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Teses sobre homicídio (parte 8)

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Por André Peixoto de Souza


O ato de esquartejamento possui sentido e significado superior à mera separação “utilitarista” do corpo e à “publicidade” social. Pois em primeira vista o desmembramento do corpo serve à ocultação do crime, e em segunda vista – também elementarmente – à exemplificação. Separação do corpo para mais facilmente carregá-lo, para queimá-lo, para descartá-lo. Separação do corpo para mostrá-lo, para exercitar poder disciplinar: que o digam os algozes de Damiens e Tiradentes.

Cabe, no entanto, outra análise desse ato tão [aparentemente] repugnante, tão abominável, tão cruel, que envolve o rompimento das articulações, a serragem de membros, a decapitação.

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A sagrada unidade do corpo, tornado vida por circunstância metafísica, foi objeto de estudos filosóficos, teológicos, biológicos e jurídicos, e recebe todo tipo de reconhecimento no plano científico e espiritual. Unidade do corpo: ato individual tornado potência coletiva por necessidade de propagação e existência; máquina [complexa] composta e articulada que objetiva a existência; significado e materialização de existência; permissão e permissibilidade de, em conjunto, abstrair [nova] existência; em suma, conditio de existência.

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A separação da unidade corpórea, ou o ato de separação, revela necessidade ou desejo de inexistência, de aniquilamento, de destruição do reconhecimento. O desmembramento do corpo dá vazão a um sentido de inexistência. Desmembrar, separar, dividir o que era uno e – necessariamente – indivisível configura um poder além do disciplinar: poder “constituinte” do sujeito (corpo e consciência) para mais ou para menos. Separar e (re)unir, ou o ato de separar e (re)unir, pode representar o maior poder do homem, perceptível na mitologia, na religião e na realidade jurídica (pelas penas), médica (pelos experimentos e depois tratamentos e cirurgias) e/ou criminosa (pelo crime – lesão corporal grave, homicídio e ocultação de cadáver). Vide, em todos os sentidos, os experimentos siameses do “SS” Mengele!

O ato de serrar o corpo humano possui padrão estético definido. Os esquartejamentos (a facas, cutelos, machados ou serrotes) seguem uma “lógica” sequencial: braços, pernas, tronco – pélvis e peito – e, finalmente, cabeça. Essa explicável apoteose dá fim ao reconhecimento daquela subjetividade, agora mera carne, nunca mais pessoa, separada em pelo menos sete partes.

O esquartejador não “apenas” matou a vítima. Homicídio é meio para um fim de DESTRUIÇÃO da carne e da ideia/consciência/existência da vítima. Se essa destruição serve para acondicionar o corpo, ou para exemplificar à sociedade, isso menos importa.

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