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Donald Trump é fichado na prisão e foto de seu registro viraliza

A foto, capturada depois da sua chegada à prisão do condado de Fulton, não reflete a sua típica bravata

A imagem de Donald Trump é imediatamente distribuída como uma das imagens mais emblemáticas de qualquer indivíduo que tenha ocupado a posição de comandante-chefe. Inúmeros registros fotográficos foram feitos dos presidentes dos Estados Unidos, mas nenhum se compara a este. O detido identificado pelo número P01135809 olha para fora da foto do álbum, com o rosto feito pedra. É impossível discernir as emoções de Trump naquele momento. Contudo, a foto, capturada depois da sua chegada à prisão do condado de Fulton, não reflete a sua típica bravata.

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Fonte: Diário do Nordeste

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Seus olhos parecem penetrantes. O selo do Gabinete do Xerife do Condado de Fulton no canto superior é um lembrete de que, apesar de todo o seu poder anterior, Trump está agora submetido a um processo sobre o qual não possui controle total. A foto de Trump – notavelmente simples, algo que certamente contradiz o ex-astro de reality shows para quem a imagem é crucial – simboliza de maneira figurada uma eleição na qual o potencial candidato republicano e possível futuro presidente enfrenta 91 acusações criminais distribuídas em quatro casos.

Trump nega todas as denúncias de irregularidades e mantém a presunção de inocência até que sua culpa seja provada em todos os casos, inclusive nas acusações de extorsão na Geórgia relacionadas à sua tentativa de anular as eleições de 2020. De certa forma, a fotografia, registrada após ser entregue às autoridades na quinta-feira (24), parece representar o ápice de uma vida que tencionou e transgrediu os limites da presidência, muitas vezes desafiando a legalidade. De maneira mais ampla, para um homem cuja imagem foi construída por meio de fotos de paparazzi nas colunas de fofocas de Nova York e que valoriza capas de revistas Time com seu rosto estampado, a foto policial da Geórgia, apesar de toda sua humilhação, representa uma nova fronteira de notoriedade.

Contudo, para uma nação ainda imersa em divisões e raiva incitada por Trump, a foto – que se propagou instantaneamente pelo mundo – personifica uma espécie única de tragédia. Aqueles que criticam Trump por suas tendências autocráticas, demagogia, vulgaridade e obsessão consigo mesmo podem encontrar na foto policial uma fonte de satisfação. Para os milhões de apoiadores de Trump que veem nele uma vítima de perseguição, a imagem apenas reforçará seu papel de mártir político vivo, baseando-se nisso para buscar a presidência novamente.

Embora a equipe de Trump tenha afirmado que ele quis transmitir a determinação, a foto do ex-presidente provavelmente dividirá os americanos tanto quanto sua agenda política. A imagem também suscita uma indagação: por que o homem mais conhecido no mundo, sempre cercado pelos agentes discretos do Serviço Secreto e que não pode sair de suas residências sem uma comitiva, precisa de uma foto policial? Afinal, ele não pode simplesmente desaparecer – seu avião particular tem a inscrição “Trump”.

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Fonte: Tv Prefeito

Ele poderia viajar para qualquer lugar do mundo e ser imediatamente reconhecido. A explicação oficial para a foto parece indicar que, apesar da sua antiga influência e fama, Trump deverá enfrentar a lei como qualquer outro cidadão. Se um indivíduo que já detectou o poder de causar um apocalipse nuclear pode ter sua foto policial tomada como a de qualquer outro suposto crime na Geórgia, isso indica que a justiça é realmente imparcial.

Entretanto, mesmo que as múltiplas acusações contra um ex-presidente possam ser do interesse nacional, uma humilhação crescente poderia ter consequências inesperadas? Além disso, Trump transformou todos os aspectos de sua batalha em armas para fortalecer o culto de vitimização e vingança que impulsiona seu apelo político.

A campanha de Trump está em pleno andamento, provavelmente para arrecadar fundos para seus custos legais para sua defesa

Trump rapidamente obteve sua foto em sua plataforma Truth Social e usou para retornar ao “X”, a plataforma anteriormente conhecida como Twitter. Sua campanha está em pleno andamento – provavelmente para arrecadar fundos para seus custos legais – e visa transformar sua vergonha em uma nova forma de poder, mais uma vez desafiando o sistema judicial. Para qualquer outro político, uma foto policial poderia ser o fim de sua carreira. No caso de Trump, ela se torna um trampolim. Afinal, ele foi processado na prisão em Atlanta apenas 24 horas após a maioria de suas rivais pela nomeação do Partido Republicano levantar as mãos em um debate presidencial em Wisconsin, expressando apoio caso ele se tornasse o candidato.

Fotografias daqueles que ocuparam a presidência – muitas vezes encenadas por mestres em relações públicas para fins de propaganda – se transformam em símbolos de suas épocas. Mesmo fora do cargo, a foto de Trump agora ingressa no registro histórico, junto com as demais figuras que chamaram a Casa Branca de lar. Isso inclui imagens de John Kennedy e seus filhos no Salão Oval, encapsulando a ascensão de uma geração jovem ao auge do poder. Uma foto de Lyndon Johnson sendo empossado como presidente da Força Aérea Um em Dallas, novembro de 1963, ao lado da recentemente viúva Jacqueline Kennedy, usando ainda o terno manchado com o sangue de seu marido assassinado, foi concebida para mostrar a continuidade do governo naquele momento de horror.

Como todas as grandes fotos, ela captura um momento crucial e retém o poder de perdurar. A saudação de vitória com as duas mãos do presidente Richard Nixon, nas portas de seu helicóptero, não conseguiu encobrir o estigma de sua saída da Casa Branca após a renúncia devido ao escândalo Watergate. Em setembro de 2001, o presidente George W. Bush subiu sobre os escombros carbonizados no Marco Zero em Nova York, usando um megafone para catalisar a transformação da nação ferida da dor para a resolução após o pior ataque terrorista de sua história.

Quatro anos mais tarde, uma foto dele olhando para baixo do avião presidencial sobre a Costa do Golfo inundada refletia sua liderança questionável após o furacão Katrina. Para as gerações futuras, essas imagens definirão um capítulo da tradição nacional quando os detalhes se misturarem. O mesmo aconteceu com a foto policial de Trump. Um rosto conhecido mundialmente congelado na desonra. Um momento angustiante da história americana capturado com um clique de câmera.

Fonte: CNN Brasil

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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