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A influência da temperatura do ambiente na produtividade dos apenados

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A influência da temperatura do ambiente na produtividade dos apenados

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As condições ambientais naturais existentes numa região podem ser modificadas, dentre outros fatores, pelas características dos locais, pela atividade que nela se realizam e pelas características dos meios de trabalho que existentes na área. Dessa forma, deve ser pensada em criar um ambiente de trabalho que, de acordo com as condições presentes, seja favorável à saúde dos trabalhadores.

Para torná-la favorável, deve-se estabelecer um adequado intercâmbio térmico entre o trabalhador e o meio ambiente. Os efeitos adversos provocados no organismo humano, quando submetido a ambientes de trabalho com altas temperaturas, têm sido amplamente estudados e, por conseguinte, conta com suficientes conhecimentos para serem aplicados com o objetivo de minimizar ao máximo os efeitos nocivos. Porém, são poucos os trabalhos de pesquisa realizados no Rio Grande do Sul em ambientes onde a temperatura é extremamente fria e/ou quente.

Estes tipos de trabalhos exigem muita atenção por parte de todos os envolvidos, já que os trabalhadores ficam expostos a baixos e elevados gradientes de temperaturas e têm contato com objetos frios e quentes, o que os expõe não só ao risco físico propriamente dito, que podem levá-los a contrair doenças, mas também ao desconforto térmico, aliado à monotonia, à repetitividade, ao tédio, à perda de agilidade motora e de atenção, sintomas muito frequentes em trabalhadores.

Por isto, este artigo tem como objetivo mensurar e analisar a influência do fator temperatura sobre o rendimento do trabalho de execução de chaveiros artesanais, que poderá contribuir para o aprimoramento do trabalho dos apenados no pavilhão de trabalho do Presídio Estadual de Taquara/RS.

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A pesquisa inicia-se a partir de uma avaliação da área em estudo, com objetivo exploratório-descritivo. Vale lembrar, a priori, que temperaturas muito elevadas causam um desconforto psicológico e físico, afetando no desenvolvimento das atividades laborais do trabalhador (VAZ, 2010).

O Estado do Rio Grande do Sul é uma região do país que apresenta atualmente um clima extremo de temperaturas, possuindo temperaturas muito baixas no inverno e temperaturas muito altas no verão.

Quando se exerce uma atividade em um ambiente onde a temperatura não possui condições trabalháveis, deve-se atentar que há um aumento do desgaste físico do trabalhador, consequentemente afetando a sua saúde, e diminuindo a sua produção diária.

Assim, o trabalhador pode prejudicar seu rendimento e dificultando no almejo de seus objetivos, tais como ganhos salariais, remissão de pena e maior eficiência de operação.

Desta forma têm-se como analisar vários aspectos que envolvem o ambiente de trabalho dos apenados e aliá-los a qualidade de vida, uma vez que esta é essencial na jornada de trabalho de qualquer trabalhador, independentemente da função que exerça. Segundo CONTE (2003), qualidade de vida no trabalho resulta em maior probabilidade de se obter qualidade de vida pessoal, social, e familiar, embora sejam esferas diferentes e nelas se desempenhem papéis diferentes.

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Assim, esta relação no ambiente de trabalho esta diretamente ligada com vários fatores, como exemplo a temperatura, entre outros. Segundo as Normas reguladoras, no item 17.5.1 (Condições ambientais de trabalho), as condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características fisiopsicológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.

CONDIÇÕES DE TRABALHO

A teoria das necessidades de Maslow afirma que dentro de cada indivíduo existe uma hierarquia das necessidades, que apresentam-se da seguinte forma:

  • Necessidades Fisiológicas, que constitui o sentido de sobrevivência do individuo (sono, alimentação, etc.);
  • Segurança, que constitui os sentimentos de fuga, proteção, etc;
  • Necessidades sociais ou afetivas, constituem a parte que trata da integração do individuo;
  • Necessidade de Status ou Estima, que representa a auto realização, auto aceitação do individuo; e
  • Auto-Realização, que representa o desenvolvimento do potencial individual ou mesmo as vontades do indivíduo.

NORMA PARA TEMPERATURA

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De acordo com os estudos de Reis (2000), na literatura são constatadas temperaturas na faixa de 16 a 2 2ºC para concretização de trabalhos manuais leves, sendo que no Brasil, por ser um país tropical, de clima mais quente, se aceita até 5ºC a mais. Já a NR-17, recomenda a temperatura entre os 20 e 23ºC.

As Normas Brasileiras para temperatura em ambiente interno são:

  • ISO/DIS 7726/2001 – Ambientes térmicos – Instrumentos e métodos para a medição dos parâmetros físicos: Fornece informações sobre as variáveis físicas que caracterizam um ambiente, como: temperatura do ar, temperatura média radiante, umidade do ar e velocidade do ar. Visa orientar e padronizar a medição dos parâmetros físicos de ambientes, orientando quanto à utilização de equipamentos de medição e a coleta de dados.
  • ISO 7730/2006 – Ambientes térmicos moderados – Determinação dos índices PMV e PPD e especificações das condições para conforto térmico: Apresenta um método que permite estimar a sensação térmica do corpo em um ambiente (PMV), bem como estimar a porcentagem de pessoas insatisfeitas com o mesmo (PPD). Fornecem valores de isolamento térmico de diversos tipos de roupas e também valores de taxas metabólicas para algumas atividades, valores esses necessários para o cálculo do PMV. Também orienta quanto aos requerimentos necessários para o conforto térmico e m um ambiente.

