• 29 de setembro de 2020

Técnicas de interrogatório

 Técnicas de interrogatório

Técnicas de interrogatório

O profiler possui diversos conhecimentos para a elaboração de perfil criminal. Esses conhecimentos também podem ser utilizados em técnicas de entrevista para auxiliar na abordagem de um suspeito de um crime.

Existem diversas técnicas que são utilizadas em entrevistas e interrogatórios, mas o que é relevante para o Criminal Profiling é entender o perfil criminal do suspeito e utilizar a técnica de entrevista comportamental para compreender como o interrogatório será elaborado.

O interrogatório ocorre quando o suspeito está sob custódia do Estado e a polícia tenta conseguir uma confissão dele sobre o crime, podendo ser pela participação, pela atuação ou pela observação. A técnica vai depender do tipo de suspeito e, nesse momento, o Criminal Profiling surge como auxiliar para analisar qual caminho o interrogatório seguirá.

Algumas ferramentas são essenciais para um interrogatório satisfatório. Primeiramente, é essencial que ocorra algo o mais próximo possível de uma cadeia de custódia, assim como nos casos de evidências, para que o suspeito não tenha contado com mais ninguém antes de ser interrogado evitando contaminação da sua fala.

Outra fase importante é a definição de hora e local do interrogatório e como estará o ambiente em que o suspeito será interrogado. Na série Mindhunter, isso é bem demonstrado em um episódio em que Holden vai interrogar um acusado de estuprar e matar uma adolescente e ele cria o ambiente propício para que o acusado confessasse, principalmente colocando a arma do crime, no caso uma pedra, na sala do interrogatório sendo revelada na hora certa, ensejando em uma confissão.

É importante entender se o suspeito é ligado ao lado emocional ou racional, se possui alguma doença ou transtorno, se há alguma debilidade física, emocional ou intelectual para a preparação do ambiente.

Por exemplo, se existe o conhecimento de que o criminoso é organizado, é mais indicado que ele espere um longo período para ser interrogado e que seja de noite, depois do horário que ele provavelmente dorme, e que a sala onde ele ficará esteja desorganizada para que ele fique desconfortável e cansado, mais propenso a falar. Cada detalhe é relevante para que o interrogatório tenha êxito sem a necessidade de coerção e qualquer tipo de nulidade.

Com o interrogado instalado e pronto para começar, é necessário inicialmente a criação do rapport com o acusado para que seja construída uma relação de confiança e até de cumplicidade entre o interrogado e quem interroga, facilitando a abertura para que o suspeito fale sobre si e sobre o crime com mais facilidade.

Para a formulação dos quesitos necessários para o interrogatório, quatro estruturas são mais significativas:

ESTRUTURADA

  • As perguntas são todas pré-determinadas e existe pouco espaço para improviso buscando somente as respostas.

SEMIESTRUTURADA

  • Algumas perguntas são elaboradas, mas com liberdade para que outras sejam feitas no decorrer do processo, são usadas mais como guias da conversa e das informações que precisam ser coletadas.

COGNITIVA

  • É um tipo de entrevista que precisa de técnica e é utilizada para maximizar a quantidade e qualidade das informações obtidas através dos sentidos e sentimentos que a lembrança possui.

MISTA

  • Formato mais indicado em que a pessoa que interroga utiliza todas as estruturas em uma só buscando o melhor resultado por meio de formas diferentes de abordar o interrogado de acordo com o tema, a situação e o tempo de interrogatório.

Com o interrogado instalado e a estrutura do interrogatório pronta, é necessário, ao iniciar a conversa, a criação do rapport com o acusado para que seja construída uma relação de confiança e até de cumplicidade entre o interrogado e quem interroga, facilitando a abertura para que o suspeito fale sobre si e sobre o crime com mais facilidade.

No decorrer do interrogatório, é essencial que quem interroga mantenha e alimente o rapport para que a relação não seja interrompida e o processo da confissão perdida.

Outro fator primordial é a análise da comunicação verbal e não-verbal. É através dessa análise que é possível encaminhar o interrogatório para a melhor forma possível.

São essas percepções que demonstram se a pessoa está mentindo, se ela está com medo, nervosa, irritada, desinteressada, fora de si, esse tipo de coisa. Se no decorrer do interrogatório a pessoa vai mudando, isso pode indicar o momento de mudar a abordagem da conversa, por exemplo.

O interrogatório é um momento crucial para a investigação. Pode ser um momento decisivo para saber quem cometeu o crime, para descobrir outros crimes e até para descobrir o paradeiro da arma do crime ou um objeto levado, e mais relevante ainda em casos de sequestro e crimes em série.

Por isso, é necessário que os policiais sejam qualificados e entendam de técnicas de entrevista e de interrogatório, que são várias, de preferência aquelas que possuem respaldo científico, pois faz muita diferença para a resolução de um crime. E, é claro, o auxílio de profissionais da área como o profiler sempre é um diferencial positivo, principalmente em casos muito complexos e de alta periculosidade.


REFERÊNCIAS

JESUS, Fernando de. Psicologia Aplicada à Justiça. Goiânia: AB, 2016.

Polícia Civil. Aplicando Técnicas de Entrevista e Interrogatório na Investigação – Método Reid. Disponível aqui.

Verônyca Veras

Especialista em Criminal Profiling. Advogada.