Afinal, Carla Zambelli cometeu crime de calúnia contra repatriado de Gaza ou não?

A defesa de Hasan Rabee, homem de 30 anos repatriado da Faixa de Gaza, apontou haver crime em mais de 200 postagens e mensagens na internet, inclusive uma de autoria da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), após a chegada do brasileiro à capital federal com a família e os demais resgatados.

Talitha Camargo da Fonseca, advogada de Rabee, afirma que ele tem sido vítima de calúnia, difamação, injúrias raciais, perseguição virtual e até ameaças de execução. De acordo com a defesa, os conteúdos ofensivos foram identificados no Instagram e no TikTok.

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Imagem: Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Advogada aponta crime de calúnia em postagem da parlamentar

A advogada diz haver crime de calúnia em uma postagem feita por Zambelli, na quarta-feira (15). Na publicação, há uma imagem de Hasan ao lado do presidente Lula (PT) com os dizeres “Repatriado recebido por Lula tem mensagens pró-terrorismo em suas redes”.

Na legenda, a parlamentar chama Hasan de “extremista” e diz que ele sugeriu “um ataque terrorista a Israel”. Na postagem, que seria de 2015, o repatriado teria escrito: “Não queremos violência, mas acho que este é o momento certo para explodir ônibus em Israel.

Segundo a advogada, Hasan fez a postagem em um momento em que pedia refúgio para o Brasil, “então é óbvio que uma pessoa que está pedindo refúgio de um país tem as suas razões para falar isso”.

Repatriado sofre com críticas por publicação

Alguns usuários usaram a postagem de Zambelli em mensagens para Hasan nas quais dizem, por exemplo, “você deveria ter ficado na Palestina, não queremos terroristas no Brasil”.

A advogada afirma que o repatriado não aprova o terrorismo. “É um tsunami de ódio que tem que parar. Essas pessoas têm que ser investigadas e têm que ser punidas”, declarou Talitha. “É uma figura de poder que está imputando, neste momento, para uma vítima que acabou de sair da guerra, uma relação com o terrorismo ou com o apoio a terroristas. Isso é inadmissível”.

Em nota, a Secretaria Nacional de Justiça informou que as denúncias de ofensas e ameaças aos repatriados estão sendo apuradas e serão encaminhadas para a investigação da Política Federal.

A advogada suspeita que os ataques aumentaram com a chegada de Hasan, na segunda-feira (13), ao Brasil. Na ocasião, o repatriado abraçou Lula no aeroporto e agradeceu ao governo pelo resgate.

Advogada solicita medida protetiva à Hasan e a sua família

O brasileiro está com a esposa e as duas filhas. A defesa preferiu não informar a localização.

Segundo Talitha, o foco atual é garantir segurança para a família de Hasan. A advogada diz ter solicitado proteção ao Ministério dos Direitos Humanos, um programa em que um telefone de plantão ficaria à disposição da vítima, e fornecimento de escolta ao Ministério da Justiça.

Após a garantia da proteção, a advogada deve se encontrar com o brasileiro no fim de semana para avaliar possíveis pedidos de inquérito ao Ministério Público e à Delegacia de Crimes Digitais em São Paulo.

Eles ainda devem decidir se apresentarão ações na área criminal ou se reinvindicarão indenizações

Zambelli se pronuncia sobre ocorrido

Procurada, a deputada informou, por meio de sua assessoria, que pretende pedir na Justiça o cancelamento da naturalização brasileira de Hasan.

“Já que ele não se recorda de ter feito a postagem, estou notificando o Instagram para que preserve os dados. Se a postagem tiver ficado ativa enquanto referida pessoa já possuía nacionalidade brasileira, vamos pedir judicialmente o cancelamento da naturalização, pois a divulgação de propaganda antissemita é atividade nociva ao interesse nacional”, declarou, em nota.

Fonte: Carta Capital