro de 2020

Revolucionar ou ser revolucionado! A animalização do Humano

 Revolucionar ou ser revolucionado! A animalização do Humano

Revolucionar ou ser revolucionado! A animalização do Humano

Nota introdutória: Na coluna da Comissão de Estudos Direcionados em Direito & Literatura do Canal Ciências Criminais, apresentamos aos leitores um pouco daquilo que vem sendo desenvolvido pela comissão nessa terceira fase do grupo. Além da obra que será produzida, a comissão se dedica a pesquisa e ao debate sobre questões presentes na temática “Direito & Literatura”. Em 2019, passamos a realizar abordagens mais direcionadas nos estudos. Daí que contamos dois grupos distintos que funcionam concomitantemente: um focado na literatura de Franz Kafka e outro na de George Orwell. Assim sendo, alguns artigos foram selecionados e são estudados pelos membros, propiciando uma salutar discussão entre todos. Disso se resultam as ‘relatorias’ (notas, resumos, resenhas, textos novos e afins), uma vez que cada membro fica responsável por “relatar” determinado texto por meio de um resumo com seus comentários, inclusive indo além. É o que aqui apresentamos nessa coluna, almejando compartilhar com todos um pouco do trabalho da comissão. O texto da vez, formulado pela colega Trícia Beatriz Roza de Oliveira, foi feito com base no artigo “Do grande aos pequenos irmãos: relação entre mídia e controle social”, de Ronaldo Helal – publicado na Intercom – Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. Vale conferir! (Paulo Silas Filho – Coordenador das Comissões de Estudos Direcionados de Direito & Literatura – Orwell e Kafka – do Canal Ciências Criminais)

Ao analisarmos o artigo “Do grande aos pequenos irmãos – relação entre mídia e controle socia”, de Ronaldo Helal e Márcio Souza Gonçalves, e a obra “A revolução dos bichos”, de George Orwell, percebemos a necessidade de trazer à baila a Constituição Federal de 1988 quanto ao artigo 5º, em que se garante a igualdade de todos perante à lei, bem com o artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, o qual reza que todos os homens são livres iguais.

Revolucionar ou ser revolucionado!

Mas qual a relação entre garantias fundamentais e os dois textos? Os dois textos mostram a dominação, o adestramento e que, ao invés de revolucionários, somos revolucionados.

Abdicamos, consciente ou inconscientemente de nossa liberdade em busca de algo em que acreditamos, mas é realmente no que acreditamos? Ao estudarmos o texto e a obra percebemos a inversão entre o papel animal e humano, em “A Revolução dos Bichos”, a relação dominante trabalhador e empregador; em “Do grande aos pequenos irmãos – relação entre mídia e controle social”, a animalização do ser humano que se propõe a um “enjaulamento” em busca de minutos de fama ou reconhecimento ou sucesso ou dinheiro. Mas vale a pena?

Cercear-se de sua própria liberdade, ter sua vida escancarada, perder sua liberdade, às vezes sua dignidade, tão defendida em tempos outrora de luta e legitimado em nossa Constituição Cidadã e em todo o mundo? E a dignidade da pessoa humana? A liberdade? A privacidade?

Tanto no texto quanto na obra é possível perceber a perda desses tão importantes direitos fundamentais, mas enquanto na obra de Orwell se busca, a princípio e sob plano de fundo, um bem comum, o que no final é uma forma camuflada e desumana de dominação social; no texto, o ser humano procura a sua própria desumanização.

O texto explicita sobre os realities em que pessoas (anônimos, celebridades ou subcelebridades), por livre e espontânea vontade mitigam sua liberdade, sua privacidade e a sua intimidade, via contrato assinado! E isso é possível? Um direito tão arduamente conquistado ser abdicado em contrato entre as partes? Não, não é possível a renunciabilidade de direitos mas sim o equacionamento deles para que não colidam!

Temos que não se é possível renunciar ao direito mas o seu exercício em determinados casos pode ser suspensos de maneira temporária. Mas vale a pena para se animalizar? Vale a pena se restringir sem um ideal sólido? Jamais nos esqueçamos que apesar de livres e iguais, detentores de direitos, muitas das vezes se faz necessária a luta para a efetivação desse direito! A literatura por muitas das vezes nos ensinando o viver o Direito!

Revolucionar ou ser revolucionado!


REFERÊNCIAS

BACCHIN, Rodrigo Boldrin. Reality-show: a tv na era da globalização. 2008. Disponível aqui.

HELAL, Ronaldo. “Cultura e Idolatria: ilusão, consumo e fantasia” in ROCHA, Everardo (org.) Cultura e Imaginário: interpretações de filmes e pesquisa de idéias. Rio de Janeiro, Mauad, 1998.

HELAL, Ronaldo. Do grande aos pequenos irmãos-relação entre mídia e controle social. Intercom-Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, v. 25, n. 2, 2006.

ORWELL, G., “A Revolução dos Bichos”, São Paulo: Círculo do Livro, 1945.


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Trícia Beatriz Roza de Oliveira

Graduada em Direito e em Letras, Mestranda em Educação e Advogada