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Série sobre o Massacre de Realengo mostra lado do caso que muitos não observaram

Série revela novas perspectivas do massacre de realengo

HBO Max relança a sérieMassacre na Escola – A Tragédia das Meninas de Realengo“, um olhar profundo sobre o terrível atentado que ocorreu na Escola Municipal Tasso da Silveira, localizada na região de Realengo, na Zona Oeste do Rio, em 7 de abril de 2011. Esta série deslumbrante resgata com precisão aquela fatídica manhã, através de eficientes relatos de sobreviventes, pessoas próximas, e outros envolvidos taticamente neste incidente traumático.

A diversidade de entrevistados é inteligente, já que cada um oferece uma perspectiva singular sobre o incidente, de maneira única, fornecendo insights importantes e detalhados. De fato, nos quatro episódios, a série discute fortemente o feminicídio e o discurso de ódio contra as mulheres, temas relevantes e infelizmente ainda muito atuais. Vale lembrar que, naquele dia, das 12 vítimas que perderam a vida, 10 eram meninas.

Massacre de Realengo
Imagem: reprodução/ Facebook

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Um enfoque relevante: o feminicídio no caso Massacre de Realengo

A série sobre o Massacre de Realengo revisita o evento com um foco no viés de feminicídio em massa, uma perspectiva pouco explorada na época. A diretora Bianca Lenti destaca a necessidade de dar voz às vítimas femininas do Massacre de Realengo, explorando suas histórias e o impacto duradouro em suas vidas. Ela visa mostrar como o Massacre de Realengo foi utilizado para perpetuar o machismo e o ódio às mulheres, enfatizando a importância de uma cobertura mais sensível e profunda sobre o tema.

Será que a sociedade tem evoluído em relação ao feminicídio?

A diretora também destaca outros aspectos em sua série, incluindo o aumento da intensidade do discurso de ódio e misoginia nos últimos anos. Ela cita a crescente taxa de feminicídio, discursos de ódio disseminados nas redes sociais e a facilidade de acesso a armas de fogo. Comparando a época do massacre de Realengo e os anos que se seguiram, fica claro que, apesar de uma maior consciência social à questão do feminicídio, as mulheres estão cada vez mais vulneráveis.

A série é um marco importante na discussão do feminicídio e contribui significativamente para a conscientização da problemática. A abordagem da equipe de produção, liderada por Patrício Díaz, gerente sênior de conteúdo de produções de não-ficção da Warner Bros Discovery, destaca-se por sua sensibilidade e respeito às vítimas. Não mencionam o assassino, não exploram a violência gratuitamente nem tratam a tragédia de forma sensacionalista. Colocar as sobreviventes no papel de protagonistas foi uma decisão estratégica e inteligente de Bianca para contar a história sob o ponto de vista das principais afetadas e dar a elas a oportunidade de recontar a história com suas próprias vozes.

Redação

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