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Os riscos da utilização do WiFi público

Os riscos da utilização do WiFi público

Nada mais comum do que sentar em uma cafeteria ou em uma lanchonete e conectar os nossos dispositivos com uma rede WiFi aberta. Acessamos e-mails, verificamos redes sociais, vemos notícias, tudo isso com um acesso inteiramente gratuito.

Agora, não é comum pensarmos nos riscos desta conexão, se, de fato, ela é segura, e se as informações pessoais não são visíveis e acessíveis por terceiros. Isso porque, de forma geral, as redes públicas não são seguras, e os motivos serão demonstrados abaixo.

Primeiro, o que é uma rede WiFi? Caracteriza-se como uma tecnologia utilizada em redes de computadores capaz de transmitir dados sem a necessidade de cabos. Criada em 1985, atualmente está disponível em dispositivos como smartphones, TVs, notebooks, entre outros.

Portanto, determinados estabelecimentos podem deixar o sinal de WiFi liberado para a utilização de seus clientes, que geralmente está com o nome do respectivo local para a fácil localização do usuário.

Por estarmos em uma sociedade que se mantém conectada 24 horas por dia, ter ambientes para utilizar o sinal de WiFi gratuito é de fato vantajoso e amplia as possibilidades de comunicação, visando manter a interação e inclusão digital. Contudo, o que pode acontecer com a utilização de rede aberta? Existem riscos?

Vamos iniciar pela análise da rede WiFi em local público. Quando se utiliza a conexão por rede sem fio de forma doméstica, existe o chamado protocolo de segurança, permitindo apenas máquinas autenticadas (senha) a utilizá-la, bem como um firewall, que, de forma geral, garante a não conexão de intrusos na respectiva rede.

Nas redes públicas não existe essa garantia de autenticidade, pois, mesmo que seja solicitado um login e senha para acesso, esse é somente para a liberação da utilização do sinal, e não uma garantia de segurança do tráfego de dados, bem como inexiste a proteção de firewall.

Quando se conecta a uma rede pública, todos os usuários que estão conectados ficam visíveis uns para os outros, e um criminoso virtual pode rapidamente descobrir um computador vulnerável para interceptar as informações enviadas.

Com isso, o criminoso consegue acesso ao que está sendo verificado pelo usuário, capturando além de todas as informações pessoais disponíveis, senhas e, também, dados bancários.

Isso porque, por mais que os sites visitados como o de instituições bancárias, por exemplo, que possuem mecanismos fortes de segurança, ainda sim existe a possibilidade de serem interceptados. É o chamado “Man-in-the-middle”, onde o criminoso acessa todos os dados enquanto o usuário navega.

Agora, para não estar visível caso seja necessário usar um WiFi público, basta apenas desativar a opção de compartilhamento. Logo, o criminoso não verá o seu dispositivo. Veja um exemplo:

WiFi 01

Em segundo lugar, ficar atento aos sites acessados, sempre verificando se o mesmo conta com o ícone de segurança, conhecido pelo cadeado na barra de endereço, que confirma que o site visitado conta com o chamado HTTPS, ou seja, a transferência de dados entre usuário e site é seguro e criptografada.

Não é recomendável realizar compras que necessitem a digitação de numeração completa de cartão de crédito, bem como acesso a informações corporativas, sendo recomendável utilizar o 3G ou 4G do pacote contratado, ou caso contrário, obter uma VPN.

A VPN (rede virtual privada) se trata de uma rede privada construída sob a infraestrutura de uma rede pública, que garante a criptografia e a confidencialidade dos dados que trafegam pela rede.

Outro ponto importante é com relação a descrição da rede pública. Isso porque nem todo estabelecimento coloca exclusivamente o seu nome. Assim, criminosos virtuais aproveitam desse fator para criar uma rede falsa com o intuito de desviar o tráfego de dados, com a consequente captura de senhas e dados de navegação.

As redes públicas podem sim ser utilizadas, e de fato, facilitam a conectividade dos usuários. Contudo, não se recomenda acessar sites de instituições bancárias ou outros com informações sensíveis, bem como possuir um bom programa de segurança para o dispositivo para evitar ataques de hackers é primordial.

Lembre-se sempre que o criminoso virtual pode estar sentado à sua frente e você não vai perceber que se trata de um hacker. Ele poderá ser gentil, talvez até conversar, buscando tentar ao máximo se aproveitar de uma possível distração sua. Ele estará atento para obter a maior quantidade de informações possíveis, e não medirá esforços para tal. Atenção e cuidado sempre.

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Fernanda Tasinaffo

Especialista em Direito Digital. Advogada.

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