Um dia na vida de um advogado criminalista

Por Anderson Figueira da Roza

Há muito tempo pensava em escrever sobre este tema curioso, que muitas vezes não refletimos com a devida atenção de como é ou como deveria ser a rotina diária de um advogado criminalista.

Alguns devem pensar que é comum, como a de qualquer profissional liberal, que divide seu tempo tranquilamente entre horas de atendimento a clientes no escritório, mais algumas horas redigindo boas peças, uma parada para um almoço ou um lanche, possíveis deslocamentos aos Foros para audiências ou acompanhamentos de sessões de julgamento em Tribunais, uma caminhada ou exercício ao final da tarde, e um merecido sossego no aconchego da sua família à noite, ou para os que ainda se preocupam em expandir seu conhecimento ministrando aulas ou se aprimorando em cursos à noite.

Porém, profissionais dedicados na área criminal, na grande maioria das vezes, não possuem esta rotina. O dia ou a noite de um advogado criminalista é completamente imprevisível, basta uma ligação de um cliente em potencial ou uma operação policial que investiga e prende algumas pessoas, um novo caso e a agenda deste profissional se desorganiza repentinamente e ele tem que encontrar buracos de tempo para se reorganizar rapidamente, e fatalmente alguns compromissos urgentes ficam ameaçados.

E se você parar para pensar, isso é o que nos torna diferentes, essa dinâmica, essa absurda imprevisibilidade do que pode acontecer de novo, além do que já está agendado é o que nos motiva a sermos cada vez mais requisitados e por consequência nos tornarmos melhores profissionais.

Para quem não nos reconhece como profissionais indispensáveis para a sociedade pense, por exemplo, que durante a madrugada seu filho saiu com alguns amigos e se envolveu num acidente de trânsito e que por fatalidade alguém possa ter falecido, para quem você vai ligar se ele estiver numa delegacia?

Pois é, aquele profissional que estará atendendo essa ligação pode ter chegado de uma audiência de outra cidade momentos antes, estar exausto, mal atendeu seus familiares em casa, ou estava dormindo e já tem algumas pessoas para atender durante a próxima manhã que estão ansiosamente à espera daquele momento marcado de pedir orientação em seus problemas ou ele terá uma pauta de outras audiências e julgamentos, e ele ainda assim lhe atende durante essa longa madrugada, que para você passa a ser a pior noite da sua vida, mas a dele deveria ser mais uma.

Após encerrar o seu atendimento, ele retomará com a rotina já agendada e provavelmente terá que abrir um espaço naquele mesmo dia ou noite e lhe encaixar para continuar falando desse caso em que seu querido familiar vai enfrentar nos próximos meses e anos.

As consequências? Bom, quem trabalha nessa área sabe, independentemente do dia terrível ou mais glorioso que tivermos, não há muitas horas para pensar e relaxar, a energia tem que estar em alta novamente, o próximo compromisso ou caso é totalmente particular, é tudo novo de novo. Por mais incrível e desgastante que possa parecer quem experimenta essa adrenalina e entende que somos advogados criminalistas 100% do nosso tempo nunca mais pensará em trocar de profissão, pois acima de tudo para quem nos contrata somos personalíssimos.

AndersonFigueira

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