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Polícia Federal afirma que Glenn Greenwald e David Miranda foram espionados ilegalmente por Abin de Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) identificou mais dois alvos de vigilância ilegal realizada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin)durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). 

O jornalista Glenn Greenwald e seu esposo, o ex-deputado federal David Miranda (PDT-RJ), que faleceu em maio, estão entre os indivíduos cujos telefones foram monitorados por meio do sistema FirstPath. Os servidores suspeitos de utilização inadequada da ferramenta foram detidos pela PF na Operação Última Milha, que ocorreu na sexta-feira, 20 de outubro.

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Listagem de números no STF

Os dispositivos dos dois estão na lista de números de telefone fornecidos pela Abin ao Supremo Tribunal Federal (STF), conforme ordem do ministro Alexandre de Moraes. Essas informações foram obtidas pelo jornal O Globo por meio de fontes da PF. A Abin teria realizado 33 mil rastreamentos ilegais por meio desse programa durante o governo de Bolsonaro.

De acordo com os investigadores, 1.800 utilizações do software foram destinadas à espionagem de políticos, jornalistas, advogados, ministros do STF e opositores do ex-presidente. Para evitar deixar rastros, os servidores conhecidos como a “gangue de rastreamento da Abin,” segundo os investigadores, teriam apagado a maioria dos registros dos computadores, conforme relatado pela TV Globo.

Revelações do vazamento Lava Jato

Glenn Greenwald  é o fundador do site The Intercept Brasil e foi um dos responsáveis por revelar o caso do “Vazamento da Lava Jato”, que expôs mensagens interceptadas por hackers entre os agentes da Operação Lava Jato. Esse jornalista americano ganhou notoriedade após publicar uma série de reportagens sobre arquivos de um ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, que denunciou a espionagem ilegal de governos estrangeiros.

Trajetória de David Miranda

David Miranda foi vereador no Rio de Janeiro e, posteriormente, foi eleito deputado federal. Ele entrou na Câmara para ocupar a vaga deixada por Jean Wyllys (PSOL-RJ), que desistiu de assumir seu terceiro mandato e optou por deixar o país em 2019, devido ao aumento das ameaças que recebeu desde a eleição do então presidente Jair Bolsonaro. No Congresso Nacional, ele teve diversos confrontos com o clã Bolsonaro.

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

Funcionamento do sistema FirstPath

O sistema FirstPath é capaz de identificar um indivíduo com base na localização dos dispositivos que utilizam as redes 2G, 3G e 4G. Para encontrar o alvo, basta inserir o número do contato telefônico no programa e seguir a localização em um mapa. Esse software, desenvolvido pela empresa israelense Cognyte (antiga Verint), se baseia em torres de telecomunicações instaladas em diversas regiões para capturar os dados de cada dispositivo móvel e, em seguida, fornecer o histórico de deslocamento do proprietário do celular.

Alegações da Polícia Federal

Conforme a PF, o grupo sob suspeita teria utilizado um “software intrusivo na infraestrutura crítica de telefonia brasileira” para rastrear celulares repetidamente. Os crimes teriam ocorrido durante o governo do ex-presidente. Naquela época, a agência era liderada por **Alexandre Ramagem**, que hoje é deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro.

Posicionamento da Abin

Em um comunicado emitido após a operação na sexta-feira, a Abin informa que a Corregedoria-Geral da agência concluiu, em 23 de fevereiro de 2023, uma investigação extraordinária para verificar a legalidade do uso de um sistema de geolocalização adquirido pela agência em dezembro de 2018. Com base nas conclusões dessa investigação, foi iniciada uma sindicância no dia 21 de março. De acordo com a Abin, a ferramenta deixou de ser usada em maio de 2021.

“A partir desse momento, as informações obtidas durante essa investigação interna têm sido compartilhadas pela Abin com as autoridades competentes, como a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal. A agência tem cooperado com as autoridades desde o início das investigações. A Abin tem cumprido todas as decisões judiciais, inclusive as emitidas na manhã de sexta-feira (20). Os servidores sob investigação foram afastados temporariamente,” afirma o comunicado.

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