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Vítima de tráfico humano para trabalho infantil, ativista luta para combater crime

Ela fica alarmada ao saber que muitas dessas crianças são alugadas, tornando-se vítimas do tráfico humano

Swany Zebonini, uma ativista de 30 anos, tem como principal objetivo combater o tráfico humano para o trabalho infantil em São Paulo e outros municípios brasileiros. Sua motivação para essa luta é ainda mais significativa, pois ela própria foi vítima de tráfico humano quando tinha menos de 2 anos em Carapicuíba, na Grande SP. Swany recorda que sempre que vê crianças pedindo dinheiro nos semáforos ou sendo exploradas em trens e metrôs, é lembrada de sua própria história. Ela fica alarmada ao saber que muitas dessas crianças são alugadas para fazer isso, tornando-se vítimas do tráfico humano.

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Ela sente-se impotente diante dessa situação, pois se tornou algo culturalmente aceito. A naturalização desse problema é perigosa, pois não podemos considerar normal uma criança pedindo dinheiro. É por essa razão que ela deseja lutar contra essa realidade. Swany opta por se envolver intencionalmente em diversas comissões e grupos que combatem o trabalho infantil e o tráfico humano. Sua experiência pessoal a motiva a fazer a diferença, e seu foco é ajudar especialmente crianças e mulheres. A história de Swany começa quando ela ainda era bebê e foi abandonada pelos pais biológicos, sendo posteriormente acolhida em um lar adotivo.

No entanto, seus pais biológicos recuperaram a guarda dela, mas com a intenção de explorá-la para ganhar dinheiro. Ela e seus irmãos eram usados ​​para vender produtos e pedir dinheiro nos semáforos de São Paulo, e os recursos eram gastos com vícios. Foi somente quando Swany passou a estudar mais sobre o tema do tráfico humano que sentiu que ela havia sido vítima desse crime.

A legislação vigente passou a incluir o trabalho de analogia à escravidão, trabalho infantil e adoção ilegal. Swany, comprometida com a causa, integra atualmente várias comissões de enfrentamento ao trabalho infantil e tráfico humano em São Paulo, trabalhando incansavelmente para ressignificar sua própria história e fazer a diferença na vida de outras vítimas.

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Fonte: G1 – Globo

Segundo relato da ativista, ela foi separada de sua mãe biológica novamente quando um juiz da Vara da Infância e Juventude de São Paulo a avistou em um semáforo. Esse juiz já havia cuidado de seu caso anterior. Como resultado, sua mãe perdeu sua guarda e ela foi levada para o abrigo Santa Terezinha, perdendo o contato com sua família biológica.

Posteriormente, a ativista foi adotada por uma família que inicialmente não planejou adotar uma criança do abrigo. A filha adotiva mais velha da família começou a visitar o abrigo com uma amiga e levar doações. A mãe adotiva desconfiou e, ao visitar o abrigo, viu a ativista e se comoveu. Mesmo não tendo intenção de adotar inicialmente, a família acabou acolhendo-a e buscando sua guarda definitiva.

Há cinco anos, Swany decidiu tornar-se uma ativista na luta contra o tráfico humano

Seu nome, Swany, foi escolhido pelo pai adotivo, mantendo o prefixo “Su” sugerido pelo juiz, e foi inspirado na palavra “Swan” que significa cisne em inglês, simbolizando a transformação que ela teve em sua vida. Ao longo dos anos, Swany foi descobrindo mais sobre sua história e, há cinco anos, decidiu tornar-se uma ativista na luta contra o tráfico humano, tema que sempre foi importante para ela.

Ela passou a se envolver com ONGs, como o Grupo Mulheres do Brasil, e criou uma frente de combate ao tráfico humano, trabalhando em projetos junto com a CUFA e buscando alcançar todas as comunidades e municípios do Brasil para ajudar crianças e mulheres.

Em agosto de 2022, Swany acompanhou e auxiliou os afegãos acampados no Aeroporto de Guarulhos, que buscavam refúgio após o retorno do grupo extremista Talibã ao poder, quando as tropas americanas encerraram uma intervenção militar de 20 anos no Afeganistão. Ela chegou a passar noites no aeroporto para acompanhar os imigrantes e ajudou na criação do Coletivo Frente Afegã.

De acordo com Swany, a sociedade precisa conscientizar-se sobre como auxiliar as vítimas. O tráfico humano ainda é pouco compreendido e muitas pessoas limitam-no apenas à exploração sexual, mas ele engloba um amplo universo. Mesmo quando denunciado sem resultados, não podemos nos desanimar, é crucial seguir adiante.

“É necessário investir mais em pesquisas e coleta de dados, bem como capacitar profissionais da segurança pública para registrar casos de tráfico humano e treinar profissionais da saúde nessa temática. Quando tratamos o crime com a gravidade devida, enfraquecemos suas raízes”, enfatiza Swany.

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Fonte: Observatório do Terceiro Setor

A Lei n. 13.344/2016 revogou os artigos 231 e 231-A do Código Penal, introduzindo o artigo 149-A para adequar a legislação interna sobre tráfico de pessoas aos protocolos internacionais, especialmente ao Protocolo de Palermo. Desde então, a construção legislativa tem se baseado na prevenção e repressão ao crime.

A pena prevista é de 4 a 8 anos de reclusão, além de multa, para quem agencia, recruta, transporta, compra ou acolhe pessoas através de grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de remoção de órgãos, exploração do trabalho em condições análogas à escravidão, submissão ao servidão, adoção ilegal ou exploração sexual.

Fonte: G1

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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