• 26 de outubro de 2020

Titanic: lições (valiosas) para a humanidade

 Titanic: lições (valiosas) para a humanidade

Titanic: lições (valiosas) para a humanidade

Não consigo imaginar quaisquer condições que levassem o navio ao naufrágio. As modernas técnicas de construção naval já superaram este estágio. – Comandante E.J. Smith (Comandante do Royal Mail Ship Titanic)

Primavera de 1912 (10/04 – 15/04)

Na primavera do ano de 1912, mais precisamente no mês de Abril, aconteceu uma das piores tragédias da história da humanidade, tanto que até os dias de hoje, mais de 100 anos depois, ainda desperta interesse e curiosidade em todos nós. Em tempos de paz, acredito que nenhuma tragédia tenha sido tão enigmática, traumática e tormentosa para as vítimas, como foi o naufrágio (“do insubmergível”) R.M.S. TITANIC.

Todo esse meu entusiasmo e admiração pela história do mais luxuoso transatlântico (o único transatlântico do mundo a ser afundado por conta de um iceberg), é herança de minha saudosa avó paterna, que além de ter o dom de contar histórias, conseguia me “transportar” para as águas geladas do atlântico norte a cada relato sobre o naufrágio.

SIM, o RMS Titanic era inafundável!

Minha afirmação (retórica), além de ser voz corrente em alguns historiadores e pesquisadores, também é com base na análise fria e racional de toda a estrutura metálico do maior e mais luxuoso transatlântico da época.

O RMS Titanic foi projetado de forma minuciosa para ser considerado não apenas o mais luxuoso, mas também o mais seguro. Por exemplo: possuía 54 metros de altura e 275 metros de comprimento, portas magnéticas a prova d´água. O casco do Titanic era dividido em 16 compartimentos estanques e tinha um fundo duplo, capaz de extrair toneladas e mais toneladas de água caso houvesse alguma avaria. Logo, com algumas dessas qualidades, muitos consideravam impossível de acontecer tamanha tormenta!

Mais uma vez, com a licença poética, podemos concluir com certo grau de segurança, que era praticamente impossível! (Assim como é “impossível” imaginarmos que o MAIOR DESASTRE AÉREO ocorreu com o choque de dois aviões na PISTA do aeroporto de TENERIFE, no ano de 1977! Não sei você, mas eu também acho “impossível” imaginar dois aviões se chocando no ar em pleno século XXI).

Mas se o navio era insubmergível, como a tragédia aconteceu?! 

A seguir, breve análise da fatal sucessão de erros, que de maneira progressiva, colaboraram para o pior naufrágio de todos os tempos.

A confiança exagerada do Comandante Smith!

Qual foi o custo da confiança cega do Comandante?! Segundo a Junta Comercial Britânica, 1.514 (mil quinhentas e quatorze) pessoas morreram de um total de 2.224 (duas mil duzentas e vinte e quatro) pessoas estavam a bordo. 

Apesar dos avisos que outras embarcações enviaram ao RMS Titanic acerca do perigo de icebergs no percurso, a única providência tomada pelo senhor Smith foi desviar um pouco a rota, mantendo a velocidade máxima do navio.

Na noite do fatídico dia 14/04/1912, por volta das 21:40hs (duas horas antes do impacto com o iceberg), novos avisos sobre o perigo foram recebidos (e completamente ignorados) pelo insubmergível transatlântico. Velocidade foi mantida.

Tamanha era a confiança do Comandante que fez o mesmo cancelar uma simulação de emergência para uso dos botes, que estava programada para a noite do dia 14/04/1912. Desconhecidas as razões, mas acredito que a confiança do Comandante o fez achar desnecessário o treinamento. A tripulação não está preparada para emergência.

O acidente ocorreu às 23:40hs da noite dia 14/04/1912 e pouco mais de dez minutos as águas geladas do atlântico norte invadiam o Titanic à uma quantidade de quase 8 toneladas por segundo! Muito além do nível de inundação que o navio poderia suportar. Praticamente seis compartimentos foram invadidos simultaneamente pelas águas do oceano, logo, todo o equipamento avançado de segurança era inútil!

Ausência de instrumentos devidos: binóculos!

A tripulação não portava binóculos! Exatamente isso, no meio da noite (23:40hs) no oceano atlântico, cientes de avisos de iceberg…

Reduzidíssimo número de botes salva- vidas

O projeto do RMS Titanic previa um número 64 (sessenta e quatro) botes, mas por estética e “falta de utilidade”, apenas 20 (vinte) botes estavam no navio. Cada um dos botes disponibilizados poderia levar em média 110 (cento e dez) pessoas, porém saiam com uma média de 50 (cinquenta) pessoas.

Navio S.S. Californian não deu a devida importância aos pedidos de socorro

O navio cargueiro S.S. Californian, segundo relatos de alguns historiadores e pesquisadores, poderia ter apoiado o R.M.S. Titanic se não fosse a falta de entendimento na comunicação, bem como a tripulação tivesse validado os pedidos de socorro do maior e mais luxuoso transatlântico. Acreditavam que: 1) Havia alguma comemoração / festa no Titanic (por conta dos fogos) ou; 2) Não acreditavam que um navio daquele porte pudesse estar afundando.

Reflexão

Quantas catástrofes poderiam ter sido evitadas se o ser humano minimamente aceitasse a possibilidade de dar errado?! 

Quantas vezes nós agimos com a mesma confiança cega do capitão do RMS Titanic?! Quantas vezes desconsideramos a possibilidade de dar errado?! Quantas vezes desconsideramos avisos e mais avisos e seguimos tratando uma pandemia como se fosse uma gripezinha?!


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Leonardo Nolasco