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Uma história de sobrevivência: agente penitenciário escapa por pouco de perigo mortal na cadeia

Esta é uma história verídica e aconteceu com o agente penitenciário (hoje policial penal, na nova nomenclatura) Diorgeres de Assis Victorio.

Em um domingo na cadeia, Diorgeres sentia a tensão aumentando à medida que o PCC ganhava mais força e realizava várias execuções dentro da prisão, aumentando seu domínio sobre as Unidades Prisionais.

Na sexta-feira anterior, ele havia lido uma notícia no jornal Agora, onde o líder do PCC, ao ser transferido da Casa de Detenção de São Paulo para o “Piranhão” (RDD de Taubaté, hoje “Hospital de Custódia”), prometeu “virar” todo o sistema prisional paulista. Naquele domingo de manhã, ele comentou o fato com os agentes que trabalhavam com ele no fundo da cadeia, onde ficavam o “castigo” e os Raios II e III.

A cadeia estava lotada de presos que haviam chegado do Piranhão, já que eles haviam destruído aquele lugar e cumprido o objetivo do primeiro Estatuto do PCC. Diorgeres estava atento à promessa do líder do PCC, mas sabia que nada poderia fazer se a ordem chegasse. Durante o almoço de um dos agentes que trabalhava com ele, a ordem de rebelião chegou pelo “radinho” (celular).

Era para a cadeia “virar”. Um preso entrou na “gaiola do Raio II”, onde Diorgeres estava, e com a mão sob sua camisa, disse: “ – Já era mestrão!” Diorgeres não tentou correr ou se defender, pois imaginava que se o preso já havia chegado até ele, tudo já estava dominado pelo PCC. Ele foi rendido e ordenado a ir para o “castigo”.

Enquanto seguia para o “castigo”, Diorgeres viu que a gaiola II já havia sido rendida e um preso estava na função de agente daquele posto. Ao chegar ao Raio III, ficou surpreso ao ver que os agentes estavam rendidos e deitados no chão. Quando chegou ao “castigo”, também foi ordenado a se deitar. Ele pensou que seria um dos primeiros a ser morto, já que a ordem era matar todos os agentes.

Ele preferiu morrer logo do que assistir à tortura e morte de seus amigos na frente dele. Diorgeres considerou lutar, mas sabia que não poderia passar por todos os presos e postos da cadeia sem ser pego e torturado. Ele imaginava várias formas de morte, como a decapitação ou o corte das orelhas, especialmente para os estupradores.

Diorgeres já havia pensado em várias formas de morte enquanto estava preso na cadeia. Ele não conseguia fugir, pois não passaria pelos outros presos e postos da prisão, e tentar escapar resultaria em mais tortura. Quando pediram a chave do “castigo”, Diorgeres sabia que se a cadeia virasse, seria uma carnificina. Os presos foram informados de que eles não tinham as chaves daquele local e, em seguida, arrebentaram os cadeados das celas soltando os presos que estavam no castigo.

Ele começou a ouvir gritos e logo soube que eles tinham chegado nos presos do “seguro”. Ele achava que iam matá-los “na sua cara”, mas em vez disso, mandaram que ele e outros agentes se levantassem e os conduziram para o Raio III. Um preso foi colocado junto com eles na cela e Diorgeres pensou que iam matá-lo na frente deles. Eles começaram a ser torturados psicologicamente, dizendo que seriam mortos e que o PCC mandava no Estado de São Paulo e em outros estados também.

Outro preso veio e disse que estavam esperando a ordem para matá-los e que ninguém sairia vivo dali. Um dos amigos de Diorgeres passou mal, e ele intercedeu, pedindo que o agente fosse liberado porque se ele morresse, alguém teria que “segurar essa morte”. Depois de se reunirem, os presos decidiram liberar o agente, mas um dos líderes da rebelião disse que precisava de dois agentes para ir conversar lá na frente, perto da muralha.

Diorgeres foi confrontado com a possibilidade de ser torturado e morto pelos prisioneiros que lideravam uma rebelião na cadeia. Mesmo assim, ele se ofereceu para ir à frente, acreditando que poderia resistir às torturas. Seu amigo concordou em acompanhá-lo.

Diorgeres sentiu que não havia outra escolha, pois os outros agentes reféns já estavam desesperados e temiam pela própria vida. Enquanto estavam presos em uma cela trancada, os prisioneiros passavam pela porta e ameaçavam matá-los. Um preso foi encarregado de guardar a chave da cela e ordenado a não permitir a entrada de ninguém sem autorização do líder da rebelião. Diorgeres e seu amigo foram levados para fora da cela pelos prisioneiros encapuzados, conhecidos como “ninjas”, que eram responsáveis por executar outros detentos na cadeia.

Os “ninjas” estavam armados com estiletes em cada mão e intimidaram um prisioneiro que tentou se aproximar de Diorgeres e seu amigo. Eles continuaram descendo a galeria da cadeia, e quando chegaram perto da “Revisora”, os prisioneiros começaram a xingar as autoridades do Estado, incluindo a polícia, o delegado e a juíza.

Eis que Diorgeres, o preso principal, pediu para trazer a “fitinha”. Ele e seu amigo foram virados de costas um para o outro e tiveram suas mãos e corpos amarrados. Colocaram um colchão de espuma em volta deles até o peito e, em seguida, outro colchão até a altura do pescoço, deixando apenas as cabeças para fora. Os agressores jogaram muito álcool nos colchões, ameaçando fazer o “micro-ondas de cadeia”.

Em seguida, trouxeram um cilindro de gás industrial e colocaram a válvula próxima ao rosto de Diorgeres, ameaçando queimar os presos vivos. Um dos agressores segurava um isqueiro em uma das mãos e ordenou: “Liga a ‘fitinha'”. Outro preso abriu a válvula do cilindro de gás, atingindo o rosto de Diorgeres e ameaçando acender o isqueiro.

Com medo de ficar cego, Diorgeres parou de olhar e começou a pensar que um preso poderia acender um fogo ali e todos eles poderiam morrer queimados. Os agressores estavam drogados e, naquele momento, Diorgeres sentiu como se estivesse morto, sem ouvir ou sentir nada.

Após, ouviu um dos agressores dizer: “Já era”. Ele não queria acreditar que eles iriam morrer, mas felizmente as amarras foram cortadas e eles foram liberados. Os agressores gritaram que estavam ligados ao PCC e ameaçaram matar todos os agentes se o “Choque” entrasse.

Diorgeres e os outros reféns foram ordenados a retornar para a cela enquanto eram escoltados pelos carcereiros. Quando Diorgeres entrou na cela, notou que os outros reféns estavam assustados e foi direto para uma torneira para molhar a cabeça.

Depois de ficar lá por um tempo, ele se virou para abraçar os outros que também tinham sido torturados. Todos desabaram em lágrimas, sentindo o estresse do acontecimento. Na cela, alguns reféns gritavam para que eles contassem o que aconteceu, enquanto outros ameaçavam matá-los. Diorgeres e os outros não sabiam como responder.

A tortura continuou durante toda a noite e só acabou na manhã seguinte, quando a grande rebelião foi controlada e os reféns, incluindo Diorgeres, foram libertados.

Redação

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