METODOLOGIA

1) Local da Pesquisa

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O local para pesquisa foi escolhido o Presídio Estadual de Taquara, no Município de Taquara, no Estado do Rio Grande do Sul. É um estabelecimento prisional onde alguns presos desenvolvem atividades internas de confecção de chaveiros em um pavilhão de trabalho localizado dentro do presídio. Estes apenados trabalham 40 horas semanais dentro da área destinada para a atividade artesanal, sujeitando-se a diferentes condições térmicas.

Esta casa prisional é uma das poucas no Estado que possuem trabalho onde os apenados possam desenvolver uma atividade laboral, educativa e social, servindo de exemplo para as demais casas e também para a sociedade.

2) Procedimentos da Pesquisa

Primeiramente, realizou-se uma observação in loco do pavilhão de trabalho do Presídio em estudo, com o retrato dos equipamentos e moveis de serviço, por meio de fotografias autorizadas. E a medição da temperatura com o seguinte equipamento utilizado:

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  • Para as medições das temperaturas do ar foram utilizados os Data Loggers, que possuem capacidade de medição de temperaturas de -20°C a +70°C, precisão de ±0,7°C a 20°C, tempo de resposta de 15 minutos e capacidade de armazenamento de até 7944 dados. Utilizaram-se 15 Data Loggers, sendo um para cada ponto das malhas retangulares.

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Foi verificada em três diferentes épocas do ano – verão, outono e inverno – a temperatura interna do pavilhão de trabalho e a produtividade dos presos na fabricação de chaveiros.

Consequentemente ao levantamento de dados foram ana lisadas as questões de acordo com a Norma Regulamentadora 17 (NR 17) de ergonomia, que estabelece os parâmetros das condições de trabalho, desde características psicológicas e conforto.

Foram selecionados ao acaso 20 apenados que trabalham no presídio, para que participassem voluntariamente desta pesquisa. Assim foram coletados dados para os seguintes fatores:

  • Produções diárias (variável dependente) por preso, durante três períodos climáticos distintos (verão, outono e inverno);
  • Tempo de serviço do trabalhador na confecção de chaveiros.
  • Condições climáticas diárias: Temperatura (máxima, mínima e média).

Na distribuição dos meses estudados procurou-se representar todas as possíveis condições climáticas enfrentadas pelo trabalhador na realização do seu serviço. Tentou-se uniformizar, na medida do possível, as características do local de trabalho. A tabela 1 mostra os dados onde se realizou três medidas de produtividade (peça/hora) em três temperaturas diferentes.

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3) Projeto experimental

O projeto experimental completo para estudar o efeito do fator temperatura sobre a variável de resposta produtividade foi o One-way Analysis of Variance (Comparação de vários grupos). A execução desse projeto consiste em identificar se os valores da variável d e resposta, medido nos diversos níveis, diferem entre si.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tabela 2 apresenta os resultados da estatística descritiva para averiguação das diferenças entre grupos.

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Com base nos resultados da análise observou-se que não há diferenças significativas entre os grupos, mostrando a homogeneidade das variâncias. Quando os apenados trabalham nas condições tanto de extremo frio, quanto de extremo calor, suas produtividades não são alteradas significativamente.

Realizando uma comparação múltipla das médias, reaf irmou-se que as diferenças de temperaturas não são significativas, pois as médias são menores que o Limite de Decisão (Ld). A tabela 3 mostra a comparação múltipla das médias.

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CONCLUSÃO

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Esta pesquisa possibilitou a reflexão dos motivos pelos quais poderiam influenciar negativamente na produtividade dos apenados dentro do pavilhão de trabalho no Presídio de Taquara. Porém, de acordo com os resultados obtidos, comprovou-se que a temperatura não intervém significativamente nesta variável de resposta, propiciando a busca de outros fatores controláveis para a questão da produtividade dos presos.


REFERÊNCIAS 

DUL, J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia Prática. 2ºed., São Paulo: Edgard Blucher, 2004.

NR 17 – Norma Regulamentadora . Disponível em: <>. Acesso em 08 fev. 2010.

Pickering TG, Devereux RB, James GD, Gerin W, Landsbergis P, Schnall PL et al. Environmental influences on blood pressure and the role of job strain. J Hypertens 1996;14(Suppl 5):S179-85.

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GALLOIS, Nelson Simões Pires. Análise das Condições de Stress e Conforto Térmico sob Baixas Temperaturas em Indústrias Frigoríficas de Santa Catarina. 2002. 125 f. (Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós – graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina), Área de concentração: Saúde do Trabalhador . Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002.

ESTEVES, Manoel José de Lourdes. Implicações Fisiológicas em Trabalhadores expostos à Ambientes Frios na Produção Industrial dos Abatedouros. 2003. 137 f. (Dissertação de Mestrado apresentada ao Departamento de Pós – Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina), Área de concentração: Ergonomia. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

VAZ, C. R. et al. Condições de Trabalhos dos Funcionários de um Departamento da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. In: XXX Encontro Nacional de Engenharia de Produção, São Carlos, 2010.

SEIXAS, F. Análise de fatores que afetam a produção diária de operadores de moto-serras. Circular técnica IPEF, n.170, p.1-4, 1989.

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