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Polícia investiga crime de tortura cometido por seguranças de supermercado que agrediram homem suspeito de furtar bombom

Funcionários de segurança de um supermercado foram capturados por câmeras de vigilância enquanto agrediam violentamente um cliente em Bauru, no interior de São Paulo. Agora eles serão responsabilizados pelo crime de tortura.

A agressão ocorreu porque suspeitavam que o cliente havia furtado um bombom. O incidente aconteceu em 7 de junho, em um estabelecimento comercial na Vila Falcão. Inicialmente, o boletim de ocorrência foi registrado como “vias de fato” e “injúria” no dia 19 de junho. No entanto, após a divulgação das imagens, a polícia alterou a natureza do crime e está investigando-o como tortura.

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O supermercado afirmou que repudia a violência e que os suspeitos envolvidos foram demitidos. De acordo com o que foi relatado no boletim de ocorrência, o homem de 25 anos foi ao mercado e comprou papel toalha, cerveja, vinho e chocolates, porém, um dos bombons não foi registrado no caixa. O cliente afirmou que colocou o item no bolso sem perceber que não havia pago. Após pagar pelos produtos registrados no caixa, ele foi alcançado pelas seguranças na saída do local, que o acusaram de furtar o bombom. Nesse momento, o homem foi levado para uma sala especial.

Ao falar com o G1, seu advogado, Ricardo Baraviera Sobrinho, contou que seu cliente tentou explicar aos seguranças que havia comprado todos os produtos, inclusive o chocolate em questão. No entanto, os seguranças, conforme o registro policial, continuaram a acusá-lo de furto. As imagens das câmeras de segurança mostram o momento em que, durante uma discussão, um dos seguranças parte para cima do cliente e começa a desferir uma série de socos nele. Um colega de trabalho consegue conter o agressor, porém, esse segundo funcionário também passa a agredir o homem acusado de furto no supermercado. Logo em seguida, o primeiro segurança retorna e continua a agredir o homem com chutes.

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Fonte: G1 – Globo

Câmeras de segurança mostram o homem sendo arrastado pelos corredores do supermercado por pelo menos três funcionários

As imagens das câmeras de segurança também mostram o homem sendo arrastado pelos corredores do supermercado por pelo menos três funcionários, até chegarem a uma sala onde ocorreram as agressões. No caminho, ele é atingido com um soco no rosto e um golpe de estrangulamento.

O advogado do homem afirmou que, após as agressões, ele precisou receber atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista, devido a lesões em várias partes do corpo. No mesmo dia, o homem tentou registrar um boletim de ocorrência sobre as agressões sofridas, porém, só conseguiu fazê-lo na segunda-feira seguinte.

“Naquele dia, eu o acompanhei para registrar o boletim de ocorrência, mas fomos informados pelo atendente que precisaríamos dos nomes dos envolvidos [no incidente] para registrar naquele momento. E nos pediram para retornar em outro dia, quando já tivéssemos os nomes”, revelou o advogado.

O supermercado Confiança expressa um forte repúdio a qualquer forma de violência, considerando-a um ato extremamente grave e inaceitável, que vai contra seus princípios e procedimentos.

É importante ressaltar que os indivíduos envolvidos foram imediatamente demitidos de suas funções, e estamos colaborando ativamente com o inquérito em andamento. Reafirmamos nosso compromisso com a segurança de todos os clientes e funcionários, e estamos trabalhando intensamente no treinamento de nossas equipes de segurança e prevenção, para evitar que situações como essa voltem a ocorrer.”

O G1 também tentou entrar em contato com a defesa dos seguranças envolvidos, mas não obteve resposta.

Fonte: G1

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